quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Campanha “200 pijamas solidários” ajuda Cercipom

“Promover a reciclagem solidária e contribuir para instituir o hábito da troca e das doações” são os principais objectivos dos “Amigos da Anita”. Finda a campanha mais recente, “200 pijamas solidários”, no passado dia 22, é altura de fazer as contas a um balanço que se revelou “bastante positivo”.

“Mais uma vez provou-se que todos, sem excepção e mesmo com pequenas acções, podem ser intervenientes activos na mudança do contexto que nos rodeia”, mencionou Ana Rita Santos acerca da acção que teve como objectivo a recolha de pijamas destinados aos utentes da Cercipom, que decorreu entre os dias 8 e 22 de Dezembro.

Apesar de todos os anos desenvolverem iniciativas no Natal, esta foi a primeira vez que recolheram pijamas. “Esta ideia surgiu de uma forma muito intuitiva a propósito de como, sem nos desviarmos do que é o conceito do nosso projecto, poderíamos ajudar sem recurso a dinheiro crianças mais desprotegidas”, revelou a mentora.

Pijamas e brinquedos associaram-se numa acção solidária que toca a todos. “Considerámos que estes poderiam ser uma peça de vestuário importante devido ao Inverno rigoroso e à necessidade de conforto”, explicou acerca da razão principal da recolha. Apesar de ter sido a primeira iniciativa do género, o balanço revelou-se, no fim, “bastante positivo”. Os presentes foram distribuídos na passada segunda-feira, altura em que a assistente social regressou ao trabalho.

 “O projecto dos Amigos da Anita funciona como uma plataforma solidária ‘contínua’ onde se pode doar/ receber, todo o ano, de uma forma muito táctil, muito ‘intuitiva’ e neste sentido, o nosso objectivo central é ajudarmos quem precisa com aquilo que nos vai chegando pelos doadores”, explicou Ana Rita Santos.

Quem são Os Amigos da Anita?

É um grupo informal que se estabeleceu em 2010 num local cedido e partilhado pela Comissão da Capela do Casal Fernão João. “O projecto teve a sua origem com a junção de vários ‘amigos’ que partilhando das mesmas preocupações e modos de ver o contexto que os rodeia decidiu estabelecer um papel activo”, declarou a mentora.

O salão da capela do Casal Fernão João que foi cedido desde o início do projecto em 2010 é partilhado entre os voluntários, as actividades do Centro de Catequese e as festas religiosas. Devido ao aumento de pedidos de bens de primeira necessidade e porque o espaço é insuficiente para responder a todas as pessoas, é preciso procurar um sítio maior. Se isso acontecesse traduzir-se-ia “na possibilidade de nos formalizarmos como Associação sem fins lucrativos”.

Trocar e doar são dois dos conceitos que o projecto ensina. Contribuir para instituir o hábito da TROCA, “como é o caso dos artigos de criança e que podem no nosso espaço serem trocados pelos tamanhos/artigos que pretendem” e, por outro, “no caso das DOAÇÕES, poder ao desfazer-se das coisas que já não gosta/usa, ajudar quem precisa”, finalizou Ana Rita Santos.

Os artigos podem ser entregues ou solicitados pessoalmente aos sábados das 15h as 18h no Salão da Capela do Casal Fernão João ou através do contacto da página do Facebook ou do telemóvel (+351 911 809 868) para recolha ao domicílio.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

TAP termina encontro com balanço positivo

A peça "Romeu e Julieta" esteve em palco na noite de sábado passado. Fez parte de um encontro de teatro de três dias, entre 9 e 11 de Janeiro, promovido pelo Teatro Amador de Pombal (TAP). A direcção falou de "um balanço positivo", que tem dado ao grupo a hipótese de dar a conhecer o seu trabalho. "Humildade", "esforço", "trabalho" e "dedicação" estão entre as características que um candidato a actor deve ter. 

