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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Lançamento da “A História do João Gala-Gala” teve lugar no Centro Cultural Franco-Moçambicano

O lançamento da publicação infanto-juvenil “A História do João Gala-Gala”, baseada na biografia do músico moçambicano Chico António, teve lugar na tarde de terça-feira, 12 de dezembro, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).

Com “sala cheia”, no evento, marcaram presença a directora da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), Dina Trigo de Mira; o escritor António Cabrita, que apresentou o livro; o autor Pedro Lopes, o co-autor Chico António e o ilustrador Luís Cardoso.

Momento da apresentação da obra
A sessão iniciou com um momento musical levado a cabo pelo músico Chico António, tendo-se seguido a proclamação de umas breves palavras de agradecimento pela directora de escola portuguesa. “A Escola Portuguesa tem editado alguns livros infanto-juvenis e tem como objectivos promover a literatura infanto-juvenil como forma de incentivar a leitura dos mais jovens e a escrita”, frisou Dina Trigo de Mira. Acrescentou, acerca das ilustrações, que “o nosso objectivo é integrar a arte como completo da escrita contribuindo para uma literacia visual. O trabalho de ligação da escrita com a ilustração permite criar redes de escrita e de ilustração que nos parece uma mais-valia no panorama cultural”.


Seguiu-se a apresentação do livro pelo escritor António Cabrita que frisou que “este livro é um gesto de urbanidade. A urbanidade tem lugar quando as pessoas se respeitam e ao seu trabalho. Quando isso acontece o resultado não pode ser senão satisfatório para todos”. Continuou destacando o produto de um trabalho realizado entre “um dos melhores artistas plásticos do país, um dos melhores e mais reputados músicos e talvez o mais prometedor, no sentido de polivalência, dos jovens escritores moçambicanos”.

Chico António
António Cabrita, sublinhou, ainda, a dificuldade em criar quando não há condições, o que deixa os artistas “desamparados”, mas frisou o exemplo positivo da produção da «História do João Gala-Gala»: “cada um esmerou-se em fazer o melhor que podia e daí que seja evidente que estejamos perante aquilo que é um exemplo na história da edição em Moçambique. Este livro estabelece um novo padrão na edição em Moçambique”.

“A «História do João Gala-Gala» faz-nos mergulhar na génese de uma canção do Chico por texto, a revisitarmos a infância e a sua inquietude de criança de sonhos maiores que a alma”, disse acerca do conteúdo da obra. “É uma história de crescimento, superação e resgate”, sublinhou. “Este é um momento feliz em que começa também uma grande responsabilidade”.

Seguiu-se a apresentação pela Associação Iverca do making off da produção do as intervenções dos autores que também se disponibilizam, no final, para o autografar os livros.


Pedro Lopes (autor) e Teresa Noronha (editora)
Este é o 13.º lançamento da colecção infanto-juvenil da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), que sequencia a apresentação da mesma obra, da autoria de Pedro Lopes e do próprio Chico António com ilustrações de Luís Cardoso, no Camões - Centro Cultural Português, realizada a 26 de outubro.

Registe-se que o autor Pedro Lopes foi agraciado com o Prémio Literário Eugénio Lisboa instituído em 2017 em Moçambique pela primeira vez pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda de Portugal pela autoria da obra “Mundo Grave”, a premiada entre 36 apresentadas a concurso, todas de autores moçambicanos ou de estrangeiros a residir há mais de 10 anos em Moçambique.

A par da apresentação da “«História do João Gala-Gala» esteve patente uma exposição com as telas de Luís Cardoso, utilizadas na ilustração do livro, que constituiu o cenário do local do lançamento da obra.

sábado, 24 de setembro de 2016

Filarmónicas deram música às artes em Pombal

Sob o lema “Pombal é cultura”, a cidade recebeu o 28º Encontro de Bandas, entre os dias 16 e 18 de setembro. As cinco filarmónicas do concelho, as bandas de garagem pombalenses, o Grupo de Concertinas Sons do Sicó e o Projeto Jazz deram música às pessoas que passaram pelos diferentes locais da cidade. 

A cargo da Sociedade Filarmónica Vermoilense (SFV), o encontro de bandas deste ano teve um formato diferente do habitual. “Este ano lançámos o desafio ao município de mudar tudo, tornando o encontro de bandas mais amplo e abrindo o leque de músicas a toda a população”, explicou o presidente Filipe Leitão. Cada uma das bandas foi convidada a interpretar temas de filmes para que “o público se identificasse com as músicas que ouvia”.


O facto de este ano o Encontro de Bandas se ter realizado em diferentes espaços da cidade, como o jardim do cardal, o largo da Igreja Matriz e o castelo acabou por aproximar a música ao público. “Estivemos dentro da cidade, num espaço sempre aberto. Havia muitas pessoas que não sabiam, mas que acabavam por sentar-se a ouvir-nos”, explicou o presidente da SFV.

“Isto foi um ponto de partida e certamente há coisas a melhorar. Há outras ideias a rever, mas isto está em mutação e pode ser adaptado à realidade em que estamos a fazer o concerto”, acrescentou quanto ao balanço positivo que faz do evento.

A vereadora com o pelouro da cultura, Ana Gonçalves, partilha a mesma opinião: “aquilo que nós sentíamos é que, com o formato habitual do encontro de bandas, chegávamos a ter a bandas a atuar para as bandas. Pretendíamos que música chegasse mais junto das pessoas”, afirmou.

Mais do que música, o Encontro de Bandas foi uma verdadeira mostra de artes que contou com a participação do Teatro Amador de São Tiago, de “bandas de garagem” – os Funkoff, os Espanta Galhardos e os Hora H e do Projeto Jazz que nasceu no seio da SFV . “Foi uma janela que se abriu para mostrar às pessoas que as bandas evoluíram ao longo dos anos. Das clássicas às atuais, abrangemos um variado leque de músicas”, declarou Filipe Leitão.

