domingo, 3 de fevereiro de 2019

Quando a vida nos dá uma oportunidade para mudar...


Já não escrevo neste blogue há cerca de um mês. Por falta de tempo, de organização, de inspiração ou de disponibilidade mental, não tem havido um motivo suficientemente forte que me traga a este espaço de reflexão. A verdade é que janeiro foi, para mim um mês de mudança. Este ano não fugi à máxima de "Ano Novo, Vida Nova".

Novos recomeços traçaram-se na minha história de vida. E, por isso, pouco tempo me tem sobrado para me debruçar sobre essas mudanças. É tudo novo, a cidade, o trabalho, o estilo de vida, o tempo e até mesmo a paciência! Mudar é bom e é preciso saber aproveitar quando a vida nos dá uma oportunidade para recomeçar. 

Decidi recomeçar assim que voltei de Moçambique, em maio passado. Depois de muitos meses de turbulência profissional e instabilidade pessoal, de muitas quedas e de muitos "nãos" a fecharam-me a porta, lá aparece no meu caminho a oportunidade de iniciar um estágio profissional numa empresa em Lisboa. Fui, arrisquei, esperei e hoje não me arrependo. 

Tenho aprendido muito todos os dias! Saí do meu "habitat" natural e sinto que dei um passo muito positivo na minha (ainda curta) carreira profissional. Arrisquei numa área que não é a minha, embora com algumas "pontes de contacto" com o jornalismo e não me arrependo de ter começado algo novo, que pode vir a ser muito importante num futuro próximo, para a minha carreira profissional e para o meu percurso pessoal.

Mudar não é fácil; sair da zona de conforto também não. Mas li há uns tempos que "a zona de conforto é um óptimo sítio para se estar; é pena que não se aprenda lá nada". E não. A vida começa fora do nosso "habitat natural", quer se trate da mudança de casa, de trabalho, de emprego, de área profissional, de cidade, de país ou de vida!

Quando a vida nos dá uma oportunidade para mudar, não a devemos desperdiçar, à espera que surja uma oportunidade ainda melhor, pois essa pode nunca vir a surgir. Depois vem o arrependimento. O "E Se"? Ás vezes esperamos, desesperamos e voltamos a esperar sem que nada aconteça. E, logo de repente, assim do nada, surgem duas boas oportunidades! Plim! É preciso decidir. Abrir mão de uma para apostar noutra. Isso aconteceu-me este ano.

Sempre apostei em mim e sempre continuarei a fazê-lo. A dar mais à minha vida, à minha carreira profissional, à minha formação, aos meus estudos! Por vezes falta-me a confiança em mim, nas minhas capacidades no "eu consigo"! Às vezes o receio da mudança bate-me à porta, juro que sim! Mas é nessas alturas que tento ter mais fé e confiança em mim para trilhar um caminho desconhecido, por vezes assustador mas, no fim, muito recompensador.

Afinal, se eu não acreditar em mim, quem acreditará?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2019, um ano de mudança

O "ano velho" despede-se e o "ano novo" dá os primeiros ares da sua graça. Os votos de "bom ano" renovam-se e as promessas para 2019 renascem. Umas diferentes, outras iguais às de anos passados (aquelas que ficaram por cumprir). É tempo de introspecção e de projectar um Ano Novo que, como sempre, se afigura promissor. Todos os anos a mesma coisa, nada de novo. Mas este ano é que é.

Em 2018 regressei da minha aventura de mais-de-um-ano em Moçambique. Caí e levantei-me vezes sem conta. Chorei, ri, esbracejei, desesperei por tudo estar a correr ao contrário do anteriormente planeado por mim. Dei quedas maiores do que alguma vez pensara suportar. Sobrevivi e, sem dúvida, sei que agora estou mais forte, capaz de ultrapassar com "outra estaleca" as intempéries da vida. 

Normalmente, quando se perde demasiado tempo a planear, é quando as coisas dão para o torto. Precipitar os acontecimentos, forçar as circunstâncias e impedir que a vida siga o seu rumo natural dá sempre ou (quase) sempre asneira. E eu tive de aprender assim; a bater com força com a cabeça nas paredes. Há que saber aguardar, saber esperar. A vida sabe bem o que faz e não é por estarmos a desesperar que as coisas vão apressar-se no sentido que queremos.

Em 2019 espero aprender ainda mais. Ser mais paciente e agir com uma maior prudência. Tudo se comporá quando tiver de ser e não vale mesmo nada a pena estar a forçar as coisas a acontecerem. Calma e ponderação são as palavras-chave para este novo ano que agora se inicia. Quanto ao resto (que é só o resto), a vida encarregar-se-á do melhor para cada um de nós. Não falo em parar e cruzar os braços. Não falo em julgar sem conhecer. Falo em lutar com moderação. Em deixar as coisas "rolarem". Em permitir que a vida dê uma "mãozinha".

Se esperamos que o Ano Novo seja melhor que o Ano Velho que passou, 2019 espera que nós sejamos melhores!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

O Natal a oito mil quilómetros de distância


Quando se pensa em Natal é inevitável associá-lo à família, ao aconchego do lar, à variedade gastronómica na mesa da consoada, às luzes, ao presépio e ao pinheirinho. Saudade, ausência, e distância são palavras que parecem não caber no léxico natalício. Mas nem sempre é assim. Certo e sabido que vida de emigrante não é fácil, só lhe dá o devido valor quem por ela passa. E quando as circunstâncias obrigam a passar a Consoada e o Dia de Natal longe do tradicional quentinho familiar, tudo assume outros significados, por nós desconhecidos…

Resiliência. Saudade. Falta. Talvez sejam essas as palavras que melhor definem o meu Natal passado. Decidi passar a consoada no meu T1 alugado em Maputo, na cidade onde residia e trabalhava há um ano. O Natal a oito mil quilómetros de distância da família. O Natal a 12 horas de avião de casa. O Natal sem os amigos por perto. O Natal sem o perú nem o bacalhau. Sem dúvida, o Natal mais difícil de sempre. Senti muitas saudades. Senti imensa falta. Mas a minha resiliência obrigou-me a ser forte para que esses não fossem os dias emocionalmente mais destrutivos de sempre.


