domingo, 10 de março de 2019

Igor Duarte Cardoso, Estados Unidos da América: “Quero criar impacto na tecnologia”

Natural de Pombal e com 28 anos de Idade, Igor D.C. reside na cidade de Hillsboro, nos Estados Unidos da América (EUA). Mestre em Engenharia de Computadores e Telemática e formado pela Universidade de Aveiro, o Engenheiro de Software encara a emigração como uma oportunidade pessoal e profissional muito enriquecedora.

Apesar de estar apenas há dois meses nos EUA, esta não é a primeira vez que Igor emigra; esteve nos últimos três anos a residir na República da Irlanda. “A oportunidade de criar impacto no ramo da tecnologia, as melhores perspectivas de carreira e a curiosidade cultural”, são os fatores que ditam a permanência do engenheiro, focado em tecnologias Cloud e de Telecomunicações, no país que o acolhe desde Novembro.

Quando se fala em saudades, “aqueles dias de verão português” e “os amigos e familiares mais próximos” são, de acordo com Igor, os principais motivos da nostalgia. No entanto, garante que não se arrepende das escolhas feitas: “não há forma de alterar o passado, por isso foco-me todos os dias no presente e no futuro”, reforça.

E do que mais gosta nos Estados Unidos? “Gosto da diversidade de personalidade nas pessoas”, frisa Igor que também preza a “abundância de serviços, negócios e oportunidades disponíveis à população, e ainda os impostos relativamente baixos”, diz.

Por agora, os planos de Igor passam por “
criar a nova geração D.C.” e “continuar a contribuir para a tecnologia da forma mais adequada a cada uma das fases do meu futuro”, sublinha. O ginásio, o jiu-jitsu, a leitura, os podcasts e as atividades que estejam a decorrer na cidade ocupam os tempos livres de Igor.

Das experiências internacionais, quer da Irlanda como dos EUA, e dos países e continentes que visitou, conclui que o mundo é grande. “Lidar com diferentes culturas e observar como coisas semelhantes podem funcionar de maneiras tão diferentes fez-me crescer no sentido de pensar e agir mais «fora da caixa» e ser capaz de remover os obstáculos mentais que se acumulam com um estagnante passar dos anos”, destaca Igor.

A um candidato a emigrante recomenda a informar-se devidamente acerca do país e da empresa onde vai trabalhar e, só depois de decidir, partir. “Se for evidente que a oportunidade apresentada é um positivo líquido, eu afirmo: «Que nem pense duas vezes!»”, aconselha o engenheiro.”Viajar e conhecer outras culturas são oportunidades únicas que não devem ser desperdiçadas ou adiadas por razões de comodismo”, conclui.

Questões de resposta rápida

O melhor por lá…
“A abundância de serviços, negócios e oportunidades disponíveis à população” são, para Igor, os pontos mais positivos dos Estados Unidos da América.

O pior por lá...
O engenheiro de Software acredita que o “alto custo da saúde” é um dos fatores menos positivos do país que o acolhe, bem como “o Inverno algo chuvoso de Oregon”.

O mais surpreendente por lá...
Igor admira-se com “o número de estabelecimentos dedicados aos mais diversos serviços para animais de estimação. Aqui, o Bóbi e o Tareco vivem para sempre felizes, aconteça o que acontecer!”.


Hillsboro

Estados Unidos da América


Fundação 4 de julho de 1776

Habitantes 328 863 150 (censos de 2018)

Curiosidades
Hillsboro é uma cidade localizada no estado norte-americano de Oregon, no Condado de Washington. Faz parte da zona metropolitana de Portland, a maior cidade de Oregon. É conhecida pelos seus parques, pontes e ciclovias, bem como por ser ecológica e pelas suas microcervejarias e cafetarias. O emblemático Washington Park engloba locais que vão do antigo jardim japonês ao Jardim Zoológico de Óregon e aos seus caminhos-de-ferro. A cidade conta com prósperos panoramas de arte, teatro e música.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Marisa Tavares, no Luxemburgo: “Emigrar é uma das formas mais cruéis de evolução como pessoa”


Marisa Tavares, natural da Ortigosa, distrito de Leiria, tem 34 anos de idade e reside desde 2011 numa vila luxemburguesa chamada Larochette. Com motivos suficientemente fortes para residir e trabalhar no Luxemburgo e com Portugal no coração, Marisa fala da vida, do trabalho e do negócio de um foodtruck que tem com o marido, Bruno Tavares.

