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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Frida Kahlo - Um Exemplo de Resiliência e de Superação

"Frida Kahlo - A Vida de um Ícone" é uma das exposições que está patente na Alfândega do Porto desde março e até agosto (salvo erro). A experiência imersiva de 365º convida-nos a "entrar" dentro da vida de uma mediática pintora mexicana que muito nos ensina sobre resiliência e superação. Aceitei o convite e deixei-me envolver por um trabalho inovador e inspirador, digno de ser visitado e revisitado vezes sem conta. 

Fui desafiada a pintar a Frida. 
Heis a minha obra de arte ;)

Frida Kahlo é o nome artístico de Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, uma pintora mexicana que estudou medicina. Do signo caranguejo, como eu, nasceu na vila de Coyoacán, no México, no dia 6 de julho de 1907. 

Filha de pai alemão e mãe espanhola, desde pequena teve uma saúde debilitada. Aos seis anos de idade contraiu poliomielite, que lhe deixou uma sequela no pé. Aos 18 anos, sofreu um grave acidente de autocarro que a deixou um longo período no hospital.

Apesar de deprimida e incapacitada de andar, Frida passou a pintar sua imagem, com um espelho pendurado na sua frente e um cavalete adaptado para que pudesse pintar deitada. Encontrou nas dificuldades um talento - a pintura. Dizia: “Para que preciso de pés quando tenho asas para voar”. Era na pintura que se evadia, escapava às vicissitudes da vida e permitia que a imaginação a levasse para além da sua própria realidade. 

Viveu apenas 47 anos, mas viveu-os de uma forma muito intensa;  no plano emocional casou-se com o mesmo homem duas vezes, Diego Rivera, um importante pintor do “Muralismo Mexicano", teve cerca de 3 abortos espontâneos e nunca conseguiu engravidar devido às mazelas que o acidente deixou no seu sistema reprodutor.

Dona de si mesma, Frida separou-se definitivamente de Diogo Rivera em 1939, e afirmou: “Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o autocarro e tu. Tu sem dúvida foste o pior deles”.  Nesse ano e já separada do ex-marido, Frida expõe em Nova Iorque e em Paris. Nessa época, entra em contato com Pablo Picasso e Wassily Kandinsky. O Museu do Louvre adquire um dos seus autorretratos.

O meu retrato "pintado" pela Frida
Apesar de ter passado por diversas cirurgias e das mazelas deixadas pelo acidente, a artista nunca parou de pintar. A sua obra recebia influência da arte indígena mexicana. Pintava paisagens mortas e cenas imaginárias. Usava cores fortes e vivas, explorando principalmente os autorretratos. Frida Kahlo era também apaixonada por fotografia, hábito que herdou do seu pai e do seu avô materno, ambos, fotógrafos profissionais.

Frida Kahlo foi uma defensora dos direitos das mulheres, tornando-se um símbolo do feminismo, não esqueçamos a famosa "monocelha" que teimava em não depilar que e desafiava os padrões convencionais de beleza feminina.

Deprimida, viveu os últimos anos de sua vida na Casa Azul, no México, que em 1958, passou a abrigar um museu em homenagem à pintora. Frida Kahlo faleceu em Coyoacán, no México, no dia 13 de julho de 1954.

Estas são algumas das suas obras mais mediáticas

  • Autorretrato com Um Vestido de Veludo (1926)
  • Retrato de Miguel N. Lira (1927)
  • Retrato de Alicia Galant (1927)
  • Retrato de Minha Irmã Cristina (1928)
  • O Ônibus (1929)
  • Frida e a Cesárea (1931)
  • Meu Nascimento (1932)
  • Hospital Henry Ford (1932)
  • As Duas Fridas (1939)
  • Diego em Meu Pensamento (1943)
  • Autorretrato de Cabelos Soltos (1944)
  • A Coluna Partida (1944)
  • Autorretrato com Macaco (1945)
  • Retrato do Meu Pai Wilhem Kahlo (1952)
  • Viva a Vida (1954)
Algumas fotos da exposição









domingo, 30 de janeiro de 2022

"After Life": A Vida Depois da Vida

Na semana passada vi o último episódio de "After Life", uma comédia dramática da plataforma de streaming Netflix. Ao longo de três temporadas e de 18 episódios, o realizador, produtor e protagonista Ricky Gervais, conta como é a vida de "Tony Jonhson", a personagem que "encarna", após a morte da esposa "Lisa" (Kerry Godliman). A primeira temporada estreou em março de 2019 e a última no dia 15 de janeiro deste ano.

