quarta-feira, 10 de junho de 2020

"Fake News" - o VÍRUS da DESINFORMAÇÃO

Inspirada por um tema de um trabalho de uma formação que estou a terminar, falo hoje acerca de um vírus que nos acompanha no dia-a-dia, todos os dias. E não é ao Covid-19 que me refiro. Não desta vez. Falo acerca das fake news, o vírus da desinformação. Um vírus, que nos últimos tempos e a par do Coronavírus, tem vindo a propagar-se a uma velocidade estonteante.

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer o conceito de fake news. Não são notícias erradas nem imprecisas. São, sim, notícias falsificadas, que carecem de rigor jornalístico e cujo objetivo é manipular um grupo de indivíduos. Têm, muitas vezes fins políticos, económicos, sociais ou outros e propagam-se através de redes sociais como o Twitter ou o Facebook, ou através de aplicações mais fechadas como o Whatsapp.

Ao contrário das notícias verdadeiras, as fake news não provêm de nenhum orgão de informação oficial, sendo que muitas vezes o endereço e o formato da notícia são estranhos (.br); têm erros na escrita e parecem tradução automátuca, geralmente para português do Brasil; não apresentam o contraditório e muito menos citações das pessoas visadas; são anunciadas de uma forma estranha e, por vezes, alarmista e as imagens que ilustram a notícia parecem fabricadas (manipuladas).

Aqui estão alguns sites de fake news, cujos conteúdos muito (de mais) circulam por essas redes sociais fora:

Ora, todos sabemos que as fake news circulam pela net e que não as devemos partilhar. Contudo, talvez nem todos tenhamos a noção acerca do impacto brutal que elas têm no actual sistema democrático.

Fazendo um pequeno enquadramento internacional, o fenómeno das fake news ganhou relevo com as eleições nos EUA e à sua alegada influência na vitória de Donald Trump em 2016. Com a sua vitória, e ao contrário de todas as previsões, o termo ganhou tração e os meios de comunicação perderam mais credibilidade junto de um número significativo de eleitores.

A situação das eleições brasileiras mostrou uma nova tendência, a emergência do WhatsApp como grande fonte de informação. Através de grupos de contactos e da partilha massiva de conteúdo, a campanha de Bolsonaro demonstrou que as eleições já não se ganham com grandes comícios.

Em Portugal, apesar do fenómeno ser recente, as fake news abalam a nossa democracia. 

- Uma audiência sem pensamento crítico está mais receptiva a aceitar mentiras óbvias como verdades, a chamada pós-verdade;

 - O desinteresse dos cidadãos mostra que muitos preferem seguir cegamente líderes de opinião com quem se identificam de alguma forma;

- A abstenção é o reflexo e a prova de que o desinteresse e falta de debate construtivo não é exclusivo da política, vejam-se as reuniões de país, condomínios, associações e outras entidades da sociedade civil;

- A partilha de conteúdo extremista ganha asas nas redes sociais, muitas vezes através de pessoas que se acham traídas pela sociedade em que vivem;

- A Iliteracia Digital é terreno fértil e favorável à propagação da desinformação; é preciso ensinar a pesquisar, contrastar e transformar informação em conhecimento. Sem esse trabalho corremos o risco de vermos as democracias a serem substituídas por ditaduras sofisticadas.

É com a criação de contas, perfis falsos e com a circulação de notícias falsas que se dá um aumento do alcance das publicações de um determinado site ou líder político. Por sua vez, os elogios, muitas vezes doentios a determinada personalidade, partido ou ideia acabam por causar ódio, desinformação e levar a posições extremistas.

Para romper com ciclos viciosos como este é preciso parar de partinhar notícias suspeitas; confirmar sempre as fontes/sites das notícias que lemos; não colocar "gosto" em notícias falsas e, assim, contribuir para a diminuição do alcance das mesmas e, por último, ter uma atitude crítica face a tudo o que lemos e partilhamos. 

