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sábado, 24 de setembro de 2016

Filarmónicas deram música às artes em Pombal

Sob o lema “Pombal é cultura”, a cidade recebeu o 28º Encontro de Bandas, entre os dias 16 e 18 de setembro. As cinco filarmónicas do concelho, as bandas de garagem pombalenses, o Grupo de Concertinas Sons do Sicó e o Projeto Jazz deram música às pessoas que passaram pelos diferentes locais da cidade. 

A cargo da Sociedade Filarmónica Vermoilense (SFV), o encontro de bandas deste ano teve um formato diferente do habitual. “Este ano lançámos o desafio ao município de mudar tudo, tornando o encontro de bandas mais amplo e abrindo o leque de músicas a toda a população”, explicou o presidente Filipe Leitão. Cada uma das bandas foi convidada a interpretar temas de filmes para que “o público se identificasse com as músicas que ouvia”.


O facto de este ano o Encontro de Bandas se ter realizado em diferentes espaços da cidade, como o jardim do cardal, o largo da Igreja Matriz e o castelo acabou por aproximar a música ao público. “Estivemos dentro da cidade, num espaço sempre aberto. Havia muitas pessoas que não sabiam, mas que acabavam por sentar-se a ouvir-nos”, explicou o presidente da SFV.

“Isto foi um ponto de partida e certamente há coisas a melhorar. Há outras ideias a rever, mas isto está em mutação e pode ser adaptado à realidade em que estamos a fazer o concerto”, acrescentou quanto ao balanço positivo que faz do evento.

A vereadora com o pelouro da cultura, Ana Gonçalves, partilha a mesma opinião: “aquilo que nós sentíamos é que, com o formato habitual do encontro de bandas, chegávamos a ter a bandas a atuar para as bandas. Pretendíamos que música chegasse mais junto das pessoas”, afirmou.

Mais do que música, o Encontro de Bandas foi uma verdadeira mostra de artes que contou com a participação do Teatro Amador de São Tiago, de “bandas de garagem” – os Funkoff, os Espanta Galhardos e os Hora H e do Projeto Jazz que nasceu no seio da SFV . “Foi uma janela que se abriu para mostrar às pessoas que as bandas evoluíram ao longo dos anos. Das clássicas às atuais, abrangemos um variado leque de músicas”, declarou Filipe Leitão.

O balanço do evento deste ano foi “muito positivo, cada evento contou com mais de 200 pessoas, sendo que o concerto da SFV no castelo foi o auge. Eu diria que superou as expectativas. O tempo também ajudou”, frisou a vereadora da cultura. A organização do próximo ano vai estar a cargo da Sociedade Filarmónica Louriçalense. “O município apoiará o formato escolhido, mas achamos que este é bom”, concluiu Ana Gonçalves.

domingo, 10 de abril de 2016

"O mais recompensador é ver o público motivado a ouvir a banda tocar"

Fundou os Desbundixie, faz parte da Big Band da Nazaré, é organista em igrejas e é maestro da Sociedade Filarmónica Nossa Senhora da Piedade, em Monte Redondo. Aos 37 anos de idade, o maestro André Venâncio, que já conta com um extenso currículo musical, depara-se com desafios exigentes mas acredita que as bandas filarmónicas estão a ser cada vez mais valorizadas pelo público. 


Ana Mendes (AM) - Como e quando surgiu o seu percurso na música?
André Venâncio (AV) - O meu percurso começou com um convite de um amigo meu que me propôs aprender música. O meu pai estava farto de me chatear, mas eu nunca quis. Esse meu colega convidou-me, fui ver como era e comecei a aprender a tocar órgão.

AM - Começou, portanto, com o órgão...
AV -  Tinha aulas de órgão electrónico e, um ano e meio depois, surgiu a trompete. Foi então que deixei o órgão. Nessa altura tinha 16 anos.

AM - Onde e porque razão se iniciou na trompete?
AV - Iniciei na filarmónica em Monte Redondo. Comecei com a trompete por engano, porque o que eu queria mesmo era saxofone. O maestro na altura, Gualdino Branco (actual maestro da Filarmónica da Guia), disse-me que 'para a semana me dava o saxofone'. Hoje ainda estou à espera dessa semana.

