sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Dália Mendes expôs stand durante Festas do Louriçal


Do Louriçal para França e de França para Portugal. Foi assim que nasceu, entre conversas de colegas e em 2010, a Laureve Dragées, uma empresa de brindes para casamentos e batizados, cedeada em Pontault Combault, França. A gerente é Dália Mendes, natural do Casal do Queijo, freguesia do Louriçal.

A tradição francesa é a dona do negócio: “manda que nos casamentos seja possível fazer brindes com amêndoas”, afirma a gerente. O fornecedor das amêndoas é o Medicis e há-as para todos os gostos e texturas: “com nutela, sal, caramelo e cappuchino, entre outros”, explica Dália.

O crescimento exponencial da empresa é já uma realidade e, ao fim de quatro anos de existência, conta com “algumas expo-noivas, vários casamentos, batizados e comunhões”. O balanço é muito positivo e “cerca de 90% das clientes são portuguesas ou luso-descendentes”, afirma.

Dália Mendes expôs o seu stand, durante os festejos da vila do Louriçal, entre os dias 14 e 17 de agosto. Quer continuar a expandir o seu negócio e a apresentar o seu trabalho a possíveis clientes e patrocinadores. Neste momento o objetivo é “fazer a ligação entre França e Portugal”. Conta até que já trabalha em parceria com a Foto Cardal há três anos e com a Florista Lélia.

(publicado na edição de setembro do "Notícias da Sua Terra")

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Obras no centro histórico levam mais gente ao coração da cidade


“Dar a prioridade ao peão no centro histórico, garantir que a circulação automóvel acontece nesta zona, sendo que interfira o mínimo com a vivência neste espaço público” foi, nas palavras do vereador Renato Guardado, o mote da proposta que levou cerca de 70 pessoas à sessão de esclarecimento que se realizou nos Paços do Concelho por volta das 19h da passada quarta-feira, dia 30 de Julho.

Em cima da mesa esteve a apresentação de uma proposta cujo objetivo primordial é estabelecer uma melhor forma para utilizar as ruas da cidade. A rua Direita, a rua dos Loureiros, a rua de Sto. António e a rua do Mancha Pé são, de acordo com o presidente da câmara, Diogo Mateus, aquelas que vão ser alvo de “reorganização do trânsito”. Pretende-se, assim, que exista uma “convivência entre políticos e peões no espaço intervencionado”. 

A apresentação da proposta prevê a libertação do centro histórico dos obstáculos, como os estacionamentos indevidos, apesar de os sentidos do trânsito se manterem na sua grande maioria. Pretende-se que as alterações sejam feitas de forma a “facilitar o acesso” ao centro histórico da cidade. 

No que se refere aos estacionamentos e à paragem dos veículos, “é permitida para cargas e descargas unicamente, ou seja o tempo estritamente necessário, sendo que o estacionamento deve ser efetuado nos parques construídos em locais estratégicos da cidade adjacentes à zona histórica” frisou o vereador. Com esta medida pretende-se garantir “o estacionamento e conseguir fazer melhor pelo centro histórico e por toda a gente que aí habita”. 

Principais alterações

Entre as principais alterações podem contar-se a da rua Almirante Reis, cujo objetivo é circular em sentido descendente e sair pelo largo do Cardal (cedência de passagem com prioridade); de rua pedonal, as ruas José Falcão e Miguel Bombarda, vão passar a ser frequentadas por motoristas e a rua Conde Castelo Melhor, embora tenha agora um sentido ascendente, pretende-se colocar com um descendente.

Com estas mudanças pretende-se “abrir o centro histórico e a cidade às pessoas sempre em segurança” para que não aconteça o que se passou anteriormente: “no passado teríamos muita dificuldade em chegar ao centro histórico da cidade”, explicou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal, José Costa. 

Desobstruir as entradas nos edifícios, possibilitar uma segurança mais eficaz, evitar os estacionamentos em frente às portas dos edifícios e possibilitar a entrada dos meios de socorro em todas as zonas do centro histórico são medidas que fazem ainda parte desta proposta.

O comissário da PSP, Manuel dos Santos acredita que, com esta reorganização do espaço público, que tem como foco as ruas e os estacionamentos afetos ao centro histórico da cidade, “permitem desenvolver as atividades comerciais, andar e circular livremente nas zonas do centro histórico de Pombal”. Frisou ainda o decreto-lei 72/2013 referente ao código da estrada onde se estabelecem os princípios das “zonas de coexistência”.

Estiveram presentes cerca de 70 pessoas, entre os quais os moradores e comerciantes afetos às ruas e aos parques de estacionamento que vão ser alvo de intervenção, que puderam expôr as suas dúvidas no fim da assembleia. 

Entre as questões que suscitaram uma maior discussão estiveram os estacionamentos nas garagens localizadas na Rua Conde Castelo Melhor, uma vez que as pessoas só as podem utilizar se o sentido da rua for ascendente e o facto de a Travessa dos Loureiros ser de sentido único, que carece de estacionamentos para os moradores.