Só com uma atitude crítica, reflexiva e ponderada é que podemos contribuir para a extinção do vírus da desinfomação. Em situações de medo, de instabilidade política ou social, este vírus acaba por agravar situações a tensão e causar o pânico. Veja-se o exemplo do novo Covid-19 que consigo trouxe o vírus da desinformação e o impacto que, por sua vez, teve até na saúde mental das pessoas. 

sábado, 23 de maio de 2020

A vida recomeça com um novo "normal"

Desde o dia 14 de março, o que tinha escrito na minha agenda, acabou por não se cumprir. Não fui trabalhar no dia 15 (dia, em que por acaso, tinha folga). Já não vi o horário da semana seguinte e voltei à minha cidade-natal. À minha casinha no campo. Tudo mudou, no espaço de uma semana, num "abrir e fechar de olhos". E nada fazia antever isto. Nada nos tinha preparado para isto.

Acabei por não realizar o que tinha escrito na agenda nas semanas seguintes. Tinha um aniversário marcado, que acabou por não se concretizar presencialmente. Ia começar uma formação de massagens de relaxamento, mas não cheguei a inscrever-me. Acabou por ser adiada. Ao invés, tudo aquilo que ia fazer presencialmente, acabei por adiar ou por fazer via Internet. Se antes usava muito as redes sociais, passei a usá-las ainda mais.

Os eventos adidados deram lugar a formações online, a entrevistas online, a convívios online e a muitos, muitos mais telefonemas e incontáveis video-chamadas. O Skype, no qual já nem sei há quanto tempo tocava, voltou a fazer parte do meu dia-a-dia. Tive fomações em línguas - Espanhol, Inglês e Italiano - por Skype e alguns "meetings" via Zoom. Descobri as funcionalidades do Microsoft Teams e aprofundei os meus conhecimentos em programas de vídeo gratuitos.

Não desdizendo tudo aquilo que escrevi no post anterior, aproveitei este tempo em que a vida me/nos trocou os planos para ler, escrever, aprofundar conhecimentos em determinadas áreas e em obter uma certificação para poder dar formação. Aproveitei, tenho aproveitado o tempo de uma forma produtiva, que não havia estado planeada. Tenho aproveitado para fazer aquilo que, noutras circunstâncias, não teria tempo para fazer.

Tenho tentado manter o espírito positivo. Mas não é fácil, principalmente quando se está há algum tempo sem obter qualquer tipo de rendimento. Aprender, aprender, aprender tem sido o meu lema, diariamente. 

Tudo mudou. Quase de um dia para o outro. É por isso que nos temos de adaptar. Sem que ninguém nos tivesse avisado e sem preparação prévia para tudo o que está a acontecer, é tempo de dizer que "Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças", como disse Leon C. Megginson.

E agora... Desde o inicio deste mês, estamos a assistir a um desconfinamento gradual e faseado. De máscara, de luvas e de viseira, vamos saindo aos poucos de casa. Mantendo o distanciamento a que a pandemia nos obriga, é aos poucos que retomamos os contactos sociais. Ao vivo!  É a vida a recomeçar com um novo "normal". Aquele que não conhecíamos antes. Aquele que, aos poucos, vamos construíndo passo-a-passo.  

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Por favor, parem de romantizar esta pandemia!

É isso mesmo que eu quero dizer. "Por favor, não romantizem esta pandemia! Sim, sei que as crises são ciclicas; as crises económicas são ciclicas, as crises políticas são ciclicas e as crises pandémicas também. Muito se tem escrito, dito, lido e refletido acerca do momento atual. Desta pandemia que virou do avesso todas as nossas vidas. Desta pandemia que adiou sonhos e cancelou planos. Desta pandemia que veio para ficar (não se sabe por quanto tempo) e  que alterou a forma como nos relacionamos uns com os outros.



Temos vários exemplos de crises pandémicas que, ao longo dos séculos, assolaram países, desolaram sociedades e ceifaram inúmeras vidas. 

Temos o exemplo da Peste Negra, também conhecida como Peste Bubónica, Grande Peste, Peste ou Praga que, até à data, foi a pandemia mais devastadora registada na história humana, tendo resultado na morte de 75 a 200 milhões de pessoas, atingindo o pico na Europa entre os anos de 1347 e 1351 (meados do século XIV). Temos o exemplo da Gripe Espanhola, também conhecida como gripe de 1918, que foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Temos um exemplo mais recente da pandemia de gripe A de 2009, que foi uma pandemia de uma variante de gripe suína cujos primeiros casos ocorreram no México em meados do mês de março de 2009.Veio a espalhar-se pelo mundo, tendo começado pela América do Norte, atingindo pouco tempo depois a Europa e a Oceania. 