Residia no distrito de Leiria quando, há sete anos, Marisa decidiu ir viver com o - na altura - namorado no Luxemburgo. A escassez de oportunidades profissionais em Portugal tornou mais que óbvia a escolha de Marisa, que atualmente trabalha num lar de pessoas idosas invisuais, em mudar-se para o Luxemburgo.

“A nossa casa é aqui, os miúdos - uma menina com seis e um menino com 12 anos - já estão integrados no sistema escolar luxemburguês e este é um país que lhes oferece muitas oportunidades no futuro”, destaca Marisa quando questionada sobre um eventual regresso a Portugal. “Num futuro próximo não existem planos para um retorno definitivo”, acrescenta.

Aos fins-de-semana Marisa e Bruno têm um pequeno negócio ligado à restauração. A ideia de criar o foodtruck “Saudade” nasceu em dezembro de 2017 mas só em julho do ano passado é que começou a ganhar forma. “Num país onde a comunidade portuguesa se faz denotar tão fortemente, não existia um foodtruck genuinamente português”, justifica Marisa sobre a lacuna existente no setor da restauração luxemburguês à qual dá resposta.

É aos fins-de-semana que Marisa e Bruno se dedicam ao negócio que está em clara expansão. Participam, com a sua “Roulotte da Saudade”, em eventos de renome no Luxemburgo e na Bélgica. É aí que, com a francesinha com batata doce, com a bifana com molho de mostarda e mel e com os tapas de Portugal matam a fome e a saudades dos petiscos lusos à comunidade emigrante portuguesa (e não só!).

O que mais adoro no Luxemburgo é, sem dúvida, o mundo de oportunidades que um país tão pequenino oferece, aqui, bem no centro da Europa”, destaca Marisa. “É possível tomar o pequeno-almoço na Bélgica, almoçar na Alemanha e jantar na França... tudo num só dia sem muito esforço ou correria!”, acrescenta.

Orgulhosa da nacionalidade portuguesa, Marisa frisa o facto de não haver comida como a nossa. “São sabores impossíveis de se encontrar onde quer que seja”, realça. Por outro lado, reconhece que “somos de uma riqueza cultural incalculável” mas que “tristemente só nos apercebemos quando saímos”.

E que ensinamentos traz a experiência internacional? “A experiência da emigração é das formas mais cruéis e brutais de evolução enquanto pessoa”, afirma Marisa Tavares. “A Saudade passa a ser o sentimento predominante. Passamos a sentir tudo de forma muito intensa”, continua. Acredita que deixamos de ser portugueses de Portugal para sermos portugueses do mundo: “quando chegamos a Portugal somos emigrantes e quando estamos no Luxemburgo, somos os portugueses”, conclui.

O melhor por lá…

“O melhor do Luxemburgo é o mundo de oportunidades que aqui se forma pela centralidade do país no espaço europeu”, diz Marisa.

O pior por lá…
Para Marisa, o pior do Luxemburgo é a neve: “não é o frio que atrapalha. É mesmo a mobilidade que se torna muito complicada. E não falo só de condução normal nas estradas...é com cada queda mesmo a pé!”

O mais surpreendente por lá…
“O mais surpreendente do Luxemburgo é a riqueza multicultural que existe”, acredita Marisa. “São tantas nacionalidades, tanta mistura de conhecimento, que penso ser mesmo esse o maior tesouro aqui perdido”, acrescenta. “E vá se lá entender, como é que os meus filhos aos seis anos já falam praticamente quatro línguas? Este país é mesmo uma caixinha de surpresas”, conclui.

Larochette

Luxemburgo

Fundação: 15 de março de 1815

Área: 15,40 km2

Habitantes: 2.141(sensos de 2013)


Curiosidades:  Larochette é uma comuna do Luxemburgo, pertence ao distrito de Luxemburgo e ao cantão de Mersch. Está situada no rio WhiteErnz . A cidade é dominada pelo Castelo Larochette que está parcialmente destruído.