AM - Outros desafios musicais levaram-no para a direcção de uma banda. Em que altura da sua vida apareceu a batuta?
AV - Antes de ser convidado a vir para a banda, já tinha feito vários cursos de direcção, entre os quais com o maestro Alberto Roque. Foi a convite do antigo presidente da banda, Manuel Oliveira e de Paulo Gomes, actual executante de tuba, que me tornei maestro. Foi pela amizade e por saber das minhas capacidades e da mais-valia que poderia trazer à filarmónica, que me convidaram já há sete anos.

AM - Com quantos músicos conta a filarmónica na actualidade? Quando são ensaios?
AV - 34. Às sextas-feiras das 21h30 às 23h30.

AM - A média de idades dos elementos da filarmónica ronda os 20 anos. Como se lida com pessoas tão jovens e como se dirige um grupo tão heterogéneo de músicos (dos 10 aos 55 anos)?
AV - Eu tento fazer com que o objectivo principal seja sempre a música e cativar os músicos para um reportório mais variado e mais conhecido. Às vezes, deixo até que sejam os músicos a escolherem aquilo que querem tocar.

AM - Quais são os motivos da desmotivação?
AV - Tem um pouco que ver com o aspecto geográfico, devido à centralidade e à variedade de oferta. Os músicos preferem ir a outros lados em vez de irem aos ensaios.

AM - Além de ser, actualmente, a sede da filarmónica, o antigo palacete Dr. Luís Pereira da Costa, abriga, durante a semana e aos fins-de-semana, aulas de música e de dança. A que horas?
AV - Aos sábados a escola e música abre às nove da manhã e fecha às 18 horas. Existem aulas todos os dias da semana, repartidas por vários instrumentos. O edifício tem as valências de filarmónica, escola de música, escola de dança Staccatto, Yoga, Step Ginástica Localizada, Aeróbica, entre outras.

AM - No concelho de Leiria existem 11 filarmónicas. Que futuro para as bandas?
AV - Anteriormente havia o mito da "banda do garrafão". Hoje já não há porque, ao surgirem escolas de música, os executantes começaram a ter outra qualidade e começaram a ser alertados para outra realidade. Puderam ver como, sendo músicos da filarmónica, podem estudar e seguir a via profissional como músico; é só estudar. Antes as pessoas iam à filarmónica só porque gostavam de música, para se divertirem e pelo convívio. Hoje isso ainda acontece, mas o meu papel é fazer a melhor música com as capacidades de cada um.

AM - Como se lida com diferentes níveis musicais?
AV - Motivando para estudar durante a semana, que nem sempre é fácil por causa das actividades profissionais e da escola. Nos ensaios tento trabalhar com os músicos as partes mais complicadas das peças. tento ter em atenção a escolha do reportório pois sei quais são os naipes que estão mais fragilizados.

AM - São conhecidas as rivalidades históricas existentes entre filarmónicas. Tem sentido isso? De que forma?
AV - Não, de forma alguma. Não sinto isso nem faz sentido. Todos nós trabalhamos para o mesmo e ajudamo-nos uns aos outros, tanto maestros como músicos. Se for necessário, posso ir buscar um músico à filarmónica do lado. No entanto, antigamente, era impensável fazer isso. Não havia trocas de músicos.

AM - Além de maestro desta banda, foi fundador do Desbundixie, faz parte da Big Band da Nazaré e é organista na Barosa. Como se encaram papeis musicais tão díspares e complementares entre si?
AV - Para o papel de maestro, todo o estilo de música que se possa executar vai beneficiar a sua formação. Gosto imenso de Jazz e tenho a possibilidade de o puder fazer e ser organista numa igreja possibilita-me aperfeiçoar aspectos ao nível harmónico e não só...

AM - Qual é a sua maior dificuldade como maestro?
AV - É ter os músicos todos no ensaio.

AM - E qual é a maior conquista?
AV - O que é recompensador como maestro é ver o público motivado a ver a banda tocar. Como músico, são os aplausos.

AM - Será que a população rural tem o ouvido educado para apreciar as Bandas Filarmónicas?
AV - Voltamos ao aspecto geográfico... No Norte, qualquer aldeia dá imenso valor às bandas filarmónicas. Quanto mais a Sul, menos filarmónicas existem e menos interesse existe nelas. Leiria é um caso raro; não existem tantas filarmónicas num concelho como no de Leiria.

AM - Até onde quer levar a sua música?
AV - O objectivo principal é levar a minha música a quem a quiser ouvir.

