Mostrar mensagens com a etiqueta Amigos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amigos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de maio de 2018

(re) começar 15 meses depois

Fechar ciclos de vida não é fácil. Nunca ninguém disse que o era. Mas hoje, mais do que nunca, sinto isso na pele, depois de sensivelmente 15 meses em Moçambique. De regresso às origens, ao continente Europeu, a Portugal, a Leiria, a Pombal, recrio o "filme" da minha passagem pela "Pérola do Índico".
Amei muito de Moçambique e detestei outro tanto. País de contrastes e tão diferente do de Camões, Moçambique fascina e revolta, engrandece e chateia, embeleza e endoidece. Gostei de muito, detestei outro tanto... O que há a reter é o que de bom me ofereceu o país e as aprendizagens que, a bem ou a mal, ficaram de experiências mais ou menos amargas. Podia ter sido tudo perfeito, mas se assim fosse, não teria sido a mesma coisa.

De Moçambique gostei do calor, da cor e da alegria que se respira nas ruas, da simplicidade e humildade do povo, das paradisíacas praias que se estendem ao longo de toda a costa, dos locais onde, quem sabe, nunca mais regressarei, dos pores do sol "à Rei Leão", do cheiro a terra molhada na época das chuvas, do frenesim da agitação da cidade em em dias de chuva, do voluntariado, da Escolinha Solidária, dos amendoins, dos cajus, das capulanas e da beleza natural das paisagens selvagens.

Aquilo de que menos gostei foram os contrastes sociais, a clivagem entre ricos e pobres, ver miúdos descalços pelas ruas a pedirem no meio da estrada; a "desorganização" no trânsito, que nos obriga a olhar para todo o lado antes de atravessar a estrada e mesmo assim ter medo de ser atropelado; a lentidão com que tudo acontece; os dias curtos, pois na "época seca" anoitece pelas 17h30; a vulnerabilidade das relações humanas; a distância da família e a ausência do meu porto de abrigo.

Por enquanto não aprofundo o que me vai na alma, o que me enche o coração. Talvez um dia, com o distanciamento que esta reflexão exige. Afinal, acabei de aterrar (quinta-feira, 10 de maio) e já tanto aconteceu que mal tive ainda tempo para parar para pensar!


Felizmente esta minha transição de ciclo está a decorrer de uma forma calma e muito pacífica. Sem grande agitação para a alma, tenho estado com bons velhos amigos, desfrutado da companhia da família e do conforto quente do meu lar. Incrivelmente, comecei ontem, segunda-feira, a trabalhar e a vida tem-me sorrido todos os dias. Depois de dias agitados, decorrentes de momentos tristes e pesados, penso que é hora de me erguer, de ir à luta, de fazer acontecer!
Aprendi muito durante 15 meses em Moçambique. Lições que para mim ficam e que fazem todo o sentido. A vida é assim e temos todos de aprender com mais ou menos sofrimento. Eu vivi o que tinha a viver e vou continuar a aprender, um bocadinho, todos os dias! Estou grata pelas memórias que me este belo país me proporcionou, pelas pessoas que conheci, pelos momentos que vivi. Apesar de tudo foi bom conhecer-te, Moçambique. Obrigada, Pérola do Índico, obrigada, Maputo, obrigada. Obrigada por tudo!

quinta-feira, 1 de março de 2018

A perspetiva de quem visita o país estrangeiro que me acolheu


Resido e trabalho há um ano e um mês em Moçambique. Há uma semana recebi em minha casa uma amiga portuguesa que, atualmente, trabalha na Holanda. E é engraçado ver noutra pessoa, ouvir de outra pessoa e sentir de outra pessoa aquilo que, há um ano, quando aterrei, eu vi, eu ouvi e eu senti.


