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sábado, 12 de novembro de 2016

Web Summit: a minha experiência

Terminou quinta-feira, 10 de novembro, mais uma edição do evento mais tecnológico do mundo: a Web Summit 2016. Conferências, discursos, encontros, (des)encontros, pitches, partilhas de experiências e trocas de impressões: tudo fez parte de um evento que fez de Portugal a capital tecnológica europeia, durante três dias, dirigido pelo irlandês Paddy Cosgrave e destinado a todos os amantes e entusiastas do mundo da tecnologia e da inovação.

Foram cerca de 53 mil pessoas que, durante quatro dias - tendo em conta o fim de tarde do dia sete, da abertura, passaram pelos pavilhões da Feira Internacional de Lisboa (FIL) para verem algo novo, inovador e totalmente disruptivo. Investidores, empreendedores, jornalistas e representantes de meios de comunicação sociais nacionais e internacionais, curiosos e geeks de diversas nacionalidades tiveram a possibilidade de alargar a rede de contactos e fortalecer o seu networking.

Todas as conferências foram ministradas em língua inglesa e havia um espaço dedicado somente às mulheres, onde a entrada estava vedada a homens: o women in tech. O pavilhão do Meo Arena teve quase sempre lotação esgotada e nomes como Luís Figo (futebolista português), Sean Rad (fundador do Tinder), Bob Greitfeld (CEO da Nasdaq) e outros de igual relevância fizeram as delícias dos participantes.

Sociedades do Futuro, tecnologia auto, robótica, inteligência artificial redes sociais, universidades de start-ups e criatividade foram alguns dos temas levados a debate nos vários locais apropriados para o efeito (de certo que 53 mil pessoas não caberiam, simultâneamente, no Meo Arena e, claro está, a dispersão humana seria fundamental para justificar a realização de um evento com tamanho investimento e relevância!

Além da Web Summit das-10-às-17h30 havia, no fim da tarde, o Sunset Summit, onde, junto ao pavilhão da FIL, produtores artesanais mostravam os seus artifícios endógenos, noites de fados e outros eventos que tais. Quem não esteve muito cansado à noite, para espairecer, beber uns copos e conhecer mais uns empreendedores, teve a oportunidade de dar um saltinho à Night Summit na Baixa-Chiado.

Gostei de tudo e será difícil selecionar as talks que mais me interessaram. Mas, uma vez que a sociedade, o empreendedorismo e as pessoas são temas que me suscitam um maior interesse, arrisco dizer que tudo o que tive oportunidade de ouvir sobre empreendedorismo social me deixou mais elucidada e interessada nessa temática em particular. 

Como rapariga não me senti discriminada, nem assediada, nem nada que se pareça - quero deixar isto bem claro porque há por aí opiniões de pessoas que não estiveram no evento que insistem em falar na Web Summit como um evento bem conseguido para promover o "engate", o género de um Tinder temporário. Não, nada disso. Fui muito bem recebida e sinto que voltei culturalmente bem mais rica de Lisboa.

Se não tiver oportunidade de voltar, a este evento, que prevê realizar-se nos próximos três anos em Portugal, guardo boas recordações de uma conferência sem género, sem idades, sem crenças religiosas, sem raças, sem profissões e que colocou em comum uma quantidade estrondosa de pessoas que gostam, vivem ou apreciam tecnologia. Serviu para espairecer do ambiente de escritório e ganhar contactos que um dia, quem sabe, poderão vir a ser muito úteis.





segunda-feira, 21 de março de 2016

Comunidade escolar reuniu-se para falar sobre inclusão

“Incluir para o Sucesso” foi o tema que levou dezenas de pessoas ao auditório da Escola Secundária de Pombal, no final da tarde da passada terça-feira, 15 de Março. Organizada pelo Grupo de Educação Especial do Agrupamento de Escolas de Pombal, a palestra quis “sensibilizar para o reconhecimento das capacidades e das competências da pessoa com deficiência”. O balanço foi, no fim, muito positivo.

 “O objectivo é o de promover a inclusão e sossegar os pais relativamente ao futuro dos filhos. Temos casos de pais com filhos invisuais e temos meninos surdos”, explicou a coordenadora do projecto que faz parte do Plano Anual de Actividades do Agrupamento, Patrícia Lima. “Trouxemos testemunhos de pessoas com essas deficiências para mostrarmos como é possível terem um percurso académico e uma inserção favorável no mercado de trabalho”, continuou.

A Mestre Lurdes Gonçalves, com dificuldades auditivas, o Mestre João Silva, invisual e Sabina Barros, com paralisia cerebral, tiveram a oportunidade de partilhar os seus testemunhos junto da comunidade educativa. As dificuldades do dia-a-dia, a formação académica e profissional, as actividades quotidianas e as vitórias diárias foram alguns dos tópicos em discussão. A moderação do debate foi levada a cabo pela professora da Escola Superior de Educação de Coimbra, Professora Doutora Anabela Ramalho, e esteve ainda presente a intérprete de Língua Gestual Portuguesa, Ana Silva.

