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quinta-feira, 5 de julho de 2018

“Think Conference” leva Marketing Digital e Empreendedorismo a debate

Leiria foi o epicentro do Marketing Digital, do Empreendedorismo e da Inovação no fim-de-semana passado, 29 e 30 de junho. O Teatro José Lúcio da Silva recebeu a segunda edição da Think Conference. O objetivo de reunir empreendedores e especialistas em Empreendedorismo, Marketing Digital, Redes Sociais e Startups foi cumprido, tendo assistido cerca de 700 pessoas a 25 palestras. 

Organizado pela agência de marketing digital, GetDigital, o evento começou na sexta-feira de manhã, 29 de junho com um desafio aos participantes: fazer uma apresentação de três minutos sobre si mesmo ao colega do lado. Com isto, Sebastião Lancastre, presidente da fintech e instituição de pagamentos easypay quis relembrar que qualquer negócio começa com uma boa rede de contactos.

A manhã prosseguiu com as palestras de Tiago Nogueira, coordenador de Media Social na Salvador Caetano e Miguel Fontes, diretor executivo da Startup Lisboa que frisaram a importância do papel dos influenciadores digitais no sucesso de um produto ou serviço, na importância de credibilizar e fidelizar os clientes, de gerir expectativas e da necessidade de empreender. “Ser empreendedor é um modo de vida”, destacou Miguel Fontes que falou na capacitação, no investimento e no papel dos players no mundo do empreendedorismo.
A internacionalização das empresas, o funcionamento e a importância do Marketing Digital e a necessidade de atualização permanente no mundo digital foram os tópicos abordados durante a tarde de sexta-feira. A Secretária de Estado da Indústria Ana Lehmann destacou a “importância da alteração da relação dos portugueses com o online, função que caberá aos profissionais de marketing digital e aos empreendedores”.

Prevenção e Proximidade
Marco Galinha, do Grupo Bel, Alcino Lavrador, da Altice Labs e João Moura, responsável pela página de Facebook da Polícia de Segurança Pública (PSP) falaram no impacto do marketing digital nas atividades das empresas e das instituições. João Moura, do gabinete de imprensa e relações públicas da PSP falou a importância das redes sociais e da criatividade na desconstrução da imagem e na construção da marca, com impactos positivos offline e tendo por base as prioridades estratégicas da PSP: prevenção e proximidade.
A tarde do primeiro dia da conferência terminou com as intervenções de Susana Coerver, da Parfois; João Silva, Rui Franco e Miguel Monteiro do Seeds Group; Pedro Arnaut do Sport Lisboa e Benfica (SLB) e Miguel Ferreira investidor no Shark Tank Portugal e Sócio da Swonkie, uma plataforma de gestão de Redes Sociais Portuguesa. Todos partilharam as suas experiências tendo em conta o impacto que as redes sociais têm na construção das marcas, os ingredientes para criar uma startup e aquilo que procura um investidor.

No fim das conferências seguiu-se um encontro informal de empreendedores no Mercado de Sant’Ana que, enquanto extensão do dia possibilitou a todos os participantes do evento, continuarem a realizar contactos, conhecerem-se melhor, realizarem negócios ou agendarem reuniões.

A manhã de sábado, 30 de Junho, foi dedicada ao e-commerce, isto é, o comércio-online. Paula Alves, da FNAC ressalvou que, nos pagamentos online, “toda a jornada deve ser pensada aos olhos do cliente e melhorada pelos olhos do cliente”, sendo que este se importa com a marca e não com a diversidade de canais. Por sua vez, Rafic Daud falou no facto de o e-commerce ser muito pouco rentável hoje em dia e ressalvou a importância de conhecer os clientes antes de vender os produtos. Pedro Maia da Taxify falou das “Lições aprendidas ao fazer crescer um marketplace de duas fases”, com a presença online e as recomendações boca-a-boca.
“Estratégias de Marketing Digital no Turismo”, “Reputação online: Qual o impacto e a influência junto dos consumidores?”, e “ebeauty: Como o digital está a disrruptivar a indústria da cosmética?” foram as conferências que se seguiram. Marco Gouveia do Grupo Hotel Pestana, Pedro Loureiro, fundador do Portal da Queixa e Mónica Serrano, diretora de Marketing da Lóreal foram os intervenientes.

