domingo, 24 de junho de 2018

Praia vs Parque Aquático

O Verão chega e a questão coloca-se: praia ou parque aquático? Para muitos a resposta é óbvia; para outros nem tanto. E a pensar nos "nem tanto" decidi escrever sobre um tema tão actual quanto pertinente. Tendo em conta as vantagens e as desvantagens de ambas as escolhas, há que ponderar na hora de decidir.

Quem gosta de água salgada, de liberdade, de flexibilidade de horários e de espaço deve optar pela praia. Parece mais do que óbvio que o ar da maresia e a liberdade de movimentos possa levar os amantes de mar à praia. Eu sou suspeita porque prefiro a praia à piscina; as paisagens naturais, as rochas que se erguem da areia, o cheiro a mar e o sal que fica na pele depois de um banho gelado. Apreciaria mais de o banho fosse de água morna, mas é fria que o nosso Atlântico tem para nos oferecer.


Apesar de eleger a praia como destino preferido compreendo quem prefira a piscina para umas horas de ócio. Afinal a imprevisibilidade das ondas do mar, o vento que arrasta a areia para cima das toalhas (e das pessoas!), a deslocação até à praia (que nem sempre é tão perto quanto possa parecer) e, para quem tem crianças, a constante preocupação de olhar por elas a toda a hora podem ser factores decisivos na hora de escolher uma piscina ou um parque de diversões aquáticas em vez da praia.

Para os que optam por uma piscina ou um parque aquático, a facilidade em encontrar estacionamento, a segurança oferecida pelos vigilantes e nadadores salvadores, a facilidade em controlar melhor os movimentos das crianças podendo divertir-se ao mesmo tempo, a diversidade de brincadeiras na água e a proximidade da zona de residência podem ser motivos mais que suficientes para escolher.


Mas como tudo na vida, optar por um parque aquático / piscina, tem os seus "senãos"; ter de obedecer a horários de abertura e de fecho, estar confinado a um espaço limitado, os preços nem sempre muito acessíveis, a maior propensão a desenvolver fungos nos pés ou a maior exposição a acidentes nos escorregas aquáticos são alguns dos condicionantes do uso das piscinas.

Claro está que na hora de escolher é preciso ponderar "prós" e "contras". Eu prefiro a praia à piscina. Sempre preferi. Escolho o natural em vez do artificial; no entanto as minhas preferências não me levam a detestar o outro local. Isto porque é tudo possível e, às vezes, conciliável. Independentemente de qualquer que seja a escolha é preciso protegermo-nos do sol com protector solar e evitar a exposição solar durante as horas de maior calor, sem nunca esquecer o chapéu de sol!

sábado, 9 de junho de 2018

Catarina Marques: “Moçambique poderá vir a ser a minha casa”

Tem 21 anos de idade e decidiu trocar as voltas ao rumo que se apresentava como certo – fazer um mestrado. Catarina Marques, de Alcobaça, distrito de Leiria, está há um mês em Maputo e está certa de que o destino que o programa de estágios internacionais – INOV Contacto - escolheu para si não poderia ter sido o mais adequado.

Catarina Marques na marginal, com vista para o Índico
Terminou a licenciatura em Gestão no passado mês de julho, fez um estágio de três meses numa empresa da sua área, a KPMG, e decidiu concorrer ao INOV Contacto em agosto do ano passado. Depois de ter equacionado diversas opções, como seguir para o mercado de trabalho ou tirar mestrado, decidiu apostar numa experiência internacional: “precisava de um desafio que testasse todos os meus limites”, assume Catarina.

Da decisão de sair de Portugal até chegar a Maputo foi um salto: “nunca tinha estado seis meses fora do meu país”. Catarina foi avançando nas diferentes fases do processo de recrutamento do INOV Contacto, tendo colocado Moçambique como uma das suas preferências. Justifica que “as pessoas que já cá tinham estado falaram muito bem do programa especificamente neste país”.

O pressentimento de ir parar à “Pérola do Índico” cumpriu-se e, além de ter sido escolhida para um país num continente diferente do seu, também mudou de registo profissional: do corporativo foi escolhida para uma incubadora de empresas, a IdeaLab. “Nunca pensei em desistir”, admite.

Apesar de estar a viver e a trabalhar há apenas um mês em Maputo, Catarina reconhece que a experiência já lhe trouxe benefícios aos níveis pessoal e profissional. “Estar a viver com três pessoas com personalidades diferentes da minha é uma grande aprendizagem”, diz quanto ao lado pessoal. Por sua vez, em termos profissionais, admite que não quer mudar a maneira de trabalho dos locais: “quero lutar pelo trabalho tal como eles lutam. Quero acrescentar valor à empresa e receber conhecimento”. Depois do trabalho, Catarina aprende marrabenta, uma dança local, e faz voluntariado na distribuição de sopa aos sem-abrigo.

Catarina e duas amigas a exibirem as suas capulanas
Depois dos seis meses de estágio, Catarina admite que Moçambique é um país no qual se imagina a viver mais tarde, embora neste momento queira voltar a Portugal para solidificar a sua carreira profissional. Já estabelecida e com mais conhecimento na sua área, a jovem assume que poderá vir a escolher Moçambique já que “este é um país extremamente feliz para se viver”. 