Com uma duração de cerca de 20 meses, de janeiro de 2009 a agosto de 2010, foi a segunda das duas pandemias que envolveu o vírus da gripe H1N1 - a primeira foi a pandemia de gripe espanhola de 1918–1920. O vírus foi identificado como uma nova cepa do já conhecido Influenza A subtipo H1N1, o mesmo vírus responsável pelo maior número de casos de gripe entre humanos, o que tornou possível também a designação nova gripe A, em oposição à gripe A comum. 

Temos estes e outros exemplos. E temos a pandemia de hoje. O Coronavirus, o Covid-19. Tal como disse uns parágrafos atrás, muito se tem dito e escrito acerca deste assunto. Muito se tem romantizado este assunto. Eu acho isso ridículo. Não vejo nada de "romântico" nas vidas que este vírus levou. Não vejo nada de "romântico" nos infetados que este virus continua a "eleger". Não vejo nada de "romântico" no facto de ter de ir às compras de máscara e de viseira. Não vejo nada de "romântico" no facto de não poder viver em LIBERDADE. Não vejo nada de "romântico" no desemprego que este virus causou e continua a causar.

E é acerca disso que quero refletir. Tal como eu, há imensas pessoas desempregadas à conta deste vírus. Pessoas a quem foi levado o direito de trabalhar, de ter um salário ao final do mês e uma vida digna de quem suou muitas horas para receber (por vezes uns trocos) ao final do mês. Ah e tal, "vê na crise uma oportunidade". Ah e tal, "porque não começas o teu próprio negócio?". Ah e tal, "aguarda, que melhores dias virão". Ah e tal, "estamos mal mas podia ser pior".

O quê??? Please, é fácil falar quando se está empregado, quando se está em teletrabalho ou quando ainda se mantém alguma fonte de rendimento (mesmo que mais reduzida) em tempos de pandemia. Dizem-me que "melhores dias virão". Então e como continuo a pagar as minhas despesas, sem um salário ao final do mês? Boa vontade aqui não resulta, meus amigos, desculpem-me. Estamos mal mas podíamos estar pior. Claro, podíamos sempre estar pior... Começar o meu próprio negócio? Como? Se nem experiência de vida e de trabalho tenho neste momento? Ver na crise uma oportunidade? Qual? Digam-me, por favor, talvez assim fique mais animada. 

Agora, por favor, PAREM DE ROMANTIZAR ESTA PANDEMIA. 

terça-feira, 5 de maio de 2020

"A minha pátria é a Língua Portuguesa"

Celebra-se hoje, pela primeira vez, o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Essa que é a quarta língua mais falada em todo o mundo e a mais falada no hemisfério sul. O dia de hoje foi decretado em novembro do ano passado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e celebra-se no mesmo dia que o da Cultura nas Comunidades dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). 
O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, ou seja, por 3,7% da população mundialÉ língua oficial dos nove países-membros da CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste e Macau, bem como língua de trabalho ou oficial de um conjunto de organizações internacionais como a União Europeia, a União Africana ou o Mercosul.

É a língua de Camões, de Mia Couto, de José Rodrigues dos Santos, de Miguel Sousa Tavares, de Margarida Rebelo Pinto e de tantos outros autores que tanto aprecio e leio. É a língua de José Cid, de Mariza, de Fernando Daniel, de Ana Moura, de Carolina Deslandes e de tantos outros cantores que, todos os dias, ouço. É a língua da Filomena Cautela, do Ricardo Araújo Pereira, de Nuno Markal, de Marina Mota, de Pedro Tochas  e de tantos outros humoristas que nos fazem rir. Em PORTUGUÊS.

Essa minha língua que "é a minha pátria". Como disse no século passado Fernando Pessoa, "a minha pátria é a Língua Portuguesa". Penso que quando se referia a esta "pátria", o poeta falava na "pátria" além-fronteiras; além dos limites físicos deste nosso pequeno GRANDE Portugal. A "pátria" onde o PORTUGUÊS é falado fora de Portugal. E foi há dois e três anos que, pela primeira e segunda vezes, celebrei este bonito dia fora de Portugal,  em Maputo, na Escola Portuguesa de Moçambique. Aí, fez ainda mais sentido a celebração deste dia, que ainda não era o Dia Mundial da Língua Portuguesa, mas que era o dia da CULTURA na CPLP.

