Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/academicos-acusam-governo-de-falta-de-respeito-constitucional-pelas-universidades-1619565#/0
Grupo de docentes argumenta que corte em excesso de “42 milhões de euros são a última gota de água” e “ameaçam levar a universidade ao ponto de não funcionamento”.
Grupo de docentes argumenta que corte em excesso de “42 milhões de euros são a última gota de água” e “ameaçam levar a universidade ao ponto de não funcionamento”.
Um grupo de cerca de meia centena de
professores e investigadores universitários concentrou-se nesta segunda-feira
em frente ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), em Lisboa, em protesto
contra a “falta de respeito constitucional” que o Governo tem demonstrado pelas
universidades e ainda para reivindicar a reposição das verbas cortadas em
excesso no Orçamento do Estado 2014 para o ensino superior. Os académicos
deixaram mesmo uma calculadora no MEC para ajudar o ministro Nuno Crato a fazer
as contas e a repor as verbas.
Segundo o
grupo de académicos que foi até ao MEC, os cortes em excesso no sector,
incluindo universidades e institutos politécnicos, chegam a 42 milhões de
euros. O porta-voz do grupo, José Emílio Ribeiro, explicou que entregar uma
calculadora a Nuno Crato é “um acto simbólico” que pretende alertar para as
consequências que os cortes no sector podem ter: “Os 42 milhões de euros são a
última gota de água numa via-sacra de cortes que ameaçam levar a universidade
ao ponto de não funcionamento”: “E não é tanto a quantidade de dinheiro que é
simbólica mas a justificação técnica para o corte. Essa justificação releva uma
falta de consideração constitucional pela universidade portuguesa”, afirmou.
Num
manifesto que José Emílio Ribeiro leu em voz alta salienta-se que o objectivo é
que o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, transmita ao Governo “o forte
sentimento de agravo que perpassa, hoje, pelo ensino superior” e que se deve à
forma como os cortes estão a ser feitos no sector: “uma forma que releva de uma
falta de respeito constitucional pela universidade”.
José Emílio
Ribeiro, que pertence ao conselho geral da Universidade de Lisboa e é
investigador-coordenador do Instituto Superior Técnico, salientou ainda que não
se trata de um “movimento sedicioso contra ninguém”: “É um movimento a favor do
meu país que é o mesmo país do professor Nuno Crato”, ressalvou.
O académico
mostra-se preocupado com a fuga de investigadores portugueses, que não
encontram emprego em Portugal, para o estrangeiro e considera mesmo que se está
a “decapitar a universidade”, estrutura fundamental para “o crescimento
tecnológico do país”. “Quando vemos que alguns dos nossos melhores jovens não
encontram lugar em Portugal e têm de emigrar, perdendo nós o investimento que
fizemos na sua educação, nós perguntamos para onde nos querem levar”, questiona
José Emílio Ribeiro.
À agência
Lusa, o porta-voz afirmou que “a situação que se está a criar é a médio prazo
de tempestade perfeita”: “Cortes de financiamento elevadíssimos neste momento,
envelhecimento da população científica portuguesa, fuga de parte de
investigadores estrangeiros porque não vêem futuro neste país, emigração de
alguns quadros que não encontram emprego científico em Portugal. Isto não serve
a ninguém, não serve a Portugal”, disse.
José Emídio
Ribeiro desconhece qual a resposta que Crato dará à carta que entregaram no
MEC, mas acredita que o governante concordará com grande parte da argumentação:
“Tenho a certeza de que o ministro Nuno Crato comunga muitas das minhas
opiniões. O ministro da educação e ciência é membro de um colégio chamado
Governo”, disse. À porta do MEC, os manifestantes colocaram uma faixa onde se
lia: “Sr. Ministro: Faça bem as contas! Corrija um erro de matemática”.
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