Em resposta a estas questões Renato Guardado assegurou que vão “ter uma intervenção mais assertiva por parte das autoridades para educar as pessoas a estacionar de uma forma que favoreça todos”.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Há mercearias que estão abertas depois das 19

Há mercearias que estão abertas depois das 19h e dão vida às ruas de Benfica. Surgem com uma alternativa às pessoas que, depois de saírem dos empregos, querem fazer compras de última hora. Numa altura em que tanto se fala de crise, será esta uma alternativa para contornar este problema?       
                                                                                                                
São nove horas da manhã. É sábado. Muitas pessoas ainda dormem; é dia de descansar até mais tarde. No entanto, já há algum tempo, há vida no comércio Lisboeta. Junto ao mercado de Benfica ouvem-se vozes de peixeiras e de ciganas que tentam vender os seus produtos. Sigo em frente, rumo à estrada de Benfica.                 
                                                                    
Deparo-me com uma pequena mercearia junto à estrada. Olho para a placa com umas letras vermelhas por cima da porta, onde se lê “Mini Mercado”. Entro e observo atentamente cada um dos produtos que o estabelecimento contém. Mesmo à minha frente está um jovem moreno que me pergunta, gentilmente, se pode ajudar. Começo por me apresentar e por lhe falar no meu propósito. O comerciante diz-me que não entende o português. Proponho-lhe que falemos em inglês para entendermo-nos.                                                                                                                  
Bijay Wagle é nepalês e trabalha nesta mercearia há dois meses. Quando o questiono acerca do horário de abertura e de fecho diz-me que abre às 9h e fecha às 22h, sete dias por semana. Apercebo-me de que esta é uma das mercearias que procurava. Interesso-me por saber que produtos vende depois das 19h. “A essa hora 19h vendo cerveja a homens com 30 ou 40 anos”, diz-me num inglês arranhado.                                                                                

Observo que a mercearia tem uma grande variedade de produtos, quer alimentares, quer de higiene. Entretanto chega uma cliente simpática. “Olá”, saúda, entusiasticamente, o merceeiro. A resposta é um sorriso estampado no rosto da senhora. Enquanto escolhe o que vai levar, pergunto a Bijay qual é a razão pela qual a mercearia fecha tão tarde. “ É para poder vender mais”, tenta dizer em português.

O nepalês veio para Portugal depois de ter estado a viver em Inglaterra. Afirma que veio para trabalhar, porque no seu país as condições de vida são pouco favoráveis. Apesar de não ter um salário fixo todos os meses, vive daquilo que vende e que divide com os dois colegas que trabalham consigo. Não se queixa da crise e mal se apercebe de que ela existe; consegue pagar as suas despesas com o que ganha na mercearia.                 
                                                        
A senhora que há uns minutos havia entrado já se prepara para sair. Leva umas batatas e algumas hortaliças. Quase se esquece de levar o saco com as rosas, que tinha pousado junto às caixas onde estão as hortaliças. Seguem-se momentos de aprendizagem. “Sabe como se diz comer a esta hora, em português?”, pergunta a senhora calva. Abana a cabeça dizendo que não. “Pequeno-almoço!”, responde ela. O comerciante nepalês tenta dizer várias vezes a palavra até que acerta. “É muito difícil”, diz num português quase claro. Ensina a senhora a dizer o mesmo mas na sua língua. “Ui, isso é que é complicado”, replica a mulher. Despede-se e sai.      
                          
Bijay fala-me um pouco acerca do seu percurso de vida. Já esteve em Inglaterra mas decidiu vir para Portugal há dois meses. É aqui que tem amigos. Também lhe falo um pouco sobre mim. Mas tenho de prosseguir o meu caminho. Agradeço e despeço-me saindo da loja com um pacote de leite e umas pêras maduras.      
                                                                                                                       
Sigo a rua paralela à avenida do Uruguai. São, agora, 10 horas. Vejo um estabelecimento com dimensões superiores à do anterior. Olho para o horário de abertura e para o de fecho, 9h e 21h respectivamente, durante sete dias por semana. Lanço um olhar rápido para o interior da loja. Arrisco e entro.           
                                                                                   
Assim que me dirijo a uma pessoa com feições indianas, apresento-me. Digo-lhe que sou uma aluna de jornalismo e que estou a fazer uma reportagem sobre a crise no comércio tradicional. Mais uma vez a língua parece ser um obstáculo. Tem dificuldades em entender o português; por isso falo devagar e pausadamente.                  
                                                                                  

MS Misbah Uddin, indiano, mostra-se, desde logo, receptivo às minhas questões. No que respeita à crise, diz-me que a tem notado mas que, se fizer os preços mais baratos, consegue mais atrair mais clientes. A boa qualidade dos produtos a um baixo preço é um factor determinante para o sucesso da mercearia.                                              

Fala-me acerca de uma loja que está aberta até à meia-noite, no Areeiro. Lá já ouve situações conflituosas, ao contrário daquilo que se passa na mercearia situada em Benfica. Na quinta-feira passada dois homens armados tentaram assaltar o estabelecimento; no entanto, não tiveram sucesso porque os comerciantes conseguiram defender-se.
                                                                       