AM - Que conselhos deixa a candidatos a músicos e a maestro?
AV - Aos músicos, muito espírito de sacrifício e muitas horas de trabalho, que vão dar os seus frutos mais tarde. Aos maestros, uma das principais virtudes é a paciência e saber lidar com diversos graus de cultura e faixas etárias; é saber estar com todos ao mesmo tempo.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Comemorações de aniversário culminaram em concerto de Natal

O Convento do Louriçal iluminou-se para receber o concerto de Natal da Sociedade Filarmónica Louriçalense (SFL) no domingo, 27 de Dezembro. A ocasião serviu, também, para encerrar as comemorações do 190º aniversário da instituição que decorreram ao longo de 2015. O concerto contou com a participação da cantora Sara Carneiro. O maestro Leonel Ruivo falou de um balanço muito positivo dos 190 anos de existência da banda.

“O nosso objectivo é fazer um crescimento progressivo, no sentido de melhorarmos as nossas prestações musicais” referiu o maestro e director artístico da banda, Leonel Ruivo. Falou num desenvolvimento “de um trabalho que tem sido necessário fazer dentro das capacidades da banda, dos instrumentos e dos alunos”.

A escola de música é o aval para cativar os mais novos para esta arte. “Enquanto associação estamos a promover as Actividades de Enriquecimento Curricular na escola primária do Louriçal. Com a música mostramos alguns instrumentos aos mais novos”, explicou Leonel Ruivo acerca da forma que utiliza para incutir o gosto pela filarmónica. A escola de música funciona aos sábados de manhã, com classe de conjunto e, às segundas, quartas e sextas, com aulas individuais, após a horário escolar. São já 31 os alunos inscritos.
 
Dos “oito aos 80” anos de idade são cerca de 40 os elementos que integram a banda. “É uma banda intergeracional: actualmente temos gente nova a entrar, alunos que frequentam entre o 5º e o 12º anos de escolaridade”, acrescentou o maestro. “O nosso ensino é paralelo ao que se faz no oficial”, disse ainda.

Leonel Ruivo acredita que a música é fulcral para aproximar as pessoas da filarmónica e tornar mais coesa a cultura local. “Através de concertos, de actuações, de serões culturais e de desfiles de Pais-Natais, pretendemos chegar às pessoas”, acrescentou o director artístico, sublinhando o facto de terem apostado num concerto de aniversário temático, neste caso, Sacro, com a presença da cantora Sara Carneiro. “Tentamos diversificar todo o tipo de reportório, com arraiais, com música americana e com outros géneros musicais mais diversificados”, afirmou.
 

De acordo com fontes históricas, foi no dia 25 de Dezembro de 1825, na localidade de Foitos, que a filarmónica deu o seu primeiro concerto. Por essa razão a colectividade não deixou passar a data em branco e actuou, da parte da manhã do dia 27, nessa festa. “Quando somos solicitados para participar em qualquer evento cultural, estamos sempre disponíveis a participar e a colaborar com quem necessita dos nossos serviços”, concluiu o maestro. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

122º aniversário recebeu banda brasileira em Vermoil

A celebração do 122º aniversário da Sociedade Filarmónica Vermoilense (SFV) contou com uma convidada especial, a Banda Municipal De Laranjal Paulista. Os 400 lugares da sede da filarmónica foram insuficientes para sentar o público. No fim e de acordo com as palavras do presidente Filipe Leitão, o balanço do concerto e do intercâmbio foram “muito positivos”.



“O intercâmbio foi uma experiência que marcou a SFV, as famílias de acolhimento e os músicos. Acredito que esta história ainda está a meio. Não poderá ser de outra forma”, afirmou o presidente Filipe Leitão frisando a importância da partilha de culturas. Foram 23 as famílias vermoilenses que acolheram os músicos brasileiros, durante uma semana, em suas casas. “Desde domingo, 15, temos vivido momentos únicos”, destacou Filipe Leitão acerca da experiência de intercâmbio.

Foi há três anos que o maestro da SFV, na altura Paulo Clemente e o da Banda Municipal De Laranjal Paulista, Fluvio Scarme se iniciaram na aventura dos intercâmbios que, mais tarde, se estendeu às respectivas bandas e que, neste momento, está a dar os seus frutos. 