"O balanço da peça «Romeu e Julieta» é super positivo e a prova disso são as brincadeiras dos próprios actores", explicou a dirigente do grupo enquanto os colegas questionavam, em tom de divertimento, se a entrevista era para a TVI. "Esgotámos praticamente três salas em Pombal o que, até agora, não tínhamos conseguido. É um achado", reforça. "Há um reconhecimento do público pombalense pelo nosso trabalho e essa é a melhor gratificação que podemos ter". 

Opinião semelhante tem Humberto Pinto, secretário do TAP. "Tem tido um balanço positivo, quando mais não seja porque está a haver teatro. Claro que gostávamos de ter as salas esgotadas. Mas o público tem-se divertido imenso", afirmou após a apresentação da peça.

"Esta ideia surgiu um pouco da nossa necessidade de, como não temos um espaço próprio, pretendermos receber grupos com os quais possamos fazer um intercâmbio ao longo do ano", afirmou Catarina Ribeiro, directora do TAP sobre um dos objectivos desta segunda edição. Por quererem retribuir a vinda de grupos de teatro cá, como o Leirena Teatro e o ESTE - Estação Teatral, foram vindo a desenvolver esta ideia; afinal é uma forma de darem a conhecer o próprio trabalho e de "alargar a rede de contactos".

Nesta edição, o TAP contou com alguns apoios: a Câmara Municipal de Pombal cedeu o espaço, os equipamentos e ajudou com a publicidade, a Junta de Freguesia ajudou com as estadias e com as refeições e o INATEL também apoiou o evento. A maneira utilizada pelo grupo para obter receitas é a cobrança de um preço simbólico pelos bilhetes, quando se trata, principalmente, de entidades públicas.  

Catarina Ribeiro acredita que é importante existir um "trabalho contínuo" pela divulgação do teatro junto aos miúdos e aos graúdos. "Tem de haver um trabalho bem pensado para a cidade", algo que só é possível se for árduo, contínuo e persistente. "Usamos a publicidade em papel e as redes sociais, pois é a forma mais global para divulgar mais eficientemente." O boca-a-boca e o convite pessoal, claro, não são objectos de divulgação descurados.

"A primeira coisa pela qual luto em relação ao teatro é que Pombal tenha uma programação mensal e coerente, em que haja teatro uma vez por mês e em que as pessoas venham ver", realçou Humberto Pinto, que também faz parte do elenco. "Acho que isso ia ajudar porque traria mais público e as salas estariam mais cheias."

O que é e como actua o Teatro Amador de Pombal?

O TAP já existe desde 1976 e a sua criação remete para "um grupo de estudantes da Escola Secundária que decidiu fazer um grupo extra-curricular", explica a mentora, acrescentado que o professor Eusébio foi um dos fundadores deste grupo. "Esse trabalho foi prolongado e foi melhorado. Neste momento os nossos objectivos são trabalhar com encenadores profissionais, já trabalhamos com pessoas de uma grande experiência, como o professor José Carlos Garcia, director técnico do Chapitô e o Nuno Pinto Custódio que é o director artístico da ESTE. Já estamos a trabalhar com pessoas ligadas ao mais alto teatro profissional", referiu.

Neste momento o TAP conta com 12 a 15 elementos, mas está aberto à recepção de novos que queiram aprender. "Cada um de nós dá cerca de 40 horas semanais ao grupo", embora não seja fácil conciliar o tempo de trabalho com uma outra actividade profissional, reconheceu a directora do TAP. "Para fazermos as coisas acontecerem temos de nos dedicar". Humberto Pinto deixou uma mensagem a todos os que queriam participar no grupo a aparecer nos ensaios: "normalmente temos ensaios às sextas-feiras à noite e aos sábados à tarde no Teatro-Cine. Somos um grupo aberto, e basta fazer um contacto para vir ter connosco".


Cortesia: Teatro Amador de Pombal
O trabalho em grupo é fundamental para que se possam organizar. "Conseguimos melhores preços e melhores condições com os parceiros que temos", explicou Humberto Pinto. Depois é necessário mobilizar meios diversos para dar a conhecer todo um trabalho que tem vindo a ser realizado ao longo do tempo e que não estagna. 