O balanço do evento deste ano foi “muito positivo, cada evento contou com mais de 200 pessoas, sendo que o concerto da SFV no castelo foi o auge. Eu diria que superou as expectativas. O tempo também ajudou”, frisou a vereadora da cultura. A organização do próximo ano vai estar a cargo da Sociedade Filarmónica Louriçalense. “O município apoiará o formato escolhido, mas achamos que este é bom”, concluiu Ana Gonçalves.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Pelo teu Canto me (En)Canto

"a-a-A-a-a", ouço, assim que subo as escadas que me guiam à terapia da música. Os sons indistintos e facilmente decifráveis permitem prever o que se passa por dentro da sala número sete. Aquecem-se as vozes ao som melodioso do piano que acompanha o evoluir ritmado dos alunos de 10 anos. São nove e meia da manhã e estou a segundos de assistir a uma aula inesquecível de canto. 

Aproximo-me um pouco mais da porta. Deixo-me ficar a ouvir as doces vozes de crianças sedentas de conhecimento. Não quero interromper mas apetece-me entrar para as ouvir de perto. As olhar. Ver as expressões calorosas enquanto entoam os "bi-bi-Bi-bi-bi" que acompanham os "sol-lá-Si-lá-sol" do piano. E, com receio de avançar e de interromper, sou impulsionada pela vontade de entrar dentro da sala. Bato, por fim, à porta.

Abre-me a porta a professora Cristina, enquanto me cumprimenta com um "Olá, esta é a Ana que vem assistir à aula". Um arrepio de timidez percorre-me a espinha dorsal. "Olá", cumprimento timidamente. Sento-me na cadeira junto à porta enquanto aguardo que retomem o aquecimento. 

A professora explica como funciona o diafragma, contraído na inspiração e relaxado na expiração. Fala da importância da respiração e explica que o ar quente que emitimos quando vibramos os lábios deve trespassar a palhinha com que se fazem alguns exercícios. É constantemente lembrada a importância de um bom aquecimento para que, no fim, os músculos e as próprias cordas vocais estejam mais "à vontade" para entoar as canções com garra. 

Entre risos e distracções prossegue a aula. É altura de começar com os "mmmmm" rítmicos da primeira canção. A professora chama à atenção daquele menino que olha para o lado e não pára de se rir. Está na altura de cantar e, três segundos antes do momento certo, é o silêncio que reina na sala. De aquecimento feito e vozes afinadas, está na altura de ouvir os cerca de 15 meninos do quinto ano, que partilham o mesmo espaço. Também canto (ou tento, pelo menos). Tento não me dar já por derrotada.

Entre duas músicas suaves, cantamos o "O Gafanhoto Canhoto". Não é que seja a minha música preferida, mas é aquela de que do título guardo recordação. As vozes afinadas são prova da evolução contínua e positiva destes pequenos grandes talentos. A professora elogia-os. Mas, agora, está na hora do cânone. 

À medida que os pequenos cantam e quase que terminam, entoa na atmosfera musical a voz doce e melodiosa da professora. Alguns dos pequenos tapam os ouvidos para não perderem "o fio à meada". Afinal é a primeira vez que experimentam cantar a duas vozes. E, além de ser um voto de confiança da professora e um passo gigante da evolução dos pequenos, até que nem corre nada mal! 

Deixo-me guiar pelos prazeres da audição. Que doces vozes! Que doce aprendizagem! Que doce infância! Agora, sala de aula, parece pequena para alojar tão grandes miúdos.

Fui de espírito aberto, de mente relaxada. Apercebi-me de como é bom sair da rotina e desbravar horizontes desconhecidos. Não criei expectativas. Não esperei nada de nada. Somente me atrevi a ouvir e a deixar-me encantar. Não me desiludi, bem pelo contrário. Apercebi-me de que, com esforço, com trabalho, com dedicação e com um gosto inesgotável por aquilo que se faz, por aquilo que se transmite é que é possível incendiar os corações dos mais pequenos com a magia da música. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Rita Guerra (en)canta com estreia de "No Meu Canto"

Já perdeu a conta às vezes em que actuou em Pombal, mas presenteou a cidade, no âmbito das comemorações do Dia do Município, com o arranque da Tour dos 30 anos de carreira, "No Meu Canto". Entre os sucessos mais recentes daquela que é considerada uma das melhores vozes portuguesas estão o álbum "Sentimento", lançado a 24 de Setembro de 2007 e que, actualmente já Disco de Ouro; o prémio Top Choice Award, na categoria de Top International Female Singer 2009, que tem por base a votação da comunidade portuguesa residente no estrangeiro, em 2009;  e a edição do álbum "Luar", em 2010. Com 48 anos de idade, Rita Guerra aventura-se, pela primeira vez, no mundo da composição. O Aqui há Notícia falou com a cantora sobre o concerto e acerca do sucesso.

Ana Isabel Mendes (AIM) - Pombal foi a cidade escolhida para Rita Guerra começar a Tour dos 30 anos de carreira. Que balanço faz da noite do espectáculo no Teatro-Cine?

Rita Guerra (RG) - Toda a gente nos recebe muito bem, tanto no Norte como no Sul. Sei que cá por cima há uma vontade muito grande em que eu esteja presente, embora me tenha mantido, ultimamente, pelo Sul do país. Fomos recebidos com um calor muito grande. Estrear aqui foi bom, pois as salas estão muito bem apetrechadas acusticamente, o piano é maravilhoso, o som estava óptimo, a sala estava cheia de pessoas que participaram [no concerto] quando tinham de o fazer, e, apesar de estar um pouco doente, penso que correu bem.