Como plataforma cultural, a cidade do Luxemburgo é abundante em locais de expressão artística, como museus, teatros e salas de concerto. A oferta cultural que compõe o Luxemburgo é representativa dos habitantes da cidade: multilingue, multicultural, criativa e eclética.  A região central do país abriga cerca de 170 nacionalidades diferentes que escolheram morar na capital. A antiga cidade de Luxemburgo e sua fortaleza faz parte do Património Mundial da UNESCO.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Quando a vida nos dá uma oportunidade para mudar...


Já não escrevo neste blogue há cerca de um mês. Por falta de tempo, de organização, de inspiração ou de disponibilidade mental, não tem havido um motivo suficientemente forte que me traga a este espaço de reflexão. A verdade é que janeiro foi, para mim um mês de mudança. Este ano não fugi à máxima de "Ano Novo, Vida Nova".

Novos recomeços traçaram-se na minha história de vida. E, por isso, pouco tempo me tem sobrado para me debruçar sobre essas mudanças. É tudo novo, a cidade, o trabalho, o estilo de vida, o tempo e até mesmo a paciência! Mudar é bom e é preciso saber aproveitar quando a vida nos dá uma oportunidade para recomeçar. 

Decidi recomeçar assim que voltei de Moçambique, em maio passado. Depois de muitos meses de turbulência profissional e instabilidade pessoal, de muitas quedas e de muitos "nãos" a fecharam-me a porta, lá aparece no meu caminho a oportunidade de iniciar um estágio profissional numa empresa em Lisboa. Fui, arrisquei, esperei e hoje não me arrependo. 

Tenho aprendido muito todos os dias! Saí do meu "habitat" natural e sinto que dei um passo muito positivo na minha (ainda curta) carreira profissional. Arrisquei numa área que não é a minha, embora com algumas "pontes de contacto" com o jornalismo e não me arrependo de ter começado algo novo, que pode vir a ser muito importante num futuro próximo, para a minha carreira profissional e para o meu percurso pessoal.

Mudar não é fácil; sair da zona de conforto também não. Mas li há uns tempos que "a zona de conforto é um óptimo sítio para se estar; é pena que não se aprenda lá nada". E não. A vida começa fora do nosso "habitat natural", quer se trate da mudança de casa, de trabalho, de emprego, de área profissional, de cidade, de país ou de vida!

Quando a vida nos dá uma oportunidade para mudar, não a devemos desperdiçar, à espera que surja uma oportunidade ainda melhor, pois essa pode nunca vir a surgir. Depois vem o arrependimento. O "E Se"? Ás vezes esperamos, desesperamos e voltamos a esperar sem que nada aconteça. E, logo de repente, assim do nada, surgem duas boas oportunidades! Plim! É preciso decidir. Abrir mão de uma para apostar noutra. Isso aconteceu-me este ano.

Sempre apostei em mim e sempre continuarei a fazê-lo. A dar mais à minha vida, à minha carreira profissional, à minha formação, aos meus estudos! Por vezes falta-me a confiança em mim, nas minhas capacidades no "eu consigo"! Às vezes o receio da mudança bate-me à porta, juro que sim! Mas é nessas alturas que tento ter mais fé e confiança em mim para trilhar um caminho desconhecido, por vezes assustador mas, no fim, muito recompensador.

Afinal, se eu não acreditar em mim, quem acreditará?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2019, um ano de mudança

O "ano velho" despede-se e o "ano novo" dá os primeiros ares da sua graça. Os votos de "bom ano" renovam-se e as promessas para 2019 renascem. Umas diferentes, outras iguais às de anos passados (aquelas que ficaram por cumprir). É tempo de introspecção e de projectar um Ano Novo que, como sempre, se afigura promissor. Todos os anos a mesma coisa, nada de novo. Mas este ano é que é.

Em 2018 regressei da minha aventura de mais-de-um-ano em Moçambique. Caí e levantei-me vezes sem conta. Chorei, ri, esbracejei, desesperei por tudo estar a correr ao contrário do anteriormente planeado por mim. Dei quedas maiores do que alguma vez pensara suportar. Sobrevivi e, sem dúvida, sei que agora estou mais forte, capaz de ultrapassar com "outra estaleca" as intempéries da vida. 

