terça-feira, 10 de junho de 2014

Dia de Camões, dia das comunidades portuguesas, dia da revolta e da indignação

Monumento a Camões em Lisboa | Fonte: Wikipédia
Celebra-se hoje o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Os festejos deste ano celebram-se na Guarda. Ligo a televisão e, a primeira coisa que ouço é: "Demissão, demissão, demissão!" - os convencionais protestos dos sindicalistas que, segundo as palavras dos jornalistas da RTP1, foram um dos factores contributivos à  indisposição de sua excelência, Presidente da República Cavaco Silva. Sim, enquanto lia a segunda página do discurso (que tem cinco, por sinal), sentiu-se mal. Neste momento está a ser assistido por uma equipa do INEM. Os manifestos prosseguem. Coincidência? Karma? Ou puro cinismo?

Pede-se, agora, silêncio. Pina Monteiro, chefe de estado-maior geral das Forças Armadas, pede respeito por Portugal e por sua excelência, Presidente da República Aníbal Cavaco Silva (convém que se repita) e, também, comedimento nos manifestos dos sindicalistas. De facto, tal como todo o comum mortal, o nosso excelentíssimo Presidente da República gostaria que as suas palavras fossem ouvidas num silêncio consensual. Isso não acontece.  A população grita o seu nome ao mesmo tempo que aplaude. Há coisas que, realmente, parece que não acontecem por acaso. É karma, tenho dito. Mas vá, parece que o estado de Cavaco Silva está a melhorar e não tarda em regressar os discursos. 

Mas hoje não deveria ser dia de união? E é de indignação? Porquê? Talvez seja o presságio de que nem tudo está a correr como deveria...

Depois deste devaneio inicial escrevo acerca da motivação que me levou a ligar o computador, mais precisamente, a escrever uma nova mensagem no blogue, nesta manhã solarenga. Hoje é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. É o dia em que se assinala a morte de Luís Vaz de Camões, o terrífico poeta que, quase todos os anos, atormenta os piores pesadelos e os exames nacionais dos alunos do 12º ano com os seus habituais "Lusíadas".

(entretanto parece que Cavaco Silva regressou, desta vez com mais severidade, convicção e afinco ao seu discurso...)

Prosseguindo, é o Dia do Santo Anjo da Guarda de Portugal e também um feriado nacional de Portugal. Durante o Estado Novo, de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, era celebrado como o Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses.

Na sequência dos trabalhos legislativos após a Proclamação da República de 5 de Outubro de 1910, foi publicado um decreto em 12 de Outubro estipulando os feriados nacionais. Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência social da igreja católica e laicizar o Estado.

Luís de Camões (que não era tão mauzinho como umas linhas acima o pintei) representava o génio da pátria na sua dimensão mais exuberante, significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho, apesar de nos primeiros anos da República ser um feriado exclusivamente municipal. Com o 10 de Junho, os republicanos de Lisboa tentaram invocar a glória das comemorações camonianas de 1880, uma das primeiras manifestações das massas republicanas em plena monarquia. 

O 10 de Junho começou a ser particularmente exaltado com o Estado Novo, o regime instituído em Portugal em 1933 sob a direcção de António de Oliveira Salazar. Foi a partir desta época que o dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional.   

Durante o Estado Novo, o 10 de Junho continuou a ser o Dia de Camões. O regime apropriou-se de determinados heróis da República, não no sentido laico que os republicanos pretendiam, mas num sentido nacionalista e de comemoração colectiva histórica e propagandista.  

As comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas são celebradas por todo o país, mas só as Comemorações Oficiais são presididas por sua excelência, o Presidente da República e muitas outras individualidades como o Primeiro-Ministro, os Embaixadores e outras demais ilustres personalidades. 

As comemorações envolvem várias cerimónias militares, exposições, concertos, cortejos e desfiles, além de uma cerimónia de condecorações feita pelo Presidente da República. Desde 1977 dezenas de cidades já receberam as comemorações. Todos os anos, o Presidente da República Portuguesa elege uma cidade para ser sede das comemorações oficiais. Este ano foi a vez da cidade da Guarda.

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