AIM - Como e quando surgiu o gosto pela música, em geral e pelo canto, em particular?

RG - Pela música em geral surgiu em casa por grande influência dos meus pais e dos meus irmãos, pois lá sempre se ouviu música a toda a hora, de várias origens. O meu pai gosta muito de música sinfónica e a minha mãe de música clássica, especialmente de óperas e de operetas. Os meus irmãos gostam muito de pop e de rock. Sempre houve muita música lá em casa e, daquela toda que havia, gostava muito de algumas que me influenciaram ao longo do percurso artístico. Sou sensível à música, sou sensível às boas composições. Cantar começou como brincadeira de criança nas escadas do prédio, onde tinha uma melhor acústica. Cantava tudo e mais alguma coisa: Os Abba, bocadinhos de Ópera, Elton John, entre outros, de que nem me lembro bem.

AIM - Em que estilos musicais se inspira para escrever as suas músicas? Tem alguma preferência num estilo ou num cantor em particular?

RG - Nas baladas rock e na música pop em geral. Em termos de cantores, confesso que me inspiro em artistas internacionais como Lara Fabian ou George Michael. Em termos de artistas nacionais, o Agir, o Paulo de Carvalho e o Rui Veloso são aqueles que estão entre as minhas preferências. 

AIM - Ao longo dos anos tem vindo a evoluir e a promover o seu trabalho cá dentro e lá fora. Quais são os principais ingredientes para se chegar ao Disco de Ouro?

RG - Aconselho que quem cante seja persistente, que o faça por amor à camisola e à música e não com o objectivo de se tornar figura pública e vedeta. Uma coisa é ser-se bom músico e outra é ser-se famoso. Pode ser-se famoso pelas razões erradas. Por isso, o que quer que façam, façam-no o melhor que puderem, sempre com humildade porque para aprendermos devemos ouvir os outros e não nos acharmos os detentores da razão. Ao nível bocal, é importante ter um bom acompanhamento profissional, uma boa colocação e uma boa respiração para não fazer asneiras. 

AIM - Neste último single, qual é a música que elege?

RG - Não vou eleger nenhuma. Se o fizesse escolheria o meu tema, a minha primeira composição, "No Meu Canto". Retrata o meu estado de alma numa tarde; marca o início da fase enquanto compositora, daí ser tão importante. Mas para mim todas as músicas são igualmente valiosas, embora sejam diferentes umas das outras. 

AIM - Em 2011 lançou o álbum "Retrato", e cantou com Michael Bolton no Pavilhão Atlântico e no Coliseu do Porto, interpretando Over the Rainbow e Make You Feel My Love. Em 2012 participou nos discos de Mastiksoul, com o tema I Can Feel Your Love, e de Mickael Carreira, com "Volto a Ti" . Qual é o segredo para se atingir o sucesso?

RG - Ser-se persistente, não desistir à primeira dificuldade, ser-se verdadeiro e ter-se muito amor ao que se faz. 

Texto e fotos: Ana Isabel Mendes

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Filarmónica celebrou 148 primaveras

Os instrumentos aliaram-se à dança e ao canto para abrilhantarem o serão de centenas de pessoas que passaram pelo Teatro-Cine de Pombal, na noite do sábado, 17 de Outubro, para se associarem às comemorações das 148 primaveras da Filarmónica Artística Pombalense. Os sorrisos de satisfação do público e dos músicos revelaram que, no fim, o balanço foi bastante positivo. 



Participação da FAP dança envolveu alunos de Patrícia Valente
Do pop ao rock, passando pelo popular e pelo tradicional. De géneros musicais para todos os gostos se realizou o concerto do 148º aniversário da Filarmónica Artística Pombalense (FAP). Com quase século e meio de existência, a instituição continua a cativar jovens motivados e predispostos a manterem a tradição de uma das instituições mais antigas da cidade. 

A primeira parte do concerto foi dedicada ao trabalho que Patrícia Valente, professora na FAPdança, realizou com os seus alunos. Os alunos da FAP dança, juntamente com a professora Patrícia Valente, fizeram as delícias da primeira parte do concerto. "O ensino da dança, com a recém criada FAP dança, conta com as valência de ballet, dance fusion, sapateado, jazz e hip-hop", mencionou um dos elementos da direcção, Piedade Machado, aquando da apresentação das valências da instituição.

A voz de Cristina Loureiro encantou todos os presentes
"A filarmónica tem participado, actualmente, em concertos, encontros de bandas e festas populares, contribuindo para que se preservem as tradições da instituição junto das massas populares", revelou Piedade Machado, aquando da uma das intervenções daquele serão. Mas não é só de instumentos e de dança que vive a filarmónica: a estas valências junta-se o canto, disciplina leccionada por Cristina Loureiro, directora pedagógica do Conservatório David de Sousa, que (en)cantou na segunda parte do concerto, a par da filarmónica e do maestro e solista  em saxofone soprano César Ramos.  

Actualmente, o ensino de música mantém "a sua Escola de Música, que se dedica ao ensino e ao aprefeiçoamento música, mantém uma parceria com os regimes articulados, livres e supletivos com o Agrupamento de Escolas de Pombal e Gualdim Pais, e o projecto de música no jardim de infância, que leva a música aos mais pequeninos", informou Piedade Machado. 

O sax-soprano de César Ramos fez as delícias do público
Entre as distinções recebidas pela instituição estão a da "Região de Turismo de Leiria - Rota do Sol, com medalha de prata, destinada às colectividades com mais de 100 anos de existência" e a da "Câmara Municipal de Pombal com a medalha de prata da cidade pelos serviços prestados ao ensino, aperfeiçoamento e divulgação da música", afirmou Piedade Machado aquando das intervenções durante o Concerto de Aniversário.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Cortes na Música despedem professores e deixam alunos em espera



Há alunos do ensino de regime articulado que estão em lista de espera para iniciarem as aulas no Conservatório de Música David de Sousa, em Pombal. Em causa estão os cortes no financiamento do ensino por parte do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que, comparativamente ao ano passado e feitas as contas, representam menos de 200 mil euros anuais para os Conservatórios de Pombal, Figueira da Foz e Coimbra.