"O teatro traz-nos um conhecimento de nós próprios completamente diferente daquilo a que estamos habituados", referiu Catarina Ribeiro. "Obriga-nos a ter uma percepção física com o espaço e com o outro. Leva-nos a fazer uma auto-reflexão, porque quando estamos perante o público temos de nos mostrar, é uma conquista e uma luta para ultrapassar obstáculos".

"Persistência, capacidade de trabalho, mas acima de tudo, humildade" são algumas das características que um aspirante a actor deve reunir, nas palavras de Catarina Ribeiro. "No dia em que acha que sabe que pode fazer tudo, que não tenha noção de que possa melhorar e tem de errar muito, para crescer, nesse momento não cresce mais como actor. Humildade é o factor principal", sublinhou.

"Qualquer aspirante a actor deve ver teatro. Isso é tudo: ao estares a ver estás a aprender. Ao ver umas coisas aqui e outras ali, tu mesmo podes usar um pouco o que é dos outros", declarou Humberto Pinto. A sua convicção é a de que a vida real e o teatro andam de mãos dadas. "Dá-nos algumas ferramentas para o dia-a-dia, para o trabalho, para lidar com a família, ferramentas que o teatro nos dá e nos ajuda a gerir conflitos. A vida do teatro e a vida real misturam-se um pouco e ambas têm um bocadinho de cada", explicitou acerca daquela que é uma paixão há mais de dez anos. 

E quanto aos projectos para 2015?

Este ano prevê-se chorudo e recheado de novidades. Há muito trabalho pela frente: "vamos correr o país este ano com o «Romeu e Julieta», temos imensos pedidos de espectáculos para esta peça", explicou Catarina Martins.  "Vamos estar em cooperação com a organização de um Festival de Teatro, que se realizará em Março", desvendou. "Estamos a preparar uma nova produção infantil que vai estrear no dia 30 de Maio. Vamos continuar a fazer espectáculo e a organizar o nosso aniversário que será em Junho", concluiu. 

Humberto Pinto também acrescentou que iriam estar em Gaia. "Temos o Festival de Teatro de Pombal, que organizamos em parceria com a CMP, temos a organização do nosso aniversário. Vamos iniciar uma nova produção infantil". Os espectáculos são sempre feitos a pensar em todos, mesmo quando têm como foco os miúdos. 

Os elementos que constituem o TAP estão abertos a novas propostas e a novos projectos que surjam bem como a colaborar com as entidades que o solicitem.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"Je suis Charlie"

Foi há dois dias, no passado 7 de Janeiro, quarta-feira num jornal francês satírico "Charlie Hebdo", que ocorreu um ataque terrorista no interior das  instalações. A informação veiculada pelos meios de comunicação social nacionais e internacionais mostrou um ataque infame, levado a cabo por jihadistas franceses, cujo objectivo seria o de "vingar Maomé". Ora, penso que nenhuma crença, nenhuma religião e muito menos nenhum profeta desejaria que se morresse em nome dele. Falamos de extremistas, quando nos referimos àqueles que levam a crença tão longe, que a veneram, amam-na mais do que a própria vida, e sacrificam-na em nome da religião. Três extremistas vitimaram cerca de 12 pessoas, duas das quais polícias. Foi há dois dias. Mas a memória prevalece viva, presente e ferida.

A recordação tem de permanecer presente e estar actual. Ontem, hoje e sempre. Isto para bem e em nome da liberdade de expressão que, mais uma vez, foi ameaçada. Não podemos ter medo, nós, os ocidentais que tanto lutámos pela liberdade. É preciso agirmos e não nos calarmos perante as armas que tentam aniquilar os lápis destemidos. A sátira inconveniente. A verdade incómoda. Continuo a acreditar que o lápis e a liberdade de expressão são as melhores (e as maiores!) armas que uma sociedade dita livre e democrática pode ter. Mesmo que menos poderosas que as armas aterrorizadoras dos que não têm argumentos para combater a liberdade de expressão e que as usam, impiedosamente, contra os que lutam por uma conquista não muito antiga.