Falhar para chegar ao sucesso
A tarde foi dedicada à inovação empresarial e ao empreendedorismo, ao Digital Branding e a como fazer escalar uma start-up. Miguel Martins, da Science 4you sublinhou que “O falhanço faz parte do sucesso” e falou na sua experiência com a criação da startup que balanceia educação e diversão. José Maria Rego, da Raize, destacou que “não ganha quem chega primeiro, mas sim quem se sente realizado e traz valor para o país”.

A tarde terminou com temas acerca de como evoluir um negócio tradicional e vender on-line, o futuro dos pagamentos digitais e o humor, redes sociais e marcas. Rui Francisco da Pepsi Co, frisou que o “melhor teste de mercado é ter vendas” e que o foco deve estar nos resultados para que uma empresa tenha sucesso. Quanto ao fim do dinheiro físico, “não há datas previstas” e os oradores acreditam que o dinheiro não irá deixar de existir por completo.
Como o tema “O Humor, Redes Sociais e Marcas”, Guilherme Duarte, mentor do blogue Por Falar Noutra Coisa fechou a conferência, no dia Mundial das Redes Sociais, com chave de ouro. Falou do humor como ferramenta de comunicação e é da opinião de que, quanto aos conteúdos, as “pessoas partilham porque concordam e não porque acham piada”.

Esta foi a 2ª edição da maior conferência de Marketing Digital e Empreendedorismo de Portugal, que aconteceu pela primeira vez em 2016, em Leiria, e vai ter a sua 3ª edição, em 2020, na mesma cidade.

Think Conference em Números


“Mais de 70% dos clientes que vai à loja antes foi ao site da FNAC”
Paula Alves, FNAC


“15% dos consumidores compra online”
Ana Lehmann, Secretária de Estado da Indústria


“17% dos sites em Portugal vendem em e-commerce”
Mónica Serrano, Loreal


“7 em cada 10 consumidores admitem deixar-se influenciar pela reputação online da marca na hora de comprar”.
Pedro Lourenço, Portal da Queixa


“85% dos consumidores confiam mais nos conteúdos partilhados por outros consumidores do que em conteúdos de marcas.”
Pedro Lourenço, Portal da Queixa


“A industria do transporte é 10 vezes maior que a de publicidade”.
Pedro Maia, Taxify

domingo, 14 de agosto de 2016

O parque onde a natureza e a cultura convivem de mãos dadas

Já pensou em desligar-se do mundo e passar férias em contacto com a natureza? Isto enquanto conhece pessoas novas e se deixa inspirar pelo cantar dos pássaros num lugar onde a natureza é rainha? O Parque de Campismo “O Tamanco” convida-o a desfrutar de uns “dias desconectados” onde “paz e tranquilidade” são as palavras de ordem.

Longe da cidade e perto do mar, a ideia de recriar um espaço inutilizado nasceu na década de 90 e foi o casal holandês Hans de Jong e Irene Van Hoek quem lhe deu vida. O estilo de vida simples, ordeiro e pouco agitado que encontraram em Portugal fez com que o casal se apaixonasse pelo Outeiro do Louriçal para  se dedicar ao campismo a tempo inteiro. Corria o ano de 1998.
“Saímos da Holanda para nos fixarmos em Portugal. Esta é a nossa casa; não pretendemos voltar”, frisa Irene Van Hoek com determinação. Afinal, aquele que começou por ser o sonho de abrir um bar na praia transformou-se numa ideia inovadora, um autêntico
ponto de encontro intercultural.

Desengane-se quem pensa que este é um parque de campismo convencional. Além de privilegiar o contacto com a natureza, “O Tamanco” procura estabelecer o equilíbrio perfeito entre o ambiente familiar tradicional e um interior moderno, contemporâneo e inovador.

Entre dois hectares de yurts, bungalows, cabanas e tubos, pessoas de diversos países - Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Holanda e Canadá - cruzam-se e o desafio é aprender uma língua nova enquanto se descobre uma cultura diferente. “A Cantina é o ponto de encontro e na própria confeção das refeições, misturamos ingredientes utilizados em diferentes países”, explica Irene num inglês quase perfeito.

A ideia de dormir num “tubo” de materiais reciclados – como o cimento, a madeira ou o metal – pode parecer pouco apelativa à primeira vista; mas dificilmente encontra um tubo melhor onde dormir. “Os jovens querem algo especial e procuram novas experiências e é por isso que lhes proporcionamos acomodação a preços baixos, tendo em conta a vertente do envolvimento com a natureza”, afirmou Irene.