“Convidámos toda a comunidade escolar, nomeadamente as pessoas que lidam todos os dias com as crianças e com os jovens adultos que têm estas dificuldades”, frisou Patrícia Lima, uma das doze pessoas que integram o Grupo de Educação Especial. “Queremos mostrar que todas as pessoas conseguem ter um percurso independentemente das limitações que vão surgindo”, acrescentou. Além de querer sensibilizar para o reconhecimento das capacidades e das competências da pessoa com deficiência, os oradores quiseram mostrar como é possível a integração no mercado de trabalho, mesmo com limitações.


“Eu penso que os testemunhos reais têm mais impacto sobre as pessoas”, destacou Patrícia Lima, frisando a importância da promoção da inclusão e a divulgação deste género de acções junto da comunidade escolar e educativa. 

sábado, 31 de maio de 2014

Espaço Lusófono: uma comunidade heterógena e multirracial?

"Espaço Lusófono" em debate na Calouste Gulbenkian
Esta questão estiveram em cima da mesa durante a conferência “Espaço Lusófono
(1974-2014): Trajetórias Económicas e Políticas” na Fundação Calouste Gulbenkian entre os dias 29 e 31 de maio. Entre os painéis mais importantes destacaram-se: “Mobilidades, Culturas e Identidades” e “Lusofonias/Lusotopias”. Segundo os oradores, o espaço lusófono é mais do que um espaço delimitado geograficamente. É uma comunidade heterógena e multirracial unida por uma língua comum: a língua portuguesa.

Durante o painel “Mobilidades, Culturas e Identidades”, três oradores e a plateia discutiram a visão do espaço lusófono e muitos deles concordaram com a mesma ideia de que o espaço lusófono não é apenas constituído pelos países da língua portuguesa, mas também é formado pelas comunidades falantes da língua portuguesa. 

Joanna Mormul, doutoranda da Universidade de Jagiellonian na Polónia, falou do seu trabalho sobre emigrantes dos países do Chifre da África que passam por Moçambique com o objetivo de seguir rumo à África do Sul. Defendeu que muitos destes emigrantes fixam-se em Moçambique pois demoram anos para atravessar as fronteiras e chegar ao seu destino, e assim, são influenciados pela cultura moçambicana. Joana ilustra que o espaço lusófono não só é constituído pelas pessoas que nasceram no país falante da língua, mas também pelos seus imigrantes. 

Por sua vez, Kimberly Holton da Universidade de Rutgers em Nova York, compartilhou o seu estudo etnográfico e antropológico com a comunidade de “Retornados” angolanos e portugueses que hoje vivem em Nova Jersey, EUA. Ao contrário de Joanna Mormul, Kimberly sublinhou a importância dos emigrantes de países falantes da língua portuguesa na criação de uma comunidade multifacetada para os países para onde se deslocaram.

“Os emigrantes de países falantes da língua portuguesa criaram uma comunidade heterógena e multirracial nos locais para onde migraram” – Kimberly Holton.

Para finalizar este painel, Pedro Candeias do ISCTE-IUL, e investigador membro do SOCIUS-ISEGE/ULisboa, mostrou informações mais quantitativas sobre a emigração portuguesa desde os anos de 1975. À semelhança da pesquisa de Kimberly Holton, Pedro mostrou diversos gráficos e tabelas que ilustravam o aumento da emigração portuguesa para o Brasil, Angola, Moçambique, e até mesmo para o Reino Unido e EUA desde 1974. 
Os três académicos mostraram que as comunidades falantes da língua portuguesa também pertencem ao “espaço lusófono”. Apesar de não viverem em países que falam a língua portuguesa, estão ligados através de vínculos históricos que os unem. 

No painel “Lusofonia/Lusotopia”, dois oradores discutiram o significado da palavra “Lusofonia” e como esta pode-se definir dentro do espaço lusófono. 

Michel Cahen, professor do Centre Les Afriques dans le Monde e Sciences Po Bordeaux, utilizou o termo “lusotopia”, ao invés de “lusofonia”, para definir os vínculos entre as comunidades que falam português. Ressalta que, “lusofonia é uma mera dilatação da lusitaniedade, que se assemelha muito ao imperialismo cultural. A língua portuguesa é uma identidade comum”. 

Por sua vez, Ana Paula Labourinho, professora da FL/ULisboa e Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, reforça o argumento de Cahen ao dizer que a língua portuguesa deveria ser um instrumento de conhecimento e unificação entre os falantes. Mas, a professora também reforça:“ ‘Lusofonia’ é um império material. Existe uma procura da reconstituição do império português através da Língua Portuguesa. Acredito que esta é um meio de comunicação, um instrumento comum para conectar os países falantes da língua”.
 
Os dois oradores apontaram que o termo lusofonia revela um sentimento que nos traz ao passado e que não deve ser utilizado no presente ou no futuro. 

O evento que contou com a presença de mais de 40 pessoas surgiu para promover um debate acerca do “Espaço Lusófono” e perceber como tem evoluído ao longo dos 40 anos do pós-25 de Abril. Entre oradores e ouvintes, o espaço encheu-se de pensamentos, ideias, e questões das dimensões económicas, políticas e culturais do espaço lusófono. 

com Rodrigo de Moraes