Rescisões de Contrato, horários incompletos e alunos em lista de espera são algumas das consequências que decorrem do lançamento das Listas Provisórias, de 27 de Agosto, sobre o financiamento do Ensino Artístico Especializado da Música. Em causa estão os cortes que se verificam no resultado das Listas Provisórias, que variam de escola para escola.

A portaria 224-A/2015 de 29 de Julho 2015, que descrevia as (novas) normas de contratos de patrocínio a celebrar entre o MEC e as escolas do ensino artístico especializado "uniformizava o financiamento das escolas tendo só em linha de conta as regras de cálculo de custo por aluno, esquecendo o tempo de serviço e o escalão dos professores", explicou a directora pedagógica do Conservatório de Música David de Sousa, do Pólo de Pombal, Cristina Loureiro.

Em consequência disso, apenas 13 dos 39 alunos aptos a frequentar o Ensino Artístico Especializado (EAE) nos Agrupamentos de Escolas Gualdim Pais e Marquês de Pombal estão a ter as aulas cumulativamente às do ensino regular. Cristina Loureiro falou nas consequências decorrentes dos cortes que se verificaram "serem desastrosos" para o ensino articulado. "Defraudaram-se expectativas de pais e de alunos, as direcções das escolas e as comissões de horários vêm-se obrigadas a repensar horários de alunos e de docentes, e no que se refere ao EAE, muitos professores viram os seus horários reduzidos e alguns deles viram os seus contratos a serem rescindidos", explicou ao Pombal Jornal.

O financiamento para o ensino articulado da música era da competência do Programa Operacional de Potencial Humano (POPH), que previa que 100% das escolas incluídas em zonas de convergência fossem co-financiadas pelo Fundo Social Europeu. Contudo, referiu Cristina Loureiro, já se chegou à conclusão de que este modelo de financiamento "não é adequado às escolas, sim às empresas, pois existem custos fixos nas escolas que devem ser colmatados". Apesar disso, "não há lucro, já que os alunos em regime articulado não têm de pagar nenhuma mensalidade e não existe auto-financiamento". Por sua vez, são 25 mil crianças e jovens com "aptidões fortíssimas" ao nível nacional, aptas a frequentar o EAE.

O que os professores reivindicam é o facto de, "neste sub-sistema de ensino não ter havido um estudo cuidadoso que antecipasse e previsse o desastre que foi o resultado que constatámos nas Listas Provisórias", adiantou a directora pedagógica. É de se salientar que "houve uma reunião de definição da Rede Escolar da Delegação Nacional da DGESTE, em Coimbra, onde foram aprovadas as turmas para o EAE para o ano lectivo 2015/2016", altura em que as duas turmas de 5º ano de ensino articulado ficaram aprovadas e antes de saírem as Listas Provisórias. A dúvida prevalece: "se elaborámos os contraditórios, porque razão não temos respostas?"

Apesar das más notícias, o Conservatório de Música David de Sousa vai ser abrangido pelo Orçamento de Estado: "o concurso é válido por três anos lectivos", mencionou a directora pedagógica. Vai resultar numa reorganização interna dos conservatórios e academias, o que conduzirá a uma recuperação financeira dessas instituições. Por fim, há uma grande dedicação por parte de pais, professores e alunos e este é um tipo de "ensino muito acarinhado pela comunidade", finalizou.

Regime Articulado

 – 78 alunos do ensino básico (6º ao 9º ano)
- Formação Musical, Classe de Conjunto e Instrumento
- Ensino gratuito

Regime Supletivo

– 7 alunos do ensino secundário (10º ao 12º)
- Formação Musical, Classe de Conjunto, Instrumento, Análise e Técnicas de Composição e História e Cultura das Artes
- Ensino financiado em 50% pelo OE. Os outros 50% rondam os cerca de 1700€ anuais, dos quais os Pais apenas têm que pagar 55% do valor da propina, uma vez que a FAP comparticipa 35% e o CMDS 10%
do valor, respectivamente.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mariana Pedrosa investe numa formação multifacetada

É instrumentista, vocalista, escritora, blogger e estudante de ciências e tecnologias. Com apenas 15 anos Mariana Pedrosa, natural de Sismaria, Monte Redondo, já tem um currículo notável no mundo da música e da escrita. Contudo não tenciona (sobre)viver com a sua voz e através dos dedos. Fala acerca das paixões de que não prescinde e das intenções que tem em prosseguir estudos em saúde, uma "área que a fascina", porque sempre gostou de "ajudar as pessoas".

Ana Isabel Mendes (AIM) - Porquê a música?
Mariana Pedrosa (MP) - Eu desde pequena tenho uma paixão pela música, sempre gostei de cantar e a música sempre me fascinou, foi por isso que a escolhi. 

AIM: Quem te incentivou a gostar desta arte?
MP: Foi a minha família que via que, como cantarolava lá por casa quando era criança, sabia que isso me dava prazer. Mas, sem dúvida, a pessoa que mais me influenciou a ir para a música foi o meu avô, que sempre ambicionou que eu aprendesse um instrumento, principalmente o órgão. Foi então que me inscrevi na Sociedade Filarmónica Nossa Senhora da Piedade há cerca de cinco anos.



AIM: Como foi o teu primeiro contacto com a música?

MP: Foi com o órgão. Comecei a aprender música com o André Venâncio (actual maestro da filarmónica); inicialmente tinha aula de órgão ao mesmo tempo que havia uma executante de trompete. O André intervalava ambas as aulas. Foi assim que tive as minhas primeiras bases em órgão: aprendi o "Aleluia", uma música de igreja.