“Esta é uma forma de demonstrar que a música não tem nacionalidade”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Pombal, Diogo Mateus, aquando do momento das intervenções. Por sua vez, esta foi a primeira vez que uma banda do Brasil esteve em Portugal e no concelho de Leiria. O presidente da Junta de Freguesia, Ilídio da Mota, não ficou indiferente ao trabalho da banda, afirmando que esta “é a embaixadora da cultura da Freguesia de Vermoil”.

Além do concerto e do almoço de aniversário de domingo passado, 22, a celebração do aniversário da banda iniciou com a abertura da exposição fotográfica “Momentos...” e a actuação do projecto de Jazz, no domingo, 15 e na quarta-feira, 19, respectivamente, ambos na sede da Banda. Na sexta à noite, 20, o Teatro-Cine de Pombal foi presenteado com um concerto conjunto das duas bandas. Na segunda-feira, 23, realizou-se o magusto de despedida da Banda Laranjal Paulista na sede da SFV.

A SFV é constituída por 42 músicos, 85% destes com menos de 15 anos. No que se refere aos projectos da instituição, a “introdução do zumba, as aulas de ginástica e de artes marciais, o projecto de Jazz, a música para crianças dos três aos cinco anos, o centro de explicações” são as valências deste ano, “sempre com a preocupação de encontrar soluções para a nossa comunidade”, destacou Filipe Leitão. Para já, está em estudo a possibilidade de ir além-fronteiras:“temos a intenção de trilhar um caminho no intuito de sermos recebidos pela Banda Laranjal Paulista, quem sabe no seu 14º ou 15º aniversário”, concluiu o presidente.

domingo, 15 de novembro de 2015

Banda Filarmónica Ilhense soprou as velas pela 91ª vez

Eram 21h29 de sábado, 7 de Novembro, quando o som das trompetes rompeu o silêncio do Salão Paroquial da Ilha. Aos poucos, as madeiras e outros metais aliaram-se à musica, o que resultou num concerto com mais de uma centena de espectadores. 

A voz de Serenela Duarte e o ressoar do acordeão de Carina Sousa juntaram-se à banda para presentearem o público com um espectáculo que respondeu aos níveis de qualidade e de exigência que são já esperados pelos amantes desta arte. “Este é um projecto de continuidade. Estamos sempre a tentar evoluir para sermos melhores, apesar de sabermos que nem sempre é possível devido à grande onda de emigração”, começou por explicar o presidente da Banda Filarmónica Ilhense, Nilton Leopoldo. 


Com cerca de 50 músicos e uma faixa etária compreendida entre os 10 e os 57 anos, uma das prioridades na banda é cativar pessoas mais jovens para a aprendizagem da música. “É difícil cativar miúdos a ingressar na filarmónica, num momento em que a diversidade de oferta é muito vasta”, continuou o presidente. “Através dos concertos tentamos fazer com que os mais velhos tragam os mais novos”, disse. Por outro lado, “temos em estudo a ideia de fazer um ensaio aberto, para que as crianças possam experimentar os diferentes instrumentos”, desvendou.

Mas não é só os mais novos a quem pretendem levar a música: “este ano, às quartas à noite, temos uma turma com oito adultos”. Por sua vez, Nilton Leopoldo, explicou que “o objectivo é proporcionar um contacto diferente com a música às pessoas que não tiveram a oportunidade de aprender quando eram crianças”. Apesar de as inscrições já terem fechado, ainda há oportunidade para quem quiser ir assistir a uma aula.

“As filarmónicas têm evoluído muito ao nível nacional. Somos uma banda que consegue fazer este tipo de concertos, coisa que não se pensava fazer há uns anos”, frisou o director da instituição. As surpresas da noite foram o eclodir de um trabalho constante e do cumprimento da “pontualidade britânica” incutida pelo maestro aos músicos. 

No que se refere aos projectos para a Banda Filarmónica, pretende-se criar mais ensembles para além do de trompetes, os “Sinuata”, bem como divulgar a banda cá dentro e lá fora. “As pessoas que aparecem com o folheto do concerto de aniversário, no estrangeiro, são amigos ou ex-músicos”, contou o director, sobre o projecto da divulgação da banda no Facebook. “Nós somos todo o mundo e todo o mundo é nosso também.” A promessa ficou no ar: “espero que consigamos fazer uma emissão em directo do concerto no próximo ano para os que estão lá fora”, prometeu Nilton. Quanto aos sócios, pretende-se cativá-los através de “protocolos com empresas para que as pessoas tenham descontos na saúde". 

