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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Associação Livro Aberto incentiva gosto pela leitura


Gosta de ler e não sabe onde encontrar um espaço apelativo, para o fazer, em Maputo? Então aqui está o melhor pretexto para deixar-se de desculpas e fazer uma visita à Associação Livro Aberto. O espaço, que encontra um lugar privilegiado entre a terra e o mar, localiza-se numa zona verdejante, ao fundo do Jardim dos Professores. A decoração apelativa convida a uma manhã ou a uma tarde bem passadas na companhia dos livros. 

Há-os para todos os gostos e para os diferentes públicos: da literatura estrangeira à portuguesa, da literatura infanto-juvenil à destinada a um público-alvo mais maduro. Neste espaço, de segunda a sábado, das 07 às 16 horas, miúdos e graúdos estão convidados a entrar e a deixarem-se envolver pelos deleites de uma boa leitura. 

A Associação do Livro Aberto iniciou a sua actividade em 2007 com o principal objectivo de educar as crianças e de incentivá-las a ler. Esta associação tem uma biblioteca pública no Jardim dos Professores, em Maputo, mas trabalha, também, com crianças dos bairros circundantes. Entre as suas diversas actividades, a Livro Aberto cria centros de leitura, recorrendo a métodos criativos como teatro, canções, poemas e elaboração de livros de cartão, feitos com material reciclado. 

"Com base em histórias que lemos, procuramos elaborar actividades que promovam a leitura, a escrita e a elaboração de trabalhos plásticos", destaca Nélsia Manuel, coordenadora de literacia do espaço. "Produzimos jogos com base em material reciclado. Depois de fazer algumas perguntas  acerca do conto, temos como objectivo ensinar algumas coisas através de uma história, adequando-a à realidade local", continua. Normalmente, tanto coordenadores como voluntários, trabalham um livro durante quatro semanas.

O trabalho da Associação Livro Aberto vai muito para além do espaço físico no Jardim dos Professores. É nas comunidades circundantes que todos trabalham em prol da leitura. "Algumas crianças vêm com os irmãos ao colo e desenvolvemos dois programas distintos: um grupo para os bebés e  outro para os irmãos mais velhos; aí lemos livros adequados para ambas as faixas etárias", destacam os responsáveis.

Às quarta-feiras realiza-se uma deslocação ao Bairro do Triunfo, na Costa do Sol. Através dos programas comunitários são proporcionadas actividades interactivas, bibliotecas móveis e estratégias de aperfeiçoamento de competências que permitem a cada criança aprender a ler e a escrever com confiança e através de actividade lúdicas. Com isto, pretende-se incentivar o desenvolvimento de uma cultura de leitura em Moçambique, para que todas as pessoas se sintam motivadas a informar-se, a explorar e a aprender através dos livros. 

Em relação ao trabalho desenvolvido, pelos 13 trabalhadores efectivos e pelos quatro voluntários permanentes,  junto às comunidades de cinco distritos na província de Tete, estão a formação de professores e de membros da comunidade. "No ano passado foi implementado um projecto-piloto com estratégias que devem constar do projecto escolar do sistema de ensino moçambicano", destacaram os responsáveis pelo projecto. Para criar modelos de literacia para crianças há metas a cumprir, entre as quais:

- O professor e os membros da comunidade devem ler uma história na língua local; esse é o primeiro passo para que os alunos compreendam a história, já que nessas províncias a Língua Portuguesa é uma língua secundária;

- A equipa de literacia deve ler a história uma vez na sala de aula, em comunidade e em outros locais;

- Deve proceder-se à implementação de estratégias que ajudam a ler a história em voz alta às crianças e, assim, existir uma partilha com os colegas nas jornadas pedagógicas nas escolas. 

Os trabalhadores efectivos estão divididos pelos Programas de Bibliotecas Comunitárias (PBC) e operam nos bairros de Maputo, Hulene, Mafalala. A Livro Aberto realiza, ainda, programas em feiras, de que é exemplo a feira internacional de crianças, que se realiza em Junho. Este ano será no domingo, dia três de Junho.

Como ajudar a Associação Livro Aberto?

É possível ajudar a Associação Livro Aberto com a doação de livros em Língua Portuguesa, para enriquecer o acervo da biblioteca e com material reciclável, que permite desenvolver actividades com os pequenos leitores.