Escolhi trabalhar na Escola Portuguesa de Moçambique por um ano. Um ano que agora caminha para um ano e meio. Além de visitar mais e de desbravar novos horizontes antes para mim desconhecidos, posso receber uma ou outra visita de alguém que vem só visitar e conhecer um outro mundo, uma nova realidade.

“Pérola do Índico”, como é nomeado por muitos, Moçambique é um país de contrastes. Apercebeu-se disso a minha amiga Diva assim que a levei a ver o pôr do sol mais bonito da cidade: “Como é que numa mesma cidade coexistem locais tão bonitos e lixo no chão?”, questionou.

Sabe hoje, a Diva, que antes de aterrar é essencial virmos sem ideias pré-concebidas, sem opiniões feitas nem preconceitos. Só uma mente limpa, livre e aberta consegue absorver e aproveitar o que um outro país, os nativos dessa zona e uma nova cultura têm para oferecer e ensinar.

“Está tanto calor, estou sempre a soar!”, diz-me a Diva, quase todos os dias. “As mangas e as papaias têm um sabor maravilhoso”, comenta. “É impressionante comer tão bem por preços tão ridículos”, impressiona-se com a diferença diariamente. “E as praias!? Ah, essas são lindas de cortar a respiração!”, exclama.

Há um ano era eu neste espanto, nesta admiração. Agora é-o outra pessoa que nunca tinha saído da Europa e para quem, todos os dias, são uma surpresa. É interessante ver num outro alguém aquilo que eu já fui. Já estive perdida. Já senti que aqui não pertencia. Já questionei inúmeras vezes o porquê de estar cá. Ainda não encontrei resposta para muitas das minhas interrogações.

Agora vejo-o numa outra pessoa. Sinto-o numa outra pessoa. “Ana, todos olham para mim. Sinto-me como um negro se sente em Portugal”, diz-me a Diva com espanto no olhar. Está na pele do outro e sente-o todos os dias, a todas as horas, tal como eu já o senti e o sinto ainda.

Afinal, só quando vestimos a pele do outro é que fazemos ideia de como o outro se sente, quando o julgamento alheio emerge de todos os lados, só por ter outra cor de pele. E sentimo-lo, todos os dias. Somos brancos num país de pretos. São pretos num país de brancos. Falamos a mesma língua. Mas tudo o resto é diferente: os locais, a cultura, os hábitos, a gastronomia, os trajes, os pores do sol e o humor.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Ir ali ao lado a África do Sul e voltar

Há um tempo que não escrevo e decido que é hoje, depois de no fim-de-semana passado ter ido ali, a África do Sul, e voltado. 


Não foi um passeio qualquer; esta semana tenho por cá uma amiga portuguesa que veio passar férias a África, Moçambique, Maputo. Verdade verdadinha. E sei que devo mostrar o melhor e o pior que por cá há. Por isso, depois de uma saída na sexta-feira à noite à Fundação Fernando Leite Couto, para começar, fomos dar uma voltinha a Nelspruit e ao Kruger National Park, ambos localizados num dos países vizinhos de Moçambique, África do Sul, durante o fim-de-semana. 

Os 600 e tal quilómetros a passear deram para "lavar as vistas", respirar outros ares e servir como fonte de inspiração para os textos que tenho por escrever ao longo desta semana. Além de não sair de Maputo há algum tempo, e por cá ter passado todos os fins-de-semana desde que vim das férias em Pemba, admito que tinha saudades de ir até África do Sul. 

Contei com a boleia e companhia de dois amigos que têm sido o meu braço direito nesta minha passagem por cá, e sei que tudo correu como planeado. 

Com energias retemperadas e cabeça leve agarro uma nova semana de trabalho, desejando a todos "good vibes"!

Concerto na Fundação Fernando Leite Couto
Jardim em Nelspruit
Parque Nacional do Kruger - Búfalo (um dos "big five")
Parque Nacional do Kruger - Macaco
Parque Nacional do Kruger - Girafa

Parque Nacional do Kruger - Elefantes (outro "big five")