O balanço do concerto foi, nas palavras de Nilton Leopoldo, muito positivo. “A Banda Filarmónica da Ilha tem mostrado ao longo dos tempos que tem qualidade e sabe o que faz. As pessoas gostam de boa música”, finalizou o presidente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Filarmónica celebrou 148 primaveras

Os instrumentos aliaram-se à dança e ao canto para abrilhantarem o serão de centenas de pessoas que passaram pelo Teatro-Cine de Pombal, na noite do sábado, 17 de Outubro, para se associarem às comemorações das 148 primaveras da Filarmónica Artística Pombalense. Os sorrisos de satisfação do público e dos músicos revelaram que, no fim, o balanço foi bastante positivo. 



Participação da FAP dança envolveu alunos de Patrícia Valente
Do pop ao rock, passando pelo popular e pelo tradicional. De géneros musicais para todos os gostos se realizou o concerto do 148º aniversário da Filarmónica Artística Pombalense (FAP). Com quase século e meio de existência, a instituição continua a cativar jovens motivados e predispostos a manterem a tradição de uma das instituições mais antigas da cidade. 

A primeira parte do concerto foi dedicada ao trabalho que Patrícia Valente, professora na FAPdança, realizou com os seus alunos. Os alunos da FAP dança, juntamente com a professora Patrícia Valente, fizeram as delícias da primeira parte do concerto. "O ensino da dança, com a recém criada FAP dança, conta com as valência de ballet, dance fusion, sapateado, jazz e hip-hop", mencionou um dos elementos da direcção, Piedade Machado, aquando da apresentação das valências da instituição.

A voz de Cristina Loureiro encantou todos os presentes
"A filarmónica tem participado, actualmente, em concertos, encontros de bandas e festas populares, contribuindo para que se preservem as tradições da instituição junto das massas populares", revelou Piedade Machado, aquando da uma das intervenções daquele serão. Mas não é só de instumentos e de dança que vive a filarmónica: a estas valências junta-se o canto, disciplina leccionada por Cristina Loureiro, directora pedagógica do Conservatório David de Sousa, que (en)cantou na segunda parte do concerto, a par da filarmónica e do maestro e solista  em saxofone soprano César Ramos.  

Actualmente, o ensino de música mantém "a sua Escola de Música, que se dedica ao ensino e ao aprefeiçoamento música, mantém uma parceria com os regimes articulados, livres e supletivos com o Agrupamento de Escolas de Pombal e Gualdim Pais, e o projecto de música no jardim de infância, que leva a música aos mais pequeninos", informou Piedade Machado. 

O sax-soprano de César Ramos fez as delícias do público
Entre as distinções recebidas pela instituição estão a da "Região de Turismo de Leiria - Rota do Sol, com medalha de prata, destinada às colectividades com mais de 100 anos de existência" e a da "Câmara Municipal de Pombal com a medalha de prata da cidade pelos serviços prestados ao ensino, aperfeiçoamento e divulgação da música", afirmou Piedade Machado aquando das intervenções durante o Concerto de Aniversário.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A música enquanto pilar do ensino formal