"Tony" e o seu cão, o seu fiel amigo
"Tony Johnson" é jornalista num jornal londrino local que (sobre)vive diariamente depois de o cancro da mama lhe ter roubado a esposa. Esta série que se desenrola, ao todo, em 18 episódios, quer mostrar como é o dia-a-dia de uma pessoa que perdeu quase todo o sentido da sua existência. 

Em cima da mesa Tony coloca a hipótese de suícidio; afinal, sem a esposa, a sua companheira de todas as horas, a vida perde o significado. Contudo, escolhe encontrar uma alternativa a esta opção e o conforto no melhor amigo Brandy. É o cão de ambos que, desde o dia da morte de Lisa, se torna na razão pela qual Tony acorda diariamente. Além disso, ao escolher dizer e fazer o que lhe der na cabeça, Tony descarrega os sentimentos de impotência, de frustração e de tristeza deixados pela perda da esposa, no humor negro com que se dirige aos outros.

Os dias de Tony são todos muito parecidos e rotineiro: acorda; vê uns vídeos engraçados da esposa Lisa no computador; dá o pequeno almoço ao cão; veste-se para ir trabalhar; vai trabalhar no jornal local londrino "Tambury Gazette"; faz o seu trabalho, onde conta histórias caricatas de pessoas que fazem tudo para aparecer no jornal; vai visitar o pai ao lar (quando este ainda está vivo e com a doença de Alzheimer); visita a campa da falecida esposa, onde conhece uma senhora que se encontra numa situação parecida e de quem se vai tornando amigo, a Anne (Penelope Wilton); regressa a casa e vê, outra vez, alguns videos da falecida esposa. Com poucas variações, os dias do protagonista desta série, desenrolam-se entre recordações, alegrias, tristezas e, acima de tudo, vazio e saudade

Esta série dramática mostra, de uma forma mais ou menos leve, mais ou menos irónica, mais ou menos realista, como é viver o luto de uma morte anunciada. Digo "anunciada" pois o cancro, de uma forma lenta e silenciosa, foi destruindo aos poucos a vida de "Lisa" (que apenas aparece viva nos vídeos e na memória de Tony). O derradeiro fim seria inevitável.  "Tony" via na esposa o ombro amigo de todas as horas, a companheira de vida inseparável, o grande amor que o cancro, injustamente, levou. 

Tony teve de aprender a lidar com a perda, com o sentimento de impotência por nada poder fazer para trocar as voltas ao inevitável destino, e com a dor do luto. Teve, no final de contas, de reaprender a viver sem a sua mais-que-tudo. Tinha ajuda psicológica, refugiava-se no trabalho e nas conversas leves com uma das funcionárias da casa de repouso onde estava o pai, Emma (Ashley Jensen), de quem acabou por se tornar amigo. 

O último episódio da terceira season foi, sem dúvida, o que mais me marcou precisamente devido a um momento muito específico, em que Tony e o colega se deslocam a um hospital infantil oncológico. Aí, uma das crianças com quem Tony fala e que sofre com cancro, diz-lhe que se chama "Lisa". O nome, portanto, da mulher de Tony. Quando questionado sobre o local onde ela está, Tony diz à menina que ela está em casa. Nesse momento, admito, não consegui conter a lágrima. Eu sou assim, emocional.

Esta foi, sem dúvida, a melhor série que já vi. Não uma das melhores, reforço, A MELHOR. Comecei a vê-la numa altura da vida em que achava que estava feliz, mas terminei-a numa altura em que estou realmente feliz. Tal como o Tony, eu já tive de fazer o luto de pessoas que faleceram. Doeu e não foi pouco. Também já tive de fazer o luto indesejado e negro de pessoas vivas que já não estão na minha vida, mas que continuam vivas. E qual deles será o pior? - A resposta a esta pergunta reside em cada um de nós porque cada caso é um caso e cada um vive a sua realidade à luz da cultura, as crenças, da educação e das próprias experiências de vida que vai tendo.