Senti, como nunca antes havia sentido, a força da celebração do dia da Cultura nas Comunidades dos Países da Língua Portuguesa, aqueles em que se fala PORTUGUÊS. Em contexto de trabalho internacional, trabalhava numa Escola Portuguesa Internacional, onde se ensina a Língua Portuguesa. Essa língua tão bonita que é tão minha, que é tão tua, que é tão nossa, que é tão deles.

Essa língua em que podes expressar a SAUDADE, como não o podes fazer em mais língua nenhuma. Essa língua com um SENTIMENTO e com uma INTENSIDADE incomparável à de tantas outras espalhadas pelo mundo. Essa língua em que o AMOR pode ser ROMA, em que LUAR pode ser RAUL, em que ANOTARAM pode ser MARATONA, que em SERVIL pode ser LIVRES. Sim, sejamos LIVRES para falar a Língua Portuguesa, todos os dias da nossa vida!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

A Telescola dos Novos Tempos

Sem que nada o fizesse prever, voltamos aos tempos da telescola devido a um virus que  deixou Portugal em Estado de Emergência e o Mundo em suspenso. Tal como os diversos setores da sociedade portuguesa, também o da Educação teve de se adaptar aos "novos tempos", estes em que temos de (con)viver com um virús.

O ensino teve de se reinventar e adaptar-se a tempos em que devemos estar todos em casa e, após 33 anos, altura em que terminaram as emissões regulares da primeira telescola (1965-1987), a RTP voltou a emitir uma outra. Mais moderna e mais tecnológica. Vejamos em que aspectos esta nova telescola, #EstudoEmCasa, difere da primeira que se conhece:

- Desta vez assistimos a uma telescola diferente, que abrange os três ciclos de escolaridade (do 1º ao 9º ano), quando a de meados do século XX se dirigia apenas aos alunos do quinto e sexto anos de escolaridade. 

- Assistimos a emissões entre as 9h00 e as 18h00 quando, em tempos idos, as "teleaulas" eram transmitidas, nos dias úteis, entre as 14h e as 19h00.

- Hoje os alunos assistem às "teleaulas" ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE a partir de casa, com ou sem acompanhamento dos pais/encaregados de educação. Na "antiga" telescola, os alunos assistiam às "teleaulas" dentro da sala de aula, tendo acompanhamento presencial de dois professores; um da área das ciências e outro da área das letras. Jorge Neves, ex-aluno na telescola da Cartaria, acredita que hoje "a falta do professor para tirar as dúvidas em casa pode provocar distrações nos mais novos".

De acordo com a professora Maria Repolho, que leccionou na Telescola - CPTV Ciclo Preparatório TV - no Louriçal, concelho de Pombal, entre os anos letivos 1984 e 1987, "devido à obrigatoriedade de confinamento social, os alunos não têm o professor junto a si a ajudá-los na atenção/concentração durante as emissões e, esse facto, pode ser um encargo difícil para os pais. Actualmente o ensino é mesmo «distanciado»". No que se refere aos recursos técnicos, a docente acredita que os "estúdios de gravação, equipas de profissionais de comunicação—som e imagem - ao dispôr dos professores/apresentadores são indiscutivelmente uma mais-valia, considerando os constrangimentos de cada época".

- Esta telescola destina-se aos alunos das áreas urbanas e rurais quando, no passado, este sistema de ensino destinava-se a jovens que residiam em áreas rurais e que não podiam assistir às aulas nas escolas das cidades. As limitações financeiras e a dificuldade das deslocações devido a uma deficiente rede de transportes, levavam a que muitas crianças abandonassem a escola após quatro anos de estudos - o ensino primário (obrigatório). De acordo com Jorge Neves, "há quase quarenta anos, o problema era a distância para aceder ao ensino; não havia transportes públicos, muitos alunos deslocavam-se a pé vários quilómetros e a telescola surgiu para atenuar essa limitação. Havia a vantagem de existir na televisão material que faltava em algumas escolas convencionais", acrescenta.

- Esta telescola recorre a inovações tecnológicas que não existiam no passado, entre as quais, computadores, quadros interativos, projetores e tantos outros que, obviamente, não eram utilizados em 1965. Apesar disso, as aulas, "embora fossem visualizadas a preto e branco e usando televisores antiquados, eram enriquecidas com ótimos professores e apresentadores, em aulas muito bem preparadas, pois as sessões seriam gravadas as vezes necessárias à transmissão de uma boa aula", esclarece a professora Maria Repolho.