Há estudos que comprovam que a aprendizagem da música facilita a assimilação de conteúdos escolares formais. As instituições que promovem a aprendizagem desta arte estão a apostar num ensino cada vez mais precoce. Prova disso é a Sociedade Filarmónica Vermoilense que levou 25 jovens músicos ao IX Curso Intensivo organizado pela Filarmónica da Guia. O director Filipe Leitão fala de um trabalho rigoroso e na importância que os pais e os professores assumem na motivação dos mais jovens.
“O papel dos pais e dos professores é nuclear”, afirma Filipe Leitão quando é questionado sobre a importância destes elementos na educação informal de um jovem. Embora, por vezes, não seja fácil manter o nível de motivacional dos mais novos, os pais podem ser determinantes no próprio sucesso musical dos filhos, “estando atentos, procurando as palavras e oferecendo o apoio adequado”, frisa o director da instituição. Por sua vez, “o professor tem um papel basilar. Todo o músico de topo a nível nacional e internacional, lembra-se do professor que o fez apaixonar-se por esta arte”, continua. 
Mas, afinal, qual é a altura ideal para se iniciar no mundo da música? “Começamos logo aos três anos na Filarmónica através da familiarização com sons, cores e jogos musicais, que são ferramentas e meios basilares para fomentarmos um gosto pela música. A formação propriamente dita iniciamos aos seis anos”, afirma Filipe Leitão. E há uma razão para que isso aconteça: “durante a infância desenvolvem-se áreas no nosso cérebro que nos proporcionam uma maior elasticidade mental e um maior desenvolvimento cognitivo”. Por sua vez, “a música é uma das ferramentas que melhor potenciam esse aumento de elasticidade mental”.
Além a banda propriamente dita, há projectos que estão a florescer na instituição. A Orquestra Juvenil é exemplo disso: “apoia a integração dos jovens músicos na Banda, proporcionando uma perspectiva de trabalho colectivo, quando até então o trabalho desenvolvido é essencialmente individual”. Além disso há projectos em estudo como a realização de ensembles, quartetos e trios “para estimular o gosto pelo trabalho colectivo”.
No que se refere aos desafios na escola de música, o que pretendem é “fazer face à dificuldade enorme que representa financeiramente manter a qualidade da escola de música”, querem “aumentar a área de recrutamento da escola de música”, isto porque o aumento da emigração e a diminuição da natalidade “tem tido efeitos arrasadores na nossa comunidade”. No fundo, o que se pretende é que sejam criativos na “forma de atrair crianças para a aprendizagem da música”.
Para a banda, desenvolver outro tipo de projectos que não sejam os convencionais, que ameaçam terminar num curto-médio prazo, sejam as “festas religiosas de aldeia, os encontros de bandas e os concertos”, é outra das prioridades que a direcção quer levar a cabo.
Com 122 anos de existência, com 45 elementos, mais de metade com menos de 15 anos de idade, “a Filarmónica tem um trabalho reconhecido pela grande maioria da população”. Apesar de quase todas as pessoas pertencentes à freguesia de Vermoil terem uma ligação directa ou indirecta à instituição, “a banda é constituída por muitos jovens, o que aproxima invariavelmente os pais, que assim se preocupam e acarinham a Banda, em reconhecimento da sua importância na formação dos seus filhos enquanto seres humanos que prezam valores”, afiança o director da instituição.
E quanto às novidades musicais para os próximos tempos? “Teremos o encontro de Bandas que se realizará no dia 25 de Setembro, O Bodo das Castanhas em Vermoil e, no dia 22 de Novembro, o nosso 122º aniversário”. Mas as novidades não se ficam por aqui, até porque “na semana do dia 15 a 24 de Novembro vamos receber uma banda oriunda do Brasil”, justificou Filipe Leitão, que fala de um “projecto marcante e motivador”.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

“Conquistar novos públicos e formar mais músicos são as prioridades da banda”


Há 17 anos a batuta da Banda Filarmónica Ilhense pertence ao maestro Paulo Branco. No ano em que a instituição celebra 91 anos de existência, o maestro fala de um trabalho contínuo que proporciona o incremento do esforço que vem sendo desenvolvido por músicos e maestro e que tem dado frutos. A planificação dos ensaios, a motivação e o espírito de equipa, são, de acordo com o dirigente, os ingredientes fundamentais para manter o grupo coeso. A imensidade artística da Banda torna possível o grande contributo na promoção e na difusão da cultura e do povo da localidade. O próximo concerto realiza-se já no próximo dia 26 de Setembro no Encontro de Bandas, em Pombal, cuja organização deste ano está a cargo da Filarmónica Artística Pombalense.
 
RODILHA - De há alguns anos a esta parte, a Banda Filarmónica Ilhense tem vivido um período de forte desenvolvimento artístico. Como se mantém jovem uma banda com 90 anos de existência? 
Paulo Branco (PB) - Está a escola de música para a filarmónica, como estão os alicerces para uma casa. Tem-se feito um esforço enorme na angariação de novos alunos para escola, no sentido de colmatar e fazer crescer a estrutura instrumental da banda que, normalmente, um grupo musical deste género exige. Talvez fruto do relacionamento entre músicos, passe a imagem de que é bom estar na filarmónica e apesar das grandes responsabilidades e sacrifícios que são exigidos, jovens puxam jovens. 