AIM: Preferes canto ou instrumental?
MP: Isso é uma pergunta difícil porque eu gosto muito de cantar e de tocar piano, órgão ou tuba. Mas talvez o canto me suscite mais interesse.

AIM: E esse gosto pelo canto, como surgiu?
MP: Sempre tive o vício de cantar na banheira (risos). Mas também cantava por casa dos meus avós, fazia dos cabos das vassouras microfones. Gostava mesmo de cantar. Sempre tive essa paixão. Mas sempre tive a ambição de um dia vir a tocar, porque quando ouvia o André a tocar órgão em Sismaria, nas missas, ficava encantada ao ouvi-lo. Gostava de um dia vir a fazer magia com as teclas do órgão tal como ele fazia. Foi uma das minhas motivações: gostava do que ouvia.

AIM: Quando começou o projecto da banda "The Lights in the Dark" onde és vocalista?
MP: No ano passado tive exames nacionais e eu já conhecia todos os elementos da minha banda. Foi na altura de preparação do exame que comecei a falar com o nosso baixista, o Rudi, sobre a hipótese de criar uma banda, já que ele e os colegas Simão e Thierry estavam interessados nisso. Queriam criar uma banda, mas como apenas tinham guitarra, bateria e baixo, precisavam de um vocalista. Foi então que me juntei a eles, com a Ana e com a Maria, desde Junho.

AIM: Quantos são os elementos da banda?
MP: Somos seis: eu sou a vocalista, o Thierry toca bateria, o Rudi toca baixo, o Simão toca guitarra de solo, a Ana guitarra de ritmo e a Maria é teclista. Temos entre os 15 e os 19 anos de idade.


AIM: Que géneros musicais cantas e quais são aqueles que mais aprecias?
MP: A minha banda é de rock, mas ambiciona vir a ser uma banda de originais. Fora da banda, gosto de cantar rock, embora aquando da entrada no grupo tenha ficado hesitante quanto à interpretação desse género musical. Tinha-me ficado sempre pelo pop ou pelo canto lírico das aulas de música. Com o tempo fui aprendendo a gostar de rock. Além disso, gosto muito de cantar canto lírico, pois gosto de coisas que exijam trabalho e sejam difíceis de alcançar.

AIM: Quando tens aulas de canto?
MP: Eu tenho uma aula por semana, às quintas-feiras ou às sextas-feiras, durante 45 minutos. O tempo lectivo assemelha-se ao das aulas na Escola Secundária.



AIM: Como concilias dois géneros musicais tão díspares: o canto lírico e o rock?

MP: É difícil e sei que por vezes não o deveria fazer, porque para cantar rock é preciso uma colocação de voz completamente diferente da de canto lírico. Isso às vezes prejudica-me, principalmente agora que tive concerto (de Páscoa). Tive de fazer uma pausa para não esforçar a voz a cantar rock.

Os instrumentos...

AIM: Além de cantares ainda tocas órgão, piano e tuba. Como e quando começaste a tocar tuba?

MP: Comecei porque o maestro da filarmónica me desafiou. Como foi o meu primeiro professor de música e houve uma altura em que procurava pessoas para tocar o instrumento, abordou-me. Eu fiquei um bocado desconfiada e reticente porque associei logo a tuba ao género masculino. Contudo, aceitei o desafio e com o passar do tempo cada vez gosto mais de tocar tuba. Considero-a um instrumento muito importante e indispensável em termos do acompanhamento da banda. Tenho aulas de tuba há três anos com o professor Paulo Gomes, na filarmónica, aos sábados, durante 45 minutos.



AIM: Como consegues ter tempo para "dois amores" tão diferentes (o órgão e a tuba)?

MP: Eu adoro tocar orgão e tuba. O órgão é algo que é diferente, pois eu não tenho um órgão meu. Precisava de um, porque tocar este instrumento sem pedaleira é completamente diferente, pois o som fica muito mais cheio quando se toca com a pedaleira. O meu trabalho está um pouco limitado em Sismaria, por não ter essa possibilidade que, no caso de existir, dar-me-ia mais prazer. Piano é um instrumento de improviso pois farto-me de inventar e "apanho" acordes de ouvido. Tenho facilidade em acompanhar cantores. Quanto à tuba, também dá para improvisar um pouco, gosto de tocar tuba porque é um instrumento necessário, como um baixo numa banda ou um contra-baixo numa orquestra de cordas.

AIM: Estás num projecto (em desenvolvimento) no qual vais ser vocalista e pianista/teclista. O que podes desvendar ao “Aqui há Notícia” acerca desse novo projecto?
MP: É um projecto que eu ambicionava muito ter com três amigos meus, que reconheço que são bons músicos. Acho que vai ser um projecto interessante. Sempre quis ter um projecto com alguma qualidade musical. Estou feliz por isso porque acho que vai ser algo em que vou ter gosto em trabalhar.


AIM: Até onde queres levar a tua música?
MP: Eu dedico-me a todos os projectos. Gosto de me entregar a todos de corpo e alma, porque se estou neles é para me dedicar e motivar.

A escrita...

AIM: A par da música, ainda escreves. Porquê que nomeaste o teu blogue por «Undone»?
MP: Foi devido a uma amizade pois essa palavra traz-me recordações. A protagonista da história, a Matilde, tem um puzzle completamente desfeito, uma história que tem de construir. Acho que associo a essa simbologia. Foi essa amiga que me deu sugestões para o blogue. A escrita foi motivada pela professora Isabel Gomes, que me fez encarar um texto de uma maneira completamente diferente, com uma subjectividade incrível. 