É possível ajudar através da requisição de livros, sendo que existem três pacotes disponíveis: o Pacote Mundo, com direito à requisição de cinco livros e wi-fi gratuito no espaço, que tem um custo de 4000 meticais (cerca de 53 euros), 2000 (cerca de 26 euros) dos quais para depósito e 2000 para a instituição Livro Aberto; o Pacote Moçambique, com direito à requisição de quatro livros, que tem um custo de 2000 meticais, 1000 (cerca de 13 euros) para depósito e 1000 para a Associação Livro Aberto; e o Pacote Maputo, com direito à requisição de três livros, que tem um custo de 750 meticais (cerca de 10 euros), dos quais 500 (cerca de 7 euros) garantem os dois livros requisitados e 250 (cerca de 3 euros) revertem a favor da instituição.

Há, ainda, a possibilidade de fazer voluntariado na instituição; basta aparecer durante o horário de funcionamento da Associação Livro Aberto, falar com o administrativo, Elias José ou a coordenadora de literacia, Nélsia Manuel e informar que actividades gostaria de desenvolver na associação. A partir, daí o voluntário iniciará as suas funções. A sua única obrigação é avisar quando não pode estar presente. 

Os objectivos futuros da Livro Aberto passam por expandir os programas das Bibliotecas Comunitárias nas províncias de Zambézia, Cabo Delgado e Nampula com a ajuda de financiadores. "Temos um programa de fabricação de livros. Estamos a pensar fazer a segunda edição dos livros", sublinha Elias José. 

Há outros projectos em progresso: a biblioteca destinada aos jovens encontra-se em construção e pretende-se levar a biblioteca das mamãs e dos bébés além da cidade de Maputo. Além das ajudas de patrocinadores como a UNICEF e o Hotel Cardoso, são necessárias outras ajudas. 

No fim fica um apelo a todos os nacionais e estrangeiros: "apelamos para todo o nacional e internacional para nos ajudar. Não importa a quantidade da ajuda, apenas temos vontade de fazer e não temos lucros. Sem financiamento não somos capazes de realizar", terminam Elias José e Nélsia Manuel.

segunda-feira, 26 de março de 2018

"A Capoeira dos Sete Pintos" é a obra mais recente da EPM-CELP


O lançamento do livro “A Capoeira dos Sete Pintos” teve lugar na quarta-feira, dia 21 de Março, na sede da Associação de Escritores Moçambicanos, em Maputo. Da autoria de Celso C. Cossa e ilustrado por Alberto Correia, é a obra mais recente do catálogo da Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino e Língua Portuguesa, na área infanto-juvenil.

O lançamento do terceiro livro de Celso C. Costa coincidiu com o Dia Mundial da Poesia e iniciou-se com a encenação de uma peça de teatro por alguns alunos da Escola Primária Completa 12 de Outubro, orientados pelo professor e escritor Rogério Manjate.

 Seguiu-se a leitura de um texto de Aurélio Furdela sobre o livro. “A busca da perfeição é algo intrínseco à vida de qualquer artista”, começou por dizer o apresentador do livro, Amosse Mucavele. “O autor busca aquilo que não se vê: o mistério e a paz interior”, continuou. Frisou, ainda, a simbologia do número sete enquanto número da perfeição, presente na história e em toda a obra deste autor, considerado por ele como uma referência da literatura infanto-juvenil. Acrescentou também que a fábula presente na história pode ser interpretada como uma metáfora do que a quebra de valores pode trazer à sociedade.

Alberto Correia, ilustrador, destacou a importância da ilustração como complemento do texto, sobretudo na literatura para crianças e a diretora da EPM-CELP, Dina Trigo de Mira falou da importância dos livros que nos levam a viajar e a reflectir e agradeceu às diversas entidades envolvidas no livro e no evento.

O representante da AEMO congratulou-se pela possibilidade de lançar um livro infantil no espaço da Associação de Escritores e enalteceu o trabalho editorial realizado pela Escola Portuguesa de Moçambique.

Sobre o livro
texto dá continuidade ao conto A Galinha Costureira e o Milhafre Esfarrapado do livro “7 Histórias sobre quem como quem”  do mesmo autor, e leva um pai e o seu filho a viajarem por dentro de um sonho e a viverem uma aventura fantástica juntamente com Sete Pintos, uma Galinha Costureira, um Milhafre Esfaimado, uma Feiticeira Esfarrapada e uma Galinha Anciã.