Por outro lado, o aproveitamento de produtos endógenos é regra de ouro no “Tamanco”: “ao darmos uma nova vida aos materiais, queremos ajudar a região e promover o turismo local”, frisa a responsável pelo espaço. Afinal, o objetivo do casal aquando do envolvimento no projeto não era apenas o de “ganhar dinheiro” mas sim dar a conhecer locais pouco explorados aos turistas e promover parcerias com empresas da região para dinamizar a economia local.

De abril a outubro é possível pernoitar num espaço com preços apelativos. Não precisa de ser nas férias; pode optar por ir apenas um fim-de-semana. E até as crianças vão gostar: os mergulhos na piscina de água salgada e a possibilidade de alimentar os animais da quinta, como as aves e os porquinhos-da-índia vão fazer as delícias dos mais novos.

A oferta é diversificada e não lhe vão faltar atividades para realizar. Se quiser ficar, o contacto com a natureza é permanente e vontade para dar um mergulho na piscina de água salgada não lhe vai faltar. Se quiser sair, a visita à Praia do Osso da Baleia, às salinas do Carriço, aos arrozais do Louriçal ou à Serra da Sicó são sempre opções a ter em conta.

Atualmente, Irene e Hans iniciaram um projeto cujo “objetivo é juntar artistas nacionais e estrangeiros para partilhar ideias e trabalhar em conjunto”, explica a mentora. Conta que já receberam designers do Texas, nos Estados Unidos da América (EUA) que procuraram inspiração em terras lusas e levaram as ideias de volta.

O presidente da Junta de Freguesia do Louriçal, Manuel Marques acredita que o espaço tem sido fundamental para dinamizar o turismo de natureza na região. “O Hans e a Irene têm perspectivas de dinamizar as infraestruturas do parque de campismo e conseguem criar condições para que os holandeses que passam pelo Louriçal passem umas férias low-cost e possam pernoitar num espaço inovador”, frisou o autarca.


Sozinho ou acompanhado parta de malas feitas e deixe-se encantar pelas surpresas que o campo tem para lhe oferecer.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

"Sejam realmente bons profissionalmente mas nunca descurem os valores humanos"

Tem 24 anos mas já é notícia por ter sido aprovada com a melhor nota ao nível nacional no exame de estágio da Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução. Com 17 valores, a jovem solicitadora admite que, quando pensou em ingressar na universidade, Solicitadoria não foi a primeira opção. Marlene Santos fala sobre as metas já atingidas e os planos que tem para o futuro.

Ana Isabel Mendes (AIM) - Terminado o ensino secundário, concorreu ao superior. Qual foi a sua primeira opção? O que se imaginava a fazer na altura?

Marlene Santos (MS) - Sempre tive uma grande propensão para as nobres causas e, à medida que fui pensando naquilo que realmente gostava de exercer a nível profissional, decidi que teria de ser algo direccionado para essa vertente. Tinha feito voluntariado no Centro de Acolhimento Temporário de Crianças e também no Lar de Idosos Rainha Santa Isabel, da Santa Casa da Misericórdia de Pombal, e ambas as experiências me deram mais certezas de que seriam as áreas de Educação Social ou Serviço Social que pretendia seguir no ensino superior. Nessa sequência, a minha primeira opção foi Educação Social, a segunda Serviço Social e, só depois, Solicitadoria, tendo ficado logo excluídas as duas primeiras, dado que não tive vaga em 2ª fase.

AIM - A área social estava entre as suas opções. Já pensou, de alguma forma, conciliar os dois gostos que tem: a Solicitadoria e a Educação Social?

MS – Posso dizer que não estruturei essa conciliação. Acho, no fundo, que a minha vontade de ajudar o próximo pode ser feita através da minha profissão, como solicitadora, auxiliando os que pouco ou nada compreendem de leis, a ter acesso a elas e a exercerem os seus direitos. No entanto, sempre quis ir para os países subdesenvolvidos fazer voluntariado, nomeadamente dar aulas, e não deixo, de todo, essa hipótese de parte. Contudo, recordo sempre o que uma professora de ciências do nono ano me dizia: “não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o mundo de alguém” e, por isso, é bom tentarmos fazer essa diferença naqueles que vivem mais próximos de nós ou que nos procuram.