O melhor por lá…
Para Catarina, “a simplicidade e a felicidade com que as pessoas vivem e conseguem transmitir” é o melhor que há na Pérola do Índico.

O pior por lá…
Ter de pensar duas vezes antes de sair à noite é o que mais incomoda a jovem. “Nesse aspeto sinto um pouco de falta de liberdade”, diz.

O mais surpreendente por lá…
Ter encontrado um país onde se aposta cada vez mais no empreendedorismo. “Nunca na vida achei que houvesse este pensamento empreendedor por parte dos moçambicanos”, conclui. 

Poderá acompanhar as aventuras da Catarina em Moçambique através do link: https://esefugirmosaregra.blogspot.com/

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Ser CRIANÇA

cri·an·ça 
(criar + -ança)

substantivo feminino
1. Menino ou menina no período da infância.
2. [Figurado]  Pessoa estouvadapouco sériade pouco juízo.
3. Educação.
4. [Antigo]  Criaçãocria.
"criança", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.

Criança, substantivo, género feminino, número singular. É isto que me diz o dicionário de uma forma morfológica, simplificada e objectiva. Criança, um ser humano tão frágil que todos devemos respeitar. Um ser de direitos e com deveres que se deve acompanhar e proteger (não super-proteger!!) na infância e libertar na adolescência. Um ser sensível, que aprende especialmente através da imitação, da repetição e da associação. 

"Criança". Porquê este tema hoje? Porque na sexta-feira, 1 de Junho, foi o Dia Mundial da Criança, o dia de relembrar que todas as crianças do mundo têm direito a serem felizes, a brincarem, a terem uma família, a serem protegidas, a serem ouvidas e respeitadas, a serem, ao mesmo tempo, livres e abraçadas.

As Nações Unidas aprovaram a 20 de Novembro de 1959 a Declaração dos Direitos da Criança, proclamando os direitos das crianças de todo o mundo. Contudo, bem se sabe que os direitos das crianças não são respeitados nem todos os dias, nem em todos os lugares do mundo. Inclusive, existem criança que nem chegam a sê-lo pois o dever as chama e as impele a tornarem-se mini-adultos.
Em Moçambique, vi crianças a serem adultos. Vi meninas com responsabilidades de mulheres e meninos com responsabilidades de homens. Também vi meninos a brincarem com pneus de carros ou rodas de CD's. Vi rostos de uma felicidade transcendente que só conhecem as ruas dos seus bairros. Vi sinceridade nos sorrisos e verdade nos olhos. Vi muito mais do que um dia imaginava ver, vi o que as palavras não descrevem.
Em Portugal, vejo crianças insatisfeitas porque só têm um tablet, vejo meninos que respondem aos professores, vejo crianças tristes porque os pais não lhes dão o devido tempo nem lhes proporcionam a atenção que merecem, vejo insatisfação com aquilo que têm.

Com estes dois últimos parágrafos não quero dar a impressão de que os meninos são infelizes em Portugal e felizes em Moçambique. Quero, somente, dar uma pequena ideia de como a infância pode ser vivida de forma tão diferente em países e culturas também tão distintos/as. Nada de comparações, que são inadequadas e impróprias. Apenas formas diferentes de ser "Criança" e de viver esta fase da vida como tal.


domingo, 27 de maio de 2018

Rafael Pascoal vence IV Torneio Jovem de Xadrez de Pombal

Rafael Pascoal foi o vencedor do IV Torneio Jovem de Xadrez de Pombal que se realizou na tarde de sábado, 26 de Maio, na Escola Básica Integrada Gualdim Pais. Promover o convívio entre os xadrezistas que frequentam as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC's) na freguesia de Pombal foi o principal objectivo cumprido numa competição que reuniu cerca de 120 participantes. 

Além de Rafael Pascoal, aluno do 4º ano do Centro Escolar Fonte Nova, foram galardoados com os prémios de primeiro, segundo e terceiros lugares alunos do primeiro ao quarto ano de escolaridade. 

No quarto ano de escolaridade, Gonçalo Santos da Escola Básica do Travasso ficou com o primeiro lugar, seguido de Francisco Cardoso do Centro Escolar Fonte Nova e de Edgar Gonçalves do Centro Escolar de Pombal, com os segundo e terceiro lugar, respectivamente. 

No terceiro ano de escolaridade o primeiro lugar foi para Tomás Fernandes, aluno do 3º ano no Centro Escolar Fonte Nova e o segundo e terceiro lugares foram para Andrey Pogodin,  do Centro Escolar de Pombal e Mateus Correia, aluno no Centro Escolar Fonte Nova.

Tomás Diogo, aluno na Escola Básica do Barrocal; Henrique Cação, da Escola Básica do Barrocal e Andreia Cardoso, da Escola Básica do Casalinho subiram ao pódio com o primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente, no segundo ano de escolaridade.