Perante aquele que foi um ataque crasso aos ideais que estão subjacentes à revolução francesa de 1789, liberté, égualité et fraternité, tenho a dizer que, numa sociedade democrática, é mais do que inaceitável. Dizer "não" a qualquer tipo de extremismo, quer seja de direita, quer seja de esquerda, é gritar "sim" à e pela democracia. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Pombalenses estão pouco optimistas para 2015

Já aí está o ano novo e com ele chegaram novos cortes na educação e impostos mais gravosos sobre os combustíveis, o tabaco e as bebidas alcoólicas. Muita da austeridade de 2014 vai manter-se e com ela também prevalecem medidas que desfavorecem a função pública, de que é exemplo o congelamento das progressões de carreira.  

Chega 2015 e, com ele, novos impostos. Os combustíveis, o tabaco e o álcool são os principais alvos de aumentos. Os cortes na educação e no abono de família vão agravar as dificuldades sociais. As boas notícias vão para os reformados e os pensionistas, que apenas vão cooperar com a contribuição extraordinária de solidariedade se auferirem um rendimento superior a 4.611,42 euros. Os funcionários públicos vão ver devolvidos 20% dos cortes salariais.

Há menos dinheiro para o abono de família porque o Orçamento de Estado para 2015 canaliza menos 6,49 milhões de euros para esta prestação social, o que significa que há famílias que a vão perder ou ver reduzido o valor. O maior corte da despesa do Estado para o Orçamento do próximo ano é de aproximadamente 750 milhões de euros na educação, ao nível do ensino básico e secundário. O preço dos combustíveis vai subir: trata-se de um aumento de 20 euros por cada mil litros de gasolina, gasóleo e GPL que visa as gasolineiras que acabam por fazer refletir o que pagam ao estado no que cobram aos contribuintes. O imposto sobre o tabaco já existe, mas vai ser alargado ao rapé (pó para inalar), tabaco de mascar, tabaco aquecido, cigarros electrónicos, charutos e cigarrilhas.
           
As poucas boas notícias vão ser para os reformados, que apenas vão contribuir para a CES (contribuição extraordinária de solidariedade) se auferirem um rendimento superior a 4.611,42 euros. Também os funcionários públicos vão reaver 20% dos cortes salariais. Descem, ainda, o IRC e as taxas moderadoras.    


Os funcionários públicos vão reaver 20% dos cortes salariais. O aumento das pensões mínimas de invalidez e de velhice é mínimo, de apenas 1%, o que equivale a mais 2,59 euros na carteira ao final do mês. Por sua vez, a contribuição extraordinária de solidariedade (CES), que até aqui penalizava as pensões de 1.500 euros, continua a existir, mas só para pensões a partir de 4.611,42 euros.
                          
Estas medidas vão pesar na carteira e na vida dos pombalenses. Com mais ou menos influência, todos vão sentir a diferença. Afinal quais são as perspectivas para 2015? O que pensam acerca do novo ano? Como vão responder às dificuldades que se lhes vão impôr?

Opiniões_________________________________________


Fernanda Alegrete, 58 anos Professora do 1º ciclo aposentada

Ao tomar conhecimento do Orçamento de Estado para o ano 2015, do montante do corte na área da Educação e dos ciclos (básicos e secundário) em que estes iam incidir, pensei “o ensino básico ainda é grande pobre da educação”. Mais uma vez se confirma. Com a redução das verbas acrescem as dificuldades para todos os envolvidos: pessoal docente e não docente, pais e encarregados de educação. Apesar do meu optimismo, a minha opinião pessoal é que 2015 não vai ser um ano melhor, infelizmente! Com estas pespectivas quem trabalha por gosto e com gosto? Eu não trabalhava! 
Os reformados e os aposentados vão ser bastante beneficiados porque vai desaparecer a contribuição extraordinária de solidariedade (CES). Nesse aspecto, eu e muitos na minha situação irão sair beneficiados. Também irá beneficiar a função pública por causa dos 20% da reposição dos salários. Penso que serão poucas das coisas positivas que aí vêm.