RODILHA- Desde 1998 é ao maestro Paulo Branco que pertence a batuta desta instituição. Que balanço faz de 17 anos de direcção? 
PB - Para além das várias situações que a Banda Filarmónica Ilhense tem passado estes anos e de alguns momentos extraordinários que tenho vivido, o balanço é, sem dúvida, muito positivo. Enquanto responsável musical desta casa, a minha principal preocupação é a de ajudar a complementar a formação dos jovens que integram a banda para que, no futuro, sejam melhores homens e mulheres. Para mim é um orgulho enorme constatar que músicos que entraram há 15 e 16 anos, têm hoje, na sua personalidade e carácter marcas positivas e evidentes pelo facto de terem aprendido musica e por lhe terem sido impostas algumas regras e responsabilidades inerentes à banda. Mas, se estes jovens têm adquirido conhecimentos comigo, eu tenho aprendido com as várias formas de pensar e de estar de cada um deles. 

RODILHA- Devido a motivos profissionais ausentou-se do país há cerca de dois anos e meio. Como encarou o regresso às origens? 
PB - Estar do lado de fora da equipa à qual pertencemos e trabalhámos faz-nos entender vários aspectos que nunca tínhamos percebido até então. Apesar de ter vivido uma pequena experiência musical no estrangeiro, as pessoas que me conhecem sabem que, para mim, a música e a batuta são muito importantes e o ser humano só dá valor ao que tem quando deixa de ter. Apesar da minha saída da banda ter sido definida sem regresso, quando voltei foi como se tivesse tido umas férias prolongadas o que resultou numa maior força de vontade. 

RODILHA- Como tem sido a receptividade do público ao trabalho desenvolvido pela filarmónica? Tem adaptado o reportório a um público mais jovem ou tem mantido o mesmo padrão musical com o passar dos anos? 
PB - Como é normal, a filarmónica tem tido algum feedback nos diversos serviços e concertos que tem realizado e dou um exemplo de uma pessoa que assistiu a um dos últimos concertos e passo a citar “… eu ri, eu chorei, … eu emocionei me!” Quando ouvimos estes comentários do público de que o nosso objectivo naquele concerto foi conseguido, porque afinal a música é isso mesmo. Mas, existe ainda muito a fazer e tem sido uma preocupação minha ter um reportório musical variado. As bandas filarmónicas são dos poucos agrupamentos musicais com capacidade de interpretar qualquer género musical. Não podemos escolher obras só por prazer musical do maestro e dos músicos; o nosso objectivo é o público e é para ele que trabalhamos. 

RODILHA- Uma das últimas actuação da Banda Filarmónica Ilhense em Pombal foi no âmbito do programa de animação cultural "Há música no Castelo", no passado dia 18 de Julho, no Castelo de Pombal. Além dos instrumentos convencionais de uma filarmónica contou a voz de Serenela Duarte que se fez ouvir em algumas músicas do reportório. Esta é uma convidada frequente? 
PB - A Serenela Duarte surgiu de um convite feito à filarmónica no âmbito das comemorações dos 800 anos de elevação do Souto da Carpalhosa a freguesia. Desde daí, a Serenela conquistou-me a mim e ao grupo pela sua voz e humildade. Posso afirmar que a Serenela Duarte neste momento é uma voz residente da banda e tenho algumas ideias e novo reportório a ser preparado para ela. Com formação coral, a Serenela é a “cereja no topo do bolo” nos nossos concertos.  

RODILHA - Com quantos elementos conta a filarmónica e a que faixas-etárias pertencem? 
PB - Neste momento a banda conta com 50 músicos de várias faixas etárias. Quatro músicos entre os 51 e 57 anos, vinte e quatro músicos entre os 21 e 30 anos e vinte e dois músicos entre os 10 e 20 anos. 

RODILHA - Além da Banda Filarmónica, a instituição conta com uma Escola de Música, com uma Banda Juvenil (fundada em 2002) e com um Quinteto de Trompetes (fundada em 2012), os "Sinuata". Que outros projectos tem? 
PB - Para além de continuar com estes projectos paralelos à filarmónica e fundamentais para a prática musical, o principal objectivo é o de criar pequenos grupos de instrumentos dos vários naipes da banda, designados por ensambles. Para além de ficarmos com uma maior oferta em termos de serviços, estes ensambles são importantíssimos para o desenvolvimento artístico de cada músico. Para 2016 existem dois projectos de cariz musical propostos por mim, que estão em fase de discussão e de análise por parte da direcção. Sem poder revelar muito acerca destas ideias, uma delas tem que ver com a motivação e a formação e a outra com a realização de um concerto verdadeiramente diferente. 