Quando lhe pergunto porque não fecha a mercearia mais tarde, o comerciante indiano diz-me que teria de pagar mais aos empregados se eles estivessem lá até às 24h, mas que assim paga o ordenado mínimo. Peço-lhe para me falar sobre se tem sentido o efeito da concorrência das grandes superfícies comerciais. À porta da mercearia aponta para o supermercado que está em frente à estação de Benfica. Acredita que tem poucos clientes devido à concorrência; o “Mini-Preço” e o “Lidl” são exemplos de superfícies comerciais que lhes tiram clientes.                              
                                                                                                             
 “Fechamos quando não temos clientes”, responde num português quase imperceptível, quando lhe pergunto qual é a razão pela qual a mercearia fica aberta até mais tarde. De facto, é a partir das 19h que muitas pessoas saem dos seus empregos e, por isso, costumam passar pela mercearia, já que muitos outros estabelecimentos estão fechados. Aí podem fazer as compras de última hora. Por outro lado, o facto de o estabelecimento se localizar junto a uma paragem de autocarros em muito facilita a deslocação dessas pessoas.                                                                                              
Há homens e mulheres na mercearia. Enquanto a entrevista decorre é continuamente interrompida por clientes que querem pagar para irem embora. Vejo que as pessoas que vão entrando e saindo são de idade; afinal são elas as que mais frequentam as mercearias por onde passei.                                                                                                                                              
São horas do almoço. O sol já não se esconde por detrás da neblina matinal. Brilha e contrasta com a manhã repleta de nuvens cinzentas. Continuo à procura de imigrantes merceeiros. Sigo rumo à zona da Buraca e avisto uma mercearia repleta de frutos no seu exterior. Aproximo-me e entro.                   
Estão dois homens a conversar. Entro e explico ao senhor que está a almoçar quem sou e o que pretendo. Desde logo, o cabo-verdiano disponibiliza-se a responder às minhas questões. Mas antes, oferece-me um pouco da sua refeição. Agradeço, digo que já almocei, e desejo-lhe um bom apetite.  
                                    
Começo por perguntar há quantos anos está na mercearia. “Há dois anos, trabalho por conta própria”, responde com dificuldade, em português. Acrescenta que a mercearia está aberta sete dias por semana, das 9h às 19h30.  

Enquanto aponto as suas respostas no caderno, pergunto-lhe se alguma vez pensou em fechar a mercearia mais tarde. Diz-me que não. Para si, “o descanso é necessário e não penso fechar mais tarde, pois, se não há facturação durante o dia também não vai haver à noite”, diz num tom monocórdico.                                                                                                                           

Quem frequenta a mercearia e, em média, quanto gasta em compras? Felisberto Furtado afirma que os clientes são, maioritariamente, os que vivem na zona; na Buraca e na Cova da Moura. No que se refere aos gastos que as pessoas fazem, não são muito abundantes. “Gastam, no máximo, três ou quatro euros”, responde desanimadamente. Acrescenta, ainda, que o que ganha na mercearia não dá para pagar as despesas e o aluguer do espaço. Se o negócio continuar assim terá de fechar. “Antes fechar que deixar de pagar ao senhorio”, diz.                       
                                                                                                                              
Há pessoas a chegar. Antes de ir embora quero saber que tipo de produtos são mais procurados. “São as bananas e os produtos africanos, entre os quais a mandioca, a banana verde e a batata-doce”, responde um pouco mais animado. Contudo, tal como anteriormente havia afirmado, “cada vez tem vindo cá menos gente”. Começou a reparar que a quebra do negócio veio a agravar-se este ano.                                                                                                  
Quando já tenho os dados que pretendo, peço para fotografar a mercearia. Após a autorização, disponho-me a continuar o meu trabalho. Quando termino volto a olhar para dentro da mercearia e despeço-me do merceeiro cabo-verdiano. O sol vai alto e aquece-me. Continuo o meu percurso.          
              
A crise chegou e não irá embora tão depressa. Felisberto, apesar de só estar em Portugal desde 2010, sente a queda das vendas desde então. Não prevê que num futuro próximo a situação se irá modificar. A única solução passará, talvez, por fechar a loja e voltar à sua terra natal, Cabo-Verde.       
                                              
A tradição diz que uma grande parte dos merceeiros vive no andar de cima do seu local de trabalho. Mas com estes trabalhadores imigrantes, o mesmo não acontece. Tanto o Bijay Wagle como o merceeiro da mercearia localizada na avenida do Uruguai vivem em zonas diferentes da cidade e acabam por ter de se deslocar, normalmente a pé, até ao local de trabalho.                
                                         
Apesar de não serem só os mais jovens que se deslocam, à noite, às mercearias, a procura de álcool e de tabaco é a mais notada. Devido à menor concorrência depois das 19h, fechar os estabelecimentos à noite, passa por ser uma mais-valia para quem quer contornar a crise.