Há estudos que comprovam que a aprendizagem da música
facilita a assimilação de conteúdos escolares formais. As instituições que
promovem a aprendizagem desta arte estão a apostar num ensino cada vez mais
precoce. Prova disso é a Sociedade Filarmónica Vermoilense que levou 25 jovens músicos
ao IX Curso Intensivo organizado pela Filarmónica da Guia. O director Filipe
Leitão fala de um trabalho rigoroso e na importância que os pais e os professores
assumem na motivação dos mais jovens.
“O papel dos pais e dos professores é nuclear”, afirma Filipe Leitão
quando é questionado sobre a importância destes elementos na educação informal
de um jovem. Embora, por vezes, não seja fácil manter o nível de motivacional
dos mais novos, os pais podem ser determinantes no próprio sucesso musical dos
filhos, “estando atentos, procurando as palavras e oferecendo o apoio
adequado”, frisa o director da instituição. Por sua vez, “o professor tem um
papel basilar. Todo o músico de topo a nível nacional e internacional,
lembra-se do professor que o fez apaixonar-se por esta arte”, continua.
Mas, afinal, qual é a altura ideal para se iniciar no mundo da música? “Começamos
logo aos três anos na Filarmónica através da familiarização com sons, cores e
jogos musicais, que são ferramentas e meios basilares para fomentarmos um gosto
pela música. A formação propriamente dita iniciamos aos seis anos”, afirma
Filipe Leitão. E há uma razão para que isso aconteça: “durante a infância
desenvolvem-se áreas no nosso cérebro que nos proporcionam uma maior
elasticidade mental e um maior desenvolvimento cognitivo”. Por sua vez, “a
música é uma das ferramentas que melhor potenciam esse aumento de elasticidade
mental”.
Além a banda propriamente dita, há projectos que estão a florescer na
instituição. A Orquestra Juvenil é exemplo disso: “apoia a integração dos
jovens músicos na Banda, proporcionando uma perspectiva de trabalho colectivo,
quando até então o trabalho desenvolvido é essencialmente individual”. Além
disso há projectos em estudo como a realização de ensembles, quartetos e trios “para estimular o gosto pelo trabalho
colectivo”.
No que se refere aos desafios na escola de música, o que pretendem é “fazer
face à dificuldade enorme que representa financeiramente manter a qualidade da
escola de música”, querem “aumentar a área de recrutamento da escola de
música”, isto porque o aumento da emigração e a diminuição da natalidade “tem
tido efeitos arrasadores na nossa comunidade”. No fundo, o que se pretende é
que sejam criativos na “forma de atrair crianças para a aprendizagem da
música”.
Para a banda, desenvolver outro tipo de projectos que não sejam os
convencionais, que ameaçam terminar num curto-médio prazo, sejam as “festas
religiosas de aldeia, os encontros de bandas e os concertos”, é outra das
prioridades que a direcção quer levar a cabo.
Com 122 anos de existência, com 45 elementos, mais de
metade com menos de 15 anos de idade, “a Filarmónica tem um trabalho
reconhecido pela grande maioria da população”. Apesar de quase todas as pessoas
pertencentes à freguesia de Vermoil terem uma ligação directa ou indirecta à
instituição, “a banda é constituída por muitos jovens, o que aproxima
invariavelmente os pais, que assim se preocupam e acarinham a Banda, em
reconhecimento da sua importância na formação dos seus filhos enquanto seres
humanos que prezam valores”, afiança o director da instituição.
E quanto às novidades musicais para os próximos
tempos? “Teremos o encontro de Bandas que se realizará no dia 25 de Setembro, O
Bodo das Castanhas em Vermoil e, no dia 22 de Novembro, o nosso 122º
aniversário”. Mas as novidades não se ficam por aqui, até porque “na semana do
dia 15 a 24 de Novembro vamos receber uma banda oriunda do Brasil”, justificou
Filipe Leitão, que fala de um “projecto marcante e motivador”.
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