AIM: Quais são os géneros narrativos que mais utilizas? Sobre que temas te debruças?
MP: Eu acho que vou mais para o lado sentimental mas acabo por não descrever totalmente o que eu sinto. O meu primeiro blogue foi o feelings and memories que já não existe desde que o meu avô morreu: achei que por o início ser um texto dedicado ao meu avô, o fim teria de ser um de despedida. De outra forma não faria sentido. Foi aí que iniciei este novo projecto. Já o meu anterior blogue acabava por ter textos transversais a todos os jovens, que acabam por passar por situações semelhantes na adolescência. Este novo blogue tem parte de mim escrita, mas não que ser apenas um blogue de sentimentos. Decidi contar uma história que contivesse algum mistério.

AIM: Sobre quê que é essa história?
MP: É a história de uma rapariga que tem uma grande relação de amizade com o seu avô. Na minha opinião, precisamos de ter uma parte de nós para pudermos escrever. O avô dessa rapariga acabou por morrer, mas foi ele que incutiu grandes significados para a vida da jovem. O avô deixou-lhe uma série de enigmas e de pistas cuja simbologia e o significado ela terá de desvendar.

AIM: A inspiração vai surgindo...
MP: Quando iniciei este blogue nunca pensei que a história tivesse este rumo. Vai fluindo consoante o que aconteceu durante o dia e a minha inspiração... O blogue "Undone" existe em colaboração com a Liliana Domingues, uma amiga minha que tira as fotografias para todo o conteúdo do blogue.

AIM: Colaboras, também, com o jornal da freguesia «Notícias de Monte Redondo e Carreira». Já te sentiste tentada a escrever alguma coisa motivada pelo “bichinho” do jornalismo?
MP: Só escrevo esses artigos quando me pedem e não é algo regular. Normalmente são artigos relacionados com a música, em actividades onde participo, e eu acho que é sempre mais fácil alguém que vive determinado acontecimento relatá-lo do que quem lá não esteve.

AIM: O teu sucesso no mundo da escrita não se fica por aqui. Ganhaste um prémio da Caminho, o segundo lugar a nível nacional (quando andavas no 3.º ciclo) na categoria de texto original. Em que autores te inspiras para tu própria escreveres?
MP: Susanna Tamaro, uma escritora italiana, tem uma escrita que eu aprecio bastante. De certa forma espalha cultura nas palavras, é subjectiva. Gostava muito de escrever como ela.  

AIM: Em termos profissionais, quais são as tuas ambições?
MP: Eu gostava de seguir a área de saúde, nunca pus a música nem a escrita em primeiro plano. Isto porque tanto a escrita como a música são algo muito irregular, e que não me dão estabilidade. Eu gosto de contactar com as pessoas e sinto muito essa necessidade. Também gosto de ajudar as pessoas. Acho que ia gostar da área de saúde porque me fascina e suscita interesse. Já pensei em vários cursos, entre os quais enfermagem e biomédica.

Fotografias: Kevin Flores, Liliana Domingues e Ana Mendes

domingo, 12 de abril de 2015

Estágio culmina num concerto final em jantar de sopas

A Orquestra Ligeira Juvenil de Sto. Elias apresentou o resultado do trabalho que tem vindo a realizar desde o dia 26. O concerto final precedeu a festa das sopas cujos fundos reverteram a favor do grupo musical. O evento, que decorreu no sábado passado no salão junto à capela, juntou dezenas de pessoas e quer ser apenas um dos vários eventos que a orquestra está a preparar.

Nelson Caetano é o responsável pela orquestra e maestro na Bajouca
“A experiência de dirigir o grupo tem sido muito gratificante, dada a evolução dos músicos”, disse Nelson Caetano, 38 anos, responsável pela orquestra. “O nível do reportório que estamos a tocar agora é bem mais exigente do que o que tocávamos em 2013”, referiu relativamente ao trabalho dos cerca de 20 alunos, oriundos da Bajouca e de Carnide, que frequentaram o curso.

“Este foi o segundo estágio. O primeiro realizou-se pelo Natal”, referiu Arminda Sousa, presidente da Orquestra Juvenil de Sto. Elias. Sublinhou os benefícios deste género de eventos para os mais novos: “é importante porque o estágio não é só musica. Existe convívio entre alunos e professores e isso é muito bom para os músicos e para a freguesia.”

Existe convívio entre alunos e professores e isso é muito bom
quer para os músicos quer para a freguesia

Sobre os objectivos do curso intensivo, o maestro sublinhou o aperfeiçoamento musical de que os alunos foram alvo, bem como o minimizar dos obstáculos musicais. Um outro aspecto que não quis deixar de referir foram os benefícios que o convívio trás aos mais novos: “cria-se motivação ao conhecerem pessoas novas”, acrescentou. Acerca da principal ambição que tem para a orquestra a médio prazo falou da criação “da sexta filarmónica do concelho de Pombal”. 
Orquestra de Santo Elias presenteou o público
Associar a música a contos infanto-juvenis foi uma das surpresas do concerto: “os alunos gostam do filme ‘Frozen’. Por sua vez, a história da ‘Cinderela’ desperta uma certa curiosidade. Achei que era mais fácil para eles aprenderem estas músicas”, declarou Nelson Caetano sobre o reportório. Apesar de os três dias do curso terem iniciado às 9h e terminado às 18h, “até no final do dia achei que os músicos estavam concentrados, porque gostavam das obras”, terminou o responsável.

Depois do concerto houve tempo para degustar uma ou outra sopa das dez que estavam à disposição. “Desde o Natal andávamos a pensar realizar uma festa de sopas. Mas por haver tantas festas na freguesia, o tempo foi passando até que resolvemos realizá-la durante o concerto da Páscoa”, referiu a presidente sobre o dia escolhido para a apresentação do concerto final. Afinal, um dos objectivos foi o de “angariar fundos para a orquestra poder adquirir novos instrumentos”, já que a associação beneficia de poucos apoios. 