AIM - Quando soube o resultado da candidatura, como lidou com a entrada na licenciatura em Solicitadoria? Foi uma surpresa? Como se sentiu na altura?

MS – Confesso que mal. Chorei muito, bati o pé porque não queria ir para um curso que nem sequer sabia do que tratava. Foi uma noite emocionalmente difícil aquela em que soube os resultados das colocações. Não foi uma surpresa propriamente dita já que sabia que o número de vagas restantes para a 2ª fase das colocações, nas minhas duas primeiras opções, eram muito reduzidas e a minha média de secundário não era nada de especial (14 valores, na área de Ciências e Tecnologias). Fiquei desiludida por não ter conseguido a primeira opção, ou a segunda pelo menos, e culpei-me porque poderia ter feito melhor no ensino secundário.

AIM - Já tinha tido algum contacto prévio com o mundo da Solicitadoria antes de ingressar no curso?

MS - Nenhum. Desconhecia completamente que portas é que esse curso poderia abrir e como estava o mercado de trabalho nessa área. Acabei por confiar no que a minha irmã mais velha me dizia quanto àquela profissão: que traria certamente mais oportunidades do que uma licenciatura na área social, e na verdade ela tinha razão, pois estou orgulhosa da minha opção.

AIM - Obteve a melhor média no exame final do estágio, ao nível nacional, de 17 valores. Como foi recebida a notícia por si e pela sua família?

MS – Todos sabiam que seria aquele o dia em que seriam publicados os resultados e a curiosidade e os nervos eram constantes. Mas eu sabia que passava, apesar de no primeiro dia de exames, um deles não me ter corrido muito bem (eu achava que não me tinha corrido bem e foi no que obtive melhor nota 18,25 valores). A minha primeira preocupação foi ver a nota da minha companheira de estudos e amiga – Leandra Lopes – pois estava preocupada, e fiquei radiante com o facto de ver a palavra “Aprovado” na lista. Depois é que fui verificar o meu resultado e efectivamente fiquei muito contente, mas só me apercebi que era a melhor nota a nível nacional mais tarde. Analisei as grelhas, vi as notas dos meus colegas da ESTG, fiquei triste por alguns que reprovaram, e então foi aí que verifiquei que realmente tinha sido a melhor. Lá em casa ficaram todos muito contentes e orgulhosos, embora cada um expresse à sua maneira. Acho que a expressão que mais ouvi foi “Não é nada que me surpreenda!”. Eles sabem que sou muito exigente comigo, e acaba por não ser uma surpresa. Não sei se isso é bom ou mau.

AIM - Agora quer terminar o mestrado ao mesmo tempo que trabalha num gabinete de Solicitadoria. Onde trabalha actualmente? Quais são os seus planos futuros?

MS – Não trabalho num gabinete de Solicitadoria. Actualmente trabalho no escritório do Dr. Jorge Canelas, advogado em Pombal, há mais de 20 anos, e que teve um papel muito importante na minha obtenção destes resultados, pois desenvolvi algumas capacidades no contacto com a vida prática, e também alguma astúcia e perspicácia na consulta dos vários códigos. O mestrado trazer-me-á o grau que necessito para atingir um dos meus objectivos futuros: leccionar, numa(s) área(s) do Direito. Pretendo também, a longo prazo, estabelecer-me num escritório com alguns amigos de confiança, que serão certamente excelentes parceiros de trabalho, de modo a criar um gabinete de excelência e seriedade.

AIM - Que conselhos quer deixar a aspirantes a solicitadores?

MS – Batalhem pela melhor média na licenciatura em primeiro lugar. Não se resignem a notas baixas, não pensem em ser iguais a tantos outros, ser a “ovelha negra” nem sempre é mau, aliás, neste contexto fui uma ovelha negra com bastante sucesso. Mas nunca deixem de parte os vossos valores e ideais: não compitam com os colegas, mas convosco; mantenham o espírito de entreajuda e de partilha. Sejam realmente bons profissionalmente mas nunca descurem os valores humanos.

AIM - Quais são os principais ingredientes para se atingir o sucesso?

MS – Para mim sucesso não tem que ver somente com inteligência. É muito mais que isso! O principal ingrediente para o sucesso será, na minha opinião, a exigência! Sermos, em primeiro lugar, exigentes connosco. Claro que à exigência estão associadas outras características como a persistência, a dedicação, o esforço, a paixão e a fé.