RODILHA - Quais são, neste momento, as prioridades da Banda Filarmónica Ilhense? Que adversidades quer ultrapassar? 
PB – No que me diz respeito como maestro, é continuar a fazer evoluir o nível musical da banda, conquistar novos públicos, formar novos músicos e ajudá-los na sua formação pessoal através da música. A grande adversidade para mim neste momento é a saída de alguns músicos por razões profissionais, porque infelizmente não conseguem arranjar emprego no nosso país e são obrigados a emigrar. A Banda Filarmónica Ilhense tem perdido nos últimos anos excelentes músicos devido à conjuntura que o país atravessa. Para mim e para os professores da escola de música é um trabalho inglório, uma vez que, um jovem entra nas aulas de formação musical e até estar a 100% apto a tocar na banda, leva muitos anos.Por muito que se planeie, nunca se consegue ter um músico pronto a substituir outro que sai e por muitos alunos que a escola de música possa ter, não consegue dar resposta à necessidade da instrumentação em falta da banda. Hoje um maestro pode ter uma banda no seu melhor nível e amanha não ter nem condições para realizar um concerto. 

RODILHA - Que concertos ou eventos tem agendados para os meses que se avizinham? 
PB - Para além do que a banda tem nesta época em termos de serviços religiosos, temos um concerto no dia 22 de Agosto na Praça do Rossio na Vila da Guia inserido nas “Noites de Verão”. As Tasquinhas tradicionais da Ilha nos dias 27, 28, 29 e 30 de Agosto onde a filarmónica vai estar representada. Vamos ter um concerto a 26 de Setembro no Encontro de Bandas do Concelho de Pombal, cuja organização está a cargo da Filarmónica Artística Pombalense. Neste campo salientar também um dos momentos altos desta associação que é o concerto de aniversário, este ano o 91º. Há vários anos que a Banda Filarmónica Ilhense se apruma para este concerto e joga os seus maiores trunfos. Este ano não vai ser excepção e posso adiantar que o programa musical já está decidido para este concerto que ainda falta agendar, será no final de Outubro ou início de Novembro. Este vai ser um concerto a não perder! 

RODILHA - Qual é, afinal, o segredo do sucesso? 
PB - Inúmeros factores respondem a esta questão. O meio onde a filarmónica se insere, a Ilha, é um local onde as pessoas são muito bairristas e se unem em causas comuns. As direcções que têm passado pela filarmónica têm sabido perceber os objectivos desta associação e têm sobretudo criado as condições para o ensino e práticas musicais. Voluntários e pessoas completamente desinteressadas, assumem de três em três anos a responsabilidade de uma associação que tem tido um papel importante a todos os níveis no meio em que se insere. Criada a base e o apoio é preciso ter uma escola de música bem organizada onde todos os professores trabalhem na mesma direcção e com o mesmo objectivo. 
As opiniões dividem-se, mas como responsável da escola, nunca concordei nem nunca irei concordar em abrir a escola a outros instrumentos ou actividades musicais que não sejam unicamente para a Banda Filarmónica. Isto desgasta recursos e energias que têm de ser todas direccionadas para a instituição. Felizmente temos associações de todo o tipo que estão mais habilitadas para outras vertentes musicais. Não vejo necessidade de andarmos a duplicar projectos! 
Os pais dos alunos e dos músicos têm também tido um papel fundamental a todos os níveis, na motivação dos seus filhos para a prática musical e sobretudo na confiança que têm tido nos responsáveis da banda.
O mais importante são os músicos, tudo roda em torno deles e é para eles que eu trabalho. Planificar, ensaiar, motivar, agradecer, respeitar, incutir espírito de grupo, ouvi-los nos seus problemas, nada deve faltar a eles. Ao contrário do que muitos pensam, é o maestro que serve os músicos e não o contrário! Apesar de muitas vezes existir discordâncias e problemas, o que é perfeitamente normalíssimo nestes agrupamentos, eu tenho por eles o maior respeito e admiração. Por fim, não posso deixar passar esta oportunidade sem agradecer a todas as pessoas que fazem parte da Banda Filarmónica Ilhense, por continuarem a acreditar no meu trabalho.