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| "Espaço Lusófono" em debate na Calouste Gulbenkian |
Esta questão estiveram em cima da mesa durante a conferência “Espaço Lusófono
(1974-2014): Trajetórias Económicas e Políticas” na
Fundação Calouste Gulbenkian entre os dias 29 e 31 de maio. Entre os painéis
mais importantes destacaram-se: “Mobilidades, Culturas e Identidades” e “Lusofonias/Lusotopias”.
Segundo os oradores, o espaço lusófono é mais do que um espaço delimitado
geograficamente. É uma comunidade heterógena e multirracial unida por uma
língua comum: a língua portuguesa.
Durante o
painel “Mobilidades, Culturas e Identidades”, três
oradores e a plateia discutiram a visão do espaço lusófono e muitos deles
concordaram com a mesma ideia de que o espaço lusófono não é apenas constituído
pelos países da língua portuguesa, mas também é formado pelas comunidades falantes
da língua portuguesa.
Joanna Mormul,
doutoranda da Universidade de Jagiellonian na Polónia, falou do seu trabalho sobre
emigrantes dos países do Chifre da África que passam por Moçambique com o
objetivo de seguir rumo à África do Sul. Defendeu que muitos destes emigrantes
fixam-se em Moçambique pois demoram anos para atravessar as fronteiras e chegar
ao seu destino, e assim, são influenciados pela cultura moçambicana. Joana ilustra
que o espaço lusófono não só é constituído pelas pessoas que nasceram no país
falante da língua, mas também pelos seus imigrantes.
Por sua vez,
Kimberly Holton da Universidade de Rutgers em Nova York, compartilhou o seu
estudo etnográfico e antropológico com a comunidade de “Retornados” angolanos e
portugueses que hoje vivem em Nova Jersey, EUA. Ao contrário de Joanna Mormul,
Kimberly sublinhou a importância dos emigrantes de países falantes da língua
portuguesa na criação de uma comunidade multifacetada para os países para onde
se deslocaram.
“Os emigrantes de países falantes da língua portuguesa
criaram uma comunidade heterógena e multirracial nos locais para onde migraram”
– Kimberly Holton.
Para
finalizar este painel, Pedro Candeias do ISCTE-IUL, e investigador membro do
SOCIUS-ISEGE/ULisboa, mostrou informações mais quantitativas sobre a emigração
portuguesa desde os anos de 1975. À semelhança da pesquisa de Kimberly Holton,
Pedro mostrou diversos gráficos e tabelas que ilustravam o aumento da emigração
portuguesa para o Brasil, Angola, Moçambique, e até mesmo para o Reino Unido e
EUA desde 1974.
Os três
académicos mostraram que as comunidades falantes da língua portuguesa também pertencem
ao “espaço lusófono”. Apesar de não viverem em países que falam a língua
portuguesa, estão ligados através de vínculos históricos que os unem.
No painel “Lusofonia/Lusotopia”, dois oradores discutiram o significado
da palavra “Lusofonia” e como esta pode-se definir dentro do espaço lusófono.
Michel Cahen, professor do Centre Les
Afriques dans le Monde e Sciences Po Bordeaux, utilizou o termo “lusotopia”,
ao invés de “lusofonia”, para definir os vínculos entre as comunidades que
falam português. Ressalta que, “lusofonia é uma mera dilatação da
lusitaniedade, que se assemelha muito ao imperialismo cultural. A língua
portuguesa é uma identidade comum”.
Por sua vez,
Ana Paula Labourinho, professora da FL/ULisboa e Camões – Instituto da
Cooperação e da Língua, reforça o argumento de Cahen ao dizer que a língua
portuguesa deveria ser um instrumento de conhecimento e unificação entre os
falantes. Mas, a professora também reforça:“ ‘Lusofonia’ é um império material. Existe uma procura
da reconstituição do império português através da Língua Portuguesa. Acredito
que esta é um meio de comunicação, um instrumento comum para conectar os países
falantes da língua”.
Os dois
oradores apontaram que o termo lusofonia revela um sentimento que nos traz ao
passado e que não deve ser utilizado no presente ou no futuro.
O evento que
contou com a presença de mais de 40 pessoas surgiu para promover um debate
acerca do “Espaço Lusófono” e perceber como tem evoluído ao longo dos 40 anos
do pós-25 de Abril. Entre oradores e ouvintes, o
espaço encheu-se de pensamentos, ideias, e questões das dimensões económicas,
políticas e culturais do espaço lusófono.
com Rodrigo de Moraes

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