Normalmente, quando se perde demasiado tempo a planear, é quando as coisas dão para o torto. Precipitar os acontecimentos, forçar as circunstâncias e impedir que a vida siga o seu rumo natural dá sempre ou (quase) sempre asneira. E eu tive de aprender assim; a bater com força com a cabeça nas paredes. Há que saber aguardar, saber esperar. A vida sabe bem o que faz e não é por estarmos a desesperar que as coisas vão apressar-se no sentido que queremos.

Em 2019 espero aprender ainda mais. Ser mais paciente e agir com uma maior prudência. Tudo se comporá quando tiver de ser e não vale mesmo nada a pena estar a forçar as coisas a acontecerem. Calma e ponderação são as palavras-chave para este novo ano que agora se inicia. Quanto ao resto (que é só o resto), a vida encarregar-se-á do melhor para cada um de nós. Não falo em parar e cruzar os braços. Não falo em julgar sem conhecer. Falo em lutar com moderação. Em deixar as coisas "rolarem". Em permitir que a vida dê uma "mãozinha".

Se esperamos que o Ano Novo seja melhor que o Ano Velho que passou, 2019 espera que nós sejamos melhores!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

O Natal a oito mil quilómetros de distância


Quando se pensa em Natal é inevitável associá-lo à família, ao aconchego do lar, à variedade gastronómica na mesa da consoada, às luzes, ao presépio e ao pinheirinho. Saudade, ausência, e distância são palavras que parecem não caber no léxico natalício. Mas nem sempre é assim. Certo e sabido que vida de emigrante não é fácil, só lhe dá o devido valor quem por ela passa. E quando as circunstâncias obrigam a passar a Consoada e o Dia de Natal longe do tradicional quentinho familiar, tudo assume outros significados, por nós desconhecidos…

Resiliência. Saudade. Falta. Talvez sejam essas as palavras que melhor definem o meu Natal passado. Decidi passar a consoada no meu T1 alugado em Maputo, na cidade onde residia e trabalhava há um ano. O Natal a oito mil quilómetros de distância da família. O Natal a 12 horas de avião de casa. O Natal sem os amigos por perto. O Natal sem o perú nem o bacalhau. Sem dúvida, o Natal mais difícil de sempre. Senti muitas saudades. Senti imensa falta. Mas a minha resiliência obrigou-me a ser forte para que esses não fossem os dias emocionalmente mais destrutivos de sempre.


Não havia luzes. Não havia pinheiros e muito menos presépios, visto que os moçambicanos são, na sua maioria, muçulmanos. Não havia ruas enfeitadas nem desfiles de pais-natal. Não havia espírito natalício. Nada. Zero. Imagino que houvesse, sim, paz e serenidade dentro do lar de cada um. Aquela que eu procurei e não tive, simplesmente porque estava sem a minha família por perto. Recusei um convite para passar o Natal junto da família de uma amiga moçambicana. Pensei que assim fosse doer menos. Mas não. Doeu, foi um Natal a não repetir. Se o passei com um ou outro amigo, posso dizer que não foi a mesma coisa.

Com o que escrevi no parágrafo anterior não quero dizer que me arrependo de ter passado o Natal fora. Tudo são experiências de vida, tudo é motivo de crescimento. E eu cresci. Amadureci. Agora sei o que é passar o Natal longe de casa e com MUITO calor. Sim, aproveitei as praias do Norte de Moçambique e a beleza avassaladora das Ilhas Quirimbas para passar um fim de ano memorável.

Com o distanciamento que esta reflexão merece, posso dizer que me sinto grata por ter tido a experiência de vida de que hoje me orgulho. Venci, disso não tenho a menor dúvida! Lutei e fui em frente. Assumi que a vida não é um mar de rosas e aceitei esse Natal como uma dádiva, com um outro género de sol e com o CALOR típico que só um país tropical pode oferecer. Venci a saudade e a distância tornou-me mais forte. Passei um natal cheio de calor e de mar e só posso sentir grata pela experiência que a vida lá fora me proporcionou.

A todos desejo um feliz e quente NATAL.