Sobre o autor
Celso C. Cossa nasceu em Maputo e é membro da Associação de Escritores Moçambicanos. Licenciado pela Universidade Pedagógica, é autor de 7 Estórias Sobre a Origem de Quem Come Quem (Prémio Nacional 25 de Maio, PAWA, edição 2015), O Gil e a Bola Gira e Outros Poemas para Brincar (EPM-CELP, 2016), Dandiwa – a menina que ganhou uma bolsa de estudo (Menção Honrosa no Prémio Matilde Rosa Araújo, edição 2015) e O Sol e o Solzinho (Menção Honrosa no Prémio Matilde Rosa Araújo, edição 2016), estas duas não-publicadas. No prelo encontra-se a obra livro juvenil “O Menino que odiava Números” e Celso C. Cossa, escritor com predilecção pela escrita para crianças e jovens tem vários livros ainda por publicar.

Sobre o ilustrador
Alberto Correia nasceu em Maputo, em 1991 e é artista plástico, ilustrador e designer. Membro do Núcleo de Arte é fundador do Movimento Fashion Prints e criador da marca Adecoalfinearsand Design, movimento artístico que alia a artes plásticas ao design de moda. Professor de artes plásticas e artes visuais a Capoeira dos Sete Pintos marca a sua estreia na ilustração.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

"Caminhos de Leitura" voltaram encantar Pombal

A XIII edição do Encontro de Literatura Infantojuvenil – “Caminhos de Leitura” teve lugar nos dias 19 e 20 de Junho, no Teatro-Cine e no Castelo de Pombal. O Município de Pombal já dá vida ao evento há 13 anos, cujo propósito é o de debater e reflectir nas questões da animação, pincipalmente infantil, do mundo livro, da leitura, da escrita e da ilustração.  
 
Nesta edição, a CENFORMAZ foi parceira na formação, que é acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, contando igualmente com a participação de vários especialistas convidados, como Benita Prieto, Eliana Yunes, José Campanari, António Torrado, Afonso Cruz, Eva Mejuto, Mafalda Milhões e Paulo Condessa.

O programa da XIII edição do Encontro de Literatura Infanto-juvenil – Caminhos de Leitura teve uma componente reservada a inscrição. Destinou-se a educadores de infância e professores do ensino básico e do ensino secundário, dando acesso à componente formativa e às oficinas que foram sendo desenvolvidas ao longo do evento.







segunda-feira, 8 de junho de 2015

“Da crítica à poesia” é o novo livro de Orlando Lourenço



O escultor Orlando Lourenço apresentou o livro “Da crítica à poesia” no X Serão Cultural do Louriçal, no sábado, 23 de Maio. As preocupações, os desafios do dia-a-dia e a reflexão sobre a realidade são os conteúdos sobre os quais o livro incide.

A escrita não surgiu ao acaso: “sou doente oncológico e, quando me deram a reforma por invalidez, esta foi a forma que encontrei para ocupar o meu tempo: escrever”, começou o poeta. Já escrevia poesia nos jornais regionais “Correio de Pombal” e “Horizonte”, mas o desafio para escrever um livro surgiu mais tarde.

No ano passado, “durante inauguração da minha exposição de escultura, na festa de São Pedro em Almagreira, o engenheiro Narciso Mota leu alguns dos meus textos e perguntou-me porque não escrevia um livro”, declarou. O livro surgiu, assim, como uma selecção de textos que Orlando Lourenço foi escrevendo ao longo de cerca de sete anos. Por “a escrita ser mais leve do que a escultura”, optou por se dedicar a tempo inteiro aos versos e às estrofes.

“Escrevo mais críticas do que poesia mas falo um pouco de tudo: de amor, de morte, de traição e de ignorância”, desvendou sobre uma obra que é transversal a todas as idades. “É um livro instrutivo até para os mais jovens, porque aborda conteúdos difíceis de compreender, em rima”, continuou. “Aprender em poesia acaba por ser mais fácil do que a maneira convencional”. Neste momento está a preparar um novo livro, que “é menos crítico e contém mais poesia”, revelou.

O livro tem o custo de dez euros, mas um euro reverte a favor da Delegação do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro. No sábado, 30 de Maio, foi a vez de o Salão Polivalente de Almagreira receber o autor para uma outra apresentação do livro.