Paulo Ferro, 45 anos Funcionário Público da Câmara Municipal de Pombal

Em relação à questão dos cortes nos abonos de família é evidente que esta situação se vai reflectir no bolso de muitas famílias, além do custo de vida estar já excessivamente caro há menos apoios no que diz respeito a pessoas que têm filhos nas escolas. O aumento indirecto dos combustíveis é muito mau, principalmente para quem trabalha ou cuja vida profissional depende de veículos, em relação aos combustíveis, porque vai fazer com que aumente muito mais as coisas que nós adquirimos, nomeadamente os bens essenciais. Eu nunca concordei muito com “o imposto mais fácil” sobre o tabaco, porque as pessoas não deixam de fumar efectivamente pelo preço tabaco subir, muito pelo contrário, continuam a fumar na mesma. Sendo uma pessoa da área da cultura, eu noto que as pessoas que continuam a fumar cortam noutros bens, como por exemplo na área cultural: deixam de ir ver espectáculos e teatros, porque o dinheiro não dá para tudo. 


Mikael Lopes, 27 anos Professor de Música na Big’s School

Eu penso que não vai ser um ano muito facilitado, mas creio que poderá haver algumas melhorias. Aquilo que eu acho é que principalmente cada vez mais as pessoas acabam por optar pela qualidade. Quem trabalha e tenha alguma qualidade no que faz, irá vingar no mercado de trabalho mais tarde. Hoje em dia é tudo incerto: temos famílias que estão bem e conseguem ter os filhos a ter aulas de música, e dar-lhes alguns luxos e, de um momento para o outro ficam desempregados, com muitas contas por pagar e é um pouco incerto. A perspectiva para o ano que vem é quase sempre a mesma, não espero ter mais nem menos.         
           

Liliana Domingues, 29 anos Animadora Sócio-Cultural

Eu penso que as pessoas estão a tentar recuperar em termos económicos e eu espero que o ano seja verdadeiramente positivo, mesmo sendo filha de pais comerciantes. O que eu vejo é que torna-se mais fácil se todos gastarmos um tostãozinho, para que a economia volte à normalidade. Penso que em 2015 isso vai ser possível, pelo menos melhor. Com a actualização na contribuição para a CES penso que a economia poderá dar uma reviravolta, uma vez que as pessoas reformadas vão ficar com um maior poder de compra. Gostava de continuar a trabalhar como animadora, neste momento estou a trabalhar temporariamente, vamos ver o que o futuro me reserva, mas espero que coisas boas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nutelleria traz mais sabor a Leiria

Com kebabs, com waffles, com churros, com bolas de berlim, com crepes, com croissants e até mesmo com gelados. Aqui,  nutella dá com tudo. Não fosse esta a primeira Nutelleria que Portugal viu nascer em Leiria, no passado dia 6 de Dezembro.

Assim que se entra no novo espaço, após uma longa espera na fila, para saborear uma pequena delícia recheada de chocolate, sente-se o inconfundível cheiro a nutella. Há pessoas espalhadas por todo o lado e cresce água na boca só por se sentir o cheiro. Afinal é apenas uma amostra da guloseima que vai tornar mais doce o dia de quem a prova.

"A ideia de criar uma Nutelleria nasceu com este frasco de nutella", explica Sérgio Duarte, 36 anos, referindo-se a um pote de 5kg de chocolate, oriundo de França. Foi no Verão passado que Sérgio e a irmã Sónia Santos, 40 anos, decidiram expandir um negócio de distribuição de kebabs que já tinham. Movidos pela vontade empreendedora de fazer mais, seguiram os conselhos de um casal francês amigo e abriram um espaço com um conceito inovador no centro de Portugal.