Os vencedores do primeiro ano de escolaridade foram Tiago Madeira do Centro Escola Fonte Nova, Xavier Silva do Centro Escolar Fonte Nova e Eva Chorna da mesma escola. 

O sistema de jogo suíço foi o escolhido para este torneio, tendo realizado-se em sete sessões, em partidas de oito minutos para cada jogador. A organização do evento esteve a cargo da Junta de Freguesia de Pombal, da Edubox e da Forminho, tendo contado com o apoio dos agrupamentos de escolas de Pombal e Gualdim Pais.

No fim e de acordo com a organização, o balanço do torneio foi muito positivo, os alunos e os encarregados de educação desfrutaram de momentos de convívio e de partilha de conhecimentos e todos estiveram envolvidos num espírito competitivo saudável.

Preparação dos jogos
Vencedores do 1º ano de escolaridade
Vencedores do 2º ano de escolaridade
Vencedores do 3º ano de escolaridade
Vencedores do 4º ano de escolaridade
Todos ao pódio

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O que me ensinou a emigração

Nem sempre é fácil começar a escrever um texto numa folha em branco. Sem um fio-condutor, sem uma linha de raciocínio coerente ou sem um plano mental estruturado, mais difícil se torna. Mais ainda quando toca a assuntos da alma e a confissões do coração. Mas depois de uma ausência (reflexiva) algo prolongada, penso que já posso colocar no papel aquilo que me vai na alma, sobre o que a emigração me ensinou e para mim significou.

Moçambique não foi a minha primeira experiência internacional. Há cinco anos havia estado seis semanas na Bulgária. Mas, efectivamente, foi a primeira vez que saí do continente Europeu. Aprendi muito com as duas experiências internacionais, mas claro, mais agora. Afinal foram 15 meses fora num país em que apenas a língua é a mesma que a do meu país-natal. Tudo o resto é diferente. Se quiserem saber um pouco daquilo que me ensinou esta minha viagem por África, Moçambique, Maputo, Bilene, Chidenguele, Ilha de Moçambique, Pemba, Ilhas Quirimbas e tantos lugar fabulosos que tais, embarquem comigo nos próximos parágrafos.
Tudo começou faz hoje precisamente um ano e quatro meses. Estávamos a 25 de Janeiro de 2017 quando, pela primeira vez, pisei solo moçambicano. O primeiro impacto foi o climático: afinal vinha do severo Inverno português para o auge do Verão moçambicano. Mas, de manhãzinha, o céu estava enublado. No entanto, o "bafo" quente e húmido que senti logo que cheguei deram-me sinais de que estava no Hemisfério Sul, em Moçambique, em Maputo.

A caminho da casa da C fui-me deixando impressionar com todo o cenário que se afigurava tão diferente daquele a que estava habituada: perto do aeroporto, casas em ruínas, barracas destruídas. Perto do sítio onde viria a ficar hospedada por um mês e pouco, buracos no chão, lixo por todo o lado e cheiros, muito diferentes daqueles que eu conhecera antes. Claro que não pude deixar de reparar no verde das árvores e nas estruturas edificadas que se erguem e tocam no céu. Tudo podia estar conservado de uma outra forma, mas senti a essência da beleza da cidade assim que pousei pé na estrada para entrar em casa.

Este foi apenas o início de uma aventura com muitos "altos e baixos" que me fez crescer muito a bem e a mal. Sofri desesperadamente ri com muita vontade e aprendi inconscientemente, principalmente ao nível pessoal. Em vez de redigir um parágrafo sobre aquilo que por terras moçambicanas aprendi, prefiro enumerar, por tópicos, para tornar a leitura mais fluída e não chatear o leitor.

Ora muito bem...

* Aprendi a ser mais paciente, pois reclamar de uma hora de espera em qualquer restaurante ou café moçambicanos de pouco ou nada serve;
* Aprendi a levar assuntos sérios a brincar, pois o stress enerva, faz cabelos brancos e desgasta qualquer um;
* Aprendi a não ficar ressentida. Afinal, para que serve isso, mesmo?
* Aprendi a ser mais resiliente e a ultrapassar os meus impasses com um sorriso no rosto;
* Aprendi que a falta de carácter é um cancro mundial e que o melhor a fazer é afastarmo-nos de pessoas incoerentes;
* Aprendi que a cultura não pode justificar a falta de educação e a ausência de compromisso;
* Aprendi que é preferível estardo que mal acompanhado(a);
* Aprendi que o dinheiro move o mundo de muitas pessoas. Apesar disso, tornei-me menos materialista do que já não era;
* Aprendi que o dinheiro não é tudo na vida e que o que interessa é ser feliz, com menos que se tenha, com aquilo que se tem;
* Aprendi a menosprezar assuntos inúteis e a valorizar o que realmente importa;
* Aprendi que "devagar se vai ao longe";
* Aprendi que não se devem usar as pessoas para atingir os nossos fins;
* Abri bem os olhos no que toca às "facadas nas costas";
* Aprendi a ser bondosa, generosa e simpática só para quem merece, para quem merece o melhor de mim;
* Aprendi que todos os dias se aprende mais um pouco.

Até já,
Ana I Mendes