- Os objetivos desta telescola passam por colmatar a ausência de professores e de alunos nas salas de aula, devido ao encerramento dos estabelecimentos de ensino, mantendo os alunos a estudar os conteúdos formais de cada ano de escolaridade (1º ao 9º ano). As aulas da telescola de outrora completavam a rede de ensino, mas as lições eram vistas também por outras pessoas que, mais tarde, se propunham a exame externo de modo a completarem os graus de ensino - 5º e 6º anos. 

- A telescola actual não avalia com "testes" os conhecimentos dos alunos. Os conhecimentos adquiridos pelos alunos com telescola de antigamente eram avaliados em testes de avaliação. "Os testes eram como o totoloto, havia a pergunta e várias opções de resposta e nós escolhíamos a certa. Escrevíamos no livro e respondíamos oralmente", como explica uma ex-aluna da telescola, Maria Alice Vaz. No que se refere à eficácia desse sistema de ensino, Jorge Ferreira, ex-aluno na telescola em Abiúl (Pombal)  acredita que "foi muito boa. Eu penso que fui mais ou menos preparado quando entrei no secundário". 


As vantagens...

De acordo com a professora Maria Repolho, as vantagens da telescola "antiga" passavam por atenuar os problemas de acessibilidade dos alunos residentes em áreas rurais ao sistema de ensino devido aos "estúdios de gravação apropriados, materiais didáticos usados pelos professores nas gravações das aulas a serem emitidas, imagens filmadas em locais variados, adequadas à lecionação das várias matérias"

Isabel Guerreiro, professora do primeiro ciclo do ensino básico, que leccionou na telescola  nas localidades de Ilha-Guia-Pombal, nos anos de 1972 a 1974 em regime de acumulação, acredita que, no passado, a "telescola tinha vantagens pois tornava-se um  ensino mais completoAlém das aulas transmitidas via televisão, tinham, depois  o aprofundamento por outro professor, que estava dentro da sala de aula".

Por sua vez, "o professor, na sala de aula, assistindo às mesmas [aulas], sentia-se mais à vontade para tirar dúvidas e ajudar na resolução das fichas de trabalho", concorda a professora Maria Repolho.

O ex-aluno da telescola Jorge Ferreira destaca que "hoje os alunos recebem as aulas em casa não só pela televisão, como pela Internet, nos vários ciclos de escolaridade". Contudo, acredita que apesar de este novo de este novo método de ensino ser um "bom recurso, falta o convívio e a interação entre colegas. Era bom que voltássemos à normalidade e este método poderia continuar como apoio".

As desvantagens...

As desvantagens da antiga telescola, na opinião de Maria Reponho, passariam pelo "distanciamento dos alunos de outras realidades, ficando privados de vivências mais diversificadas, especialmente os que queriam prosseguir estudos". Por outro lado, "também os recursos a usar pós-emissão eram muito reduzidos, em relação aos utilizados no Ciclo Preparatório convencional".

No que se refere à telescola atual, a professora considera-a uma "ideia actual muito razoável e poderia, quanto a mim, ser aproveitada de melhor maneira". Acrescenta, ainda que "se o professor da turma tiver acesso aos conteúdos, antecipadamente, poderá fazer a ponte com os seus alunos, aproveitando das emissões o que considera mais importante, numa lógica de flexibilidade curricular, como o Ministério da Educação preconiza". Acredita, ainda, que "o professor poderia sempre adaptar as sessões de #EstudoEmCasa aos seus alunos, no tempo pós-TV"

Opinião diferente tem a professora Isabel Guerreiro que duvida da eficácia da actual telescola:  "nem todos os alunos têm  acesso  ao material que é  essencial  à  prática  deste ensino à  distância", explica. "Também  devo salientar que o local onde os alunos se encontram neste momento está muito longe do seu "habitat" normal que são  as suas salas de aulas".  

Há vozes a favor e contra a actual telescola. A verdade é que ela faz parte dos dia-a-dia de muitos alunos, professores e famílias e, com os constrangimentos que a ela estão associados, foi a solução mais plausível e razoável que o Governo encontrou para proporcionar a todos um razoável Ensino À Distância (mais ou menos eficaz).