Números:

1998 foi o ano em que nasceu a Orquestra Ligeira Juvenil de Santo Elias
20 músicos frequentaram o estágio
03 dias foi o tempo que durou o estágio

Prova de sopas aconteceu após o concerto

sexta-feira, 13 de março de 2015

Jaime Pascoal assume direcção artística

 Jaime Pascoal, aos 33 anos, dedica a sua vida à música
Desde Janeiro deste ano a Sociedade Filarmónica Vermoilense tem um novo maestro. Depois de 17 anos de direcção artística da banda, pelo maestro Paulo Clemente, hoje a batuta pertence ao maestro Jaime Ferreira Pascoal. Aos 33 anos de idade, o trombonista agarra este novo desafio sem medo de arriscar.

O convite para assegurar a direcção artística da Sociedade Filarmónica Vermoilense surgiu por acaso no final de Novembro do ano passado. “A direcção da banda telefonou-me a dizer que queria falar comigo. Quando fizemos uma reunião disseram-me qual era o interesse deles. Aceitei: é um novo projecto”, disse Jaime Pascoal ao Pombal Jornal. Coincidência ou não foi no início desse mês que começou a ter aulas de regência com o maestro Alberto Roque na Sociedade Artística Musical dos Pousos – SAMP. “Já tinha tido outras experiências de direcção, mas nunca como responsável”, admitiu.

Desde o ano lectivo 2013-2014 dava aulas na escola de música da mesma filarmónica. Trombone, bombardino e tuba são os instrumentos que estão a seu cargo. Mas não é só na escola de música que dá aulas: “neste momento dou aulas em Tomar na Canto Firme, em Ourém na Ouriarte, na Filarmónica de Ansião às quartas à tarde, em Vermoil aos sábados de manhã e na Filarmónica da Guia aos sábados à tarde”, declarou.

A Sociedade Filarmónica Vermoilense conta, neste momento, com cerca de 43 elementos. “A banda é totalmente jovem, a média de idades deve rondar os 15 ou 16 anos”, admitiu o maestro. Apesar do receio inicial em agarrar um projecto desta índole, pois “quando há mudanças de maestro, muitas das vezes, não são pacíficas”, Jaime Pascoal revelou que ficou “surpreendido pela positiva porque a banda demonstrou um nível bastante bom”, assim que ensaiou pela primeira vez.

“Há um trabalho muito grande a desenvolver e espero conseguir fazê-lo. Quero chegar a determinados níveis de qualidade que penso que é possível atingir”, assegurou. Apesar de saber que os objectivos a que quer chegar implicam um esforço muito grande, “há muita coisa a trabalhar em termos de conjunto e há que desenvolver um reportório de forma a fazermos bons concertos”, mencionou o maestro.

Para que seja possível evoluir e crescer musicalmente Jaime acredita que é necessário sair da “zona de conforto”. “A minha atitude vai passar um pouco por frequentar alguns encontros de bandas fora do concelho e concursos de bandas que são tudo coisas que ajudam a motivar os músicos e a desenvolver mais qualidade”, explicou.

O balanço do primeiro mês de trabalho é, nas palavras do maestro, bastante positivo: “ainda só passou um mês e poucos ensaios mas deu já para ver que dá para desenvolver um bom trabalho. Estou contente com o trabalho realizado neste pouco tempo e espero continuar assim.” Os ensaios da Sociedade Filarmónica Vermoilense decorrem na sede da instituição, aos sábados, das 21h às 23h. E, para mostrar o trabalho dos músicos e apresentar o novo maestro, vai realizar-se um concerto, às 21 horas na sede da filarmónica.

Mas não é só na filarmónica que o trombonista desenvolve um trabalho notável: pertence a um projecto que iniciou em Leiria, há três anos, com uns amigos, a Farratuga e frequenta a Orquestra de Jazz de Leiria.

“É um pouco complicado conciliar a direcção da filarmónica com outras actividades que tenho, mas há que gerir o tempo que há, e fazer as coisas sempre da melhor forma”, explica. Uma das propostas de que teve de prescindir para agarrar o projecto foi a de dar aulas de trombone na escola de música da filarmónica da Ilha. “Como são todas actividades relacionadas com o mundo do espectáculo pode haver colisão de datas. É preciso chegar a um consenso e viabilizar as coisas: se por um lado é cansativo, por outro acaba por ser compensador.” Acredita que é necessário estabelecer um plano prévio para cada semana: “as coisas são planeadas muito tempo antes e não de um dia para o outro, de outra forma não dá para chegarmos onde queremos”, declarou o maestro acerca do seu método de organização.

Currículo Musical
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Jaime Ferreira Pascoal iniciou os seus estudos aos nove anos de idade na Filarmónica Artística Pombalense. Aos 18 anos entrou no conservatório de Coimbra na qualidade de trombone. É licenciado em música, variante trombone, pela Escola Superior de Música de Lisboa desde 2013 e, neste momento, frequenta o mestrado em ensino de música na mesma escola. Frequentou diversos master class com trombonistas portugueses e estrangeiros de referência. Participou em estágios de orquestras, trabalhando com maestros como portugueses e estrangeiros. É membro da Orquestra de Jazz de Leiria e da Farratuga. Lecciona a disciplina de trombone em Ourém, na Ourearte e em Tomar, na Escola de Canto Firme desde o ano lectivo 2011/2012. Desde o ano 2000 dá aulas em diversas filarmónicas do concelho de Leiria, de Pombal e de Ansião. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"Sou um cantor ao vivo"

Revolucionário, contestatário e inconformista. Aos 73 anos de idade, José Cid considera-se um cantor ao vivo. Distinguido, em 2009, com o prémio de consagração de carreira pela Sociedade Portuguesa de Autores, o cantor vai lançar, já no próximo mês, mais um álbum, "Menino Prodígio", composto por baladas e músicas rock, que promete não desiludir os seus fãs. O autor de “Ontem Hoje e Amanhã”, "Junto à lareira", "A Rosa que te dei", "Adios, Adieu", "A minha música", "A pouco e pouco (Favas com chouriço)" e de muitas outras obras fala sobre o público, as músicas e os projectos para o futuro.