"O que nos diferencia de outros locais são os churritos e os kebabs", menciona o proprietário acerca daqueles que considera o cartão de visita do espaço. O concept store em Leiria é apenas uma experiência de um projecto que está a crescer e promete não ficar por aqui. "A ideia é fazer melhoramentos e seguir para cidades como Porto, Lisboa e Coimbra em 2015", acrescenta. Os impulsionadores do projecto querem, numa fase inicial "tomar conta de todos estes espaços", explica Sérgio Duarte acerca do negócio sobre o qual não tem tido "mãos a medir".

Acorrem à Nutelleria pessoas com idades compreendidas entre os 8 e os 80. Rui Cordeiro, de 33 anos, conheceu a Nutelleria através de uma reportagem da SIC. "Estou a comer um kebab de nutella e está a ser óptimo", diz. Apesar de ser a primeira vez que visita o espaço, não vai deixar que esta seja a última: "sim, tenciono vir mais vezes", admite.

O espaço é pequeno mas acolhedor. Agrada a todos os que por aqui passam. As janelas grandes e as paredes brancas criam um ambiente favorável e arejado que apela a uma pequena pausa e incentiva a um generoso "break".

"Estamos sempre à procura de novos produtos que nos diferenciem de outros locais", afirma o proprietário. O bolo do dia, o cheese cake e os cookies são exemplos de alguns dos doces que se pretendem colocar no mercado em breve. 

À semelhança de Rui Cordeiro, também Natalina Rodrigues, de 32 anos, da Bajouca, conheceu o espaço através dos meios de comunicação social. "Tenho pessoas amigas que já tinham vindo cá e também vi a reportagem da SIC", admite. Enquanto os dois filhos saboreiam uma bola de berlim com chocolate, Natalina entrega-se aos prazeres degustativos dos churritos com nutella. A intenção é a "de voltar", admite.

No que se refere à divulgação da Nutelleria que tem apenas umas semanas de existência, são "os próprios clientes a fazerem-na enquanto aguardam e tiram fotografias que depois partilham nas redes sociais, das longas filas de espera onde estão", admite o dono do espaço. "Fazemos muito pouca coisa, limitamo-nos a uns posts no Facebook, pois não temos tempo", já que não há mãos a medir para atender tantos nutelleiros que acorrem a este lugar. 

O gosto pela nutella acaba por fazer parte do percurso de vida dos dois proprietários e empreendedores, que transportaram uma tradição da Alemanha para Portugal. "Em 1992, quando vim para Portugal, não existia uma Nutelleria. Foi por isso que pegámos num conceito que nos é tão familiar e tão querido", explica Sérgio Duarte.

E quanto às surpresas para 2015? "Queremos tentar surpreender o cliente com inovações, como o cake design", isto é, um bolo que permita ao cliente definir o que quer, de acordo com a sua vontade e principalmente em datas especiais, como os dias de anos.  

"A afluência ao pequeno espaço tem sido grande, muito para além das nossas expectativas, não esperávamos tanta adesão por parte do público e da comunicação social", declara Sérgio Duarte sobre o balanço do primeiro mês de actividade. Afinal, só falou com a "Perguiça Magazine" e com a comunicação social local para divulgar o projecto numa fase inicial. Depois, movidos pela curiosidade, bloggers e a SIC, deram um saltinho a Leiria para falarem e darem a conhecer ao país a novidade.  

Para todos os que ficaram com água na boca no final deste texto, as portas da Nutelleria localizada no Largo Paio Guterres, n.º18 estão abertas de segunda a quinta entre as 9h e as 20h, às sextas, aos sábados e em vésperas de feriado entre as 9h00 e as 00h00 e, aos domingos, das 10h às 20h00. O dia de descanso semanal é às terças-feiras.


Texto: Ana Isabel Mendes
Fotografias: Hélder Ferreira