Ana Isabel Mendes (AIM): O José Cid percorre o país em tempos de crise. A crise que se faz sentir ao nível global também se reflecte nos seus concertos? 

José Cid (JC): A  crise é para quem canta mal e não tem público. Eu faço aquilo que eu  sempre soube fazer, que é cantar as canções que eu próprio escrevi, e não sinto crise nenhuma. A crise é mais para cantores que ganhavam 30, 40 ou 50 mil euros; esses estão atrapalhados porque as câmaras não têm dinheiro e, se calhar, até nem mereciam. Portanto, eu não sinto crise nenhuma. O que eu estou aqui a fazer é divertir-me, coisa que, em palco, é difícil fazer. Poucos cantores conseguiriam fazer um espectáculo de duas horas com piano. Talvez um Jorge Palma, um Luís Represas e pouco mais; não teriam a mesma dinâmica que eu tenho ao vivo. Isso é uma coisa que me diferencia; crise eu não sinto nenhuma: nem de criatividade nem de voz. 

AIM: O seu trabalho é transversal a diferentes idades e atravessa gerações. Como tem sido a receptividade do público aos seus álbuns? 

JC: Fantástica, não tenho problema nenhum de receptividade a nível nenhum porque os meus álbuns são feitos para as pessoas: não são elitistas nem são "pimba". São álbuns reais, de um cantor real que canta e que as produz, pois eu sou protagonista da minha obra. As pessoas preferem comprar coisas verdadeiras e não plágio ou obras de cantores que sabem perfeitamente que estão em estúdio e que são corrigidos do princípio ao fim com máquinas e que, ao vivo, não cantam assim.



AIM: Como é que alguém com tantos anos de carreira consegue manter salas de espectáculos cheias (inclusivamente, teve de se marcar uma sessão extra em Pombal)? Como tem mantido a sua carreira e atraído um público tão vasto?

    JC: Não sei, tem de perguntar às pessoas com carreiras efémeras porque o José Cid existe. Eu sou o José Cid: se não tivesse feito uma carreira aqui poderia ter feito noutros países, mas graças a Deus fi-la aqui, com o meu público e tenho uma homenagem que é nacional e única, na música da história portuguesa. Com a idade que eu tenho, cantar em Queimas-das-Fitas e Latadas com público jovem a ouvir o Rock'n Roll, porque eu quando canto nessas áreas faço espectáculos com música deste género ou muito próxima, diferente, com muita dinâmica. Ter 70 mil pessoas em Cascais, na Festa do Mar, para me ouvirem durante duas horas e meia, 200 mil pessoas na passagem do ano a cantar comigo do princípio ao fim na Praça do Comércio... A minha obra e a minha carreira falam por mim. Quase que nunca houve ninguém com a minha idade que tivesse esta dinâmica e a energia que eu tenho para cantar, com concertos tão cheios e com um público sempre a querer ver. Em Pombal esgotei o primeiro concerto, teve de se marcar outro e, se voltasse amanhã, teria novamente a sala cheia.
      
AIM: Não é a primeira vez que está em Pombal. Que sentimentos lhe desperta esta cidade? 

JC: É uma cidade que eu considero ser muito portuguesa. O facto de ser bastante central define muito aquilo que é o Portugal profundo no bom sentido. É uma cidade com muitas histórias, com muita história, é realmente uma cidade que tem muito a ver com a história do país. É uma cidade que me atrai muitíssimo. Aqui estão pessoas que têm sido sempre muito minhas amigas. 

    
AIM: Que características o definem?

JC: Levo uma vida muito saudável, canto, sou muito provocador, não fujo a nada e sou um bocadinho contra o sistema. Sou revolucionário. Tenho 28 canções proibidas de antes do 25 de Abril, só que não tenho necessidade nenhuma de obrigar as pessoas a pensar de outra maneira que não seja a do 25 de Abril. Eu tenho as minhas opções. 

AIM: Que projectos tem para o futuro? Para quando planeia lançar um novo álbum?
  
JC: O lançamento do meu novo álbum, "Menino Prodígio", que é muito roqueiro, muito inesperado, com muita intervenção poética, composto por baladas e rock. Eu espero que vá ao encontro das novas gerações. Este meu novo álbum, em termos poéticos,é muito contestatário. Os meus três últimos álbuns anteriores são basicamente, compostos por baladas, e este não. 

AIM: O concerto desta noite (22 de Fevereiro) superou as suas expectativas?

JC: Não, é a apoteose em todas as cidades por onde tenho passado:  Aveiro, Braga, Porto e Lisboa. [O concerto] foi apoteótico. É disso que eu estou à espera e as pessoas sabem que estou aqui para me entregar à música. Eu sou um cantor ao vivo mesmo. Há por aí gente que grava discos muito bonitos mas, ao vivo, adeus. Eu sou um cantor que escreve canções para si próprio. Há pessoas que têm projectos musicais muito bons, mas que ao vivo decepcionam: ou porque bebem muito álcool, ou porque já vêm muito chatos. Não é a mesma coisa. Eu tenho de definir a minha diferença por ser ao vivo. E o facto de eu me aguentar estes anos todos é as pessoas saberem que vão para um concerto do José Cid, e se vão divertir, sabem que vai ser bem cantado e bem tocado e sabem que eu não vou falar muito. O que as pessoas querem é ouvir música.