Não havia luzes. Não havia pinheiros e muito menos presépios, visto que os moçambicanos são, na sua maioria, muçulmanos. Não havia ruas enfeitadas nem desfiles de pais-natal. Não havia espírito natalício. Nada. Zero. Imagino que houvesse, sim, paz e serenidade dentro do lar de cada um. Aquela que eu procurei e não tive, simplesmente porque estava sem a minha família por perto. Recusei um convite para passar o Natal junto da família de uma amiga moçambicana. Pensei que assim fosse doer menos. Mas não. Doeu, foi um Natal a não repetir. Se o passei com um ou outro amigo, posso dizer que não foi a mesma coisa.

Com o que escrevi no parágrafo anterior não quero dizer que me arrependo de ter passado o Natal fora. Tudo são experiências de vida, tudo é motivo de crescimento. E eu cresci. Amadureci. Agora sei o que é passar o Natal longe de casa e com MUITO calor. Sim, aproveitei as praias do Norte de Moçambique e a beleza avassaladora das Ilhas Quirimbas para passar um fim de ano memorável.

Com o distanciamento que esta reflexão merece, posso dizer que me sinto grata por ter tido a experiência de vida de que hoje me orgulho. Venci, disso não tenho a menor dúvida! Lutei e fui em frente. Assumi que a vida não é um mar de rosas e aceitei esse Natal como uma dádiva, com um outro género de sol e com o CALOR típico que só um país tropical pode oferecer. Venci a saudade e a distância tornou-me mais forte. Passei um natal cheio de calor e de mar e só posso sentir grata pela experiência que a vida lá fora me proporcionou.

A todos desejo um feliz e quente NATAL.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Relembrar as quentes praias do Índico

Saudades destes dias de frio e chuva? Nãããão. Mas se estou de volta a Portugal é com o clima luso que tenho de (con)viver novamente. Facilmente me habituo ao bom tempo, ao sol, ao abafado estonteante característicos do clima tropical. Facilmente me habituo a vestir camisola de manga curta todo o ano, aos chinelos e às sandálias e até ao mosquitos que teimam em não deixar dormir. Os mosquitos e o calor. CALOR. Só aprendi o que era calor, CALOR real, quando coloquei o pé em solo moçambicano, no dia 25 de janeiro de 2017. 

Esse 25 de janeiro estava abafado e chuvoso. Muito abafado. Cinzento. Com chuvas fortes e persistentes mas efémeras. Assim que saí do avião, o bafo abafado do clima tropical moçambicano abraçou-me com um abraço sincero. Podia acreditar: pela primeira vez saíra do continente Europeu para experimentar outros ares, outros climas, que de certo mudaram a minha vida.

Saudades, isso sim, do bom tempo. Do calor húmido que não deixa dormir, dos dias de 36º  (com uma sensação térmica de 40º) que convidam a uma "piscinada" na Vila das Mangas, dos fins-de-semana (prolongados ou não) que nos atiraram para o azul indescritível da praia do Bilene, para as águas quentes de Inhambane ou para a tranquilizante praia do Tofo. Conheci Vilankulos num fim de semana prolongado de Dezembro. Calor, águas salgadas e tranquilidade. Não precisava de estar de férias, o sal do mar das praias mais próximas de Maputo ajudavam a revigorar as forças que se esvaíam durante a semana.

Fins-de-semana que se transformaram em fins-de-semana perlongados e em férias, as no Natal passado que quero por vezes apagar da memória e (re)lembrar ao mesmo tempo. O fim de ano de 2017 que nunca irei esquecer, não só pelas pessoas, mas muito pelos locais. Visitei as Ilha do Ibo e as Ilhas Quirimbas, localizadas no norte de Moçambique, pertencentes ao distrito de Pemba. Pemba, que explorei durante quatro dias e onde conheci a Wimbi Beach. Repleta de algas, mas que me recebeu com um caloroso abraço e com a simpatia tatuada no sorriso dos habitantes locais. Há, de Pemba trouxe ainda fotos dignas de bonitos fundos de ecrã de computador que, na realidade, são ainda mais lindas.

Guardo na memória a magia e a misticidade do locar mais bonito que conheci no início de maio deste ano: a Ilha de Moçambique. Posso falar do clima irregular, das chuvas grossas, persistentes e efémeras de maio que inundavam as principais ruas e ruelas da cidade. Posso falar nas crianças rotas e descalças que saúdam os turistas com risos sinceros e tentam vender as suas artes de modos honestos. Posso falar do sol que se abria depois da tempestade a nas incertezas das águas calmas do Índico. Posso falar dos corais de uma beleza indescritível... Mas não consigo descrever o sentimento que se apoderou de mim em cada rua, cada estrada, cada sitio recôndito que descobria. 

Cada canto mais lindo que o outro. Cada casa com história e com o legado da passagem dos portugueses por "mares nunca dantes navegados". Cada esperança descortinada pela passagem em mais uma rua desconhecida. E a felicidade de, em cada ilha que visitava, ficar a conhecer um pouco mais acerca da Pérola do Índico.





quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Raquel Loureiro, em Bonn: “Viver e trabalhar fora de Portugal é uma oportunidade”

Tem 28 anos, é jornalista e trabalha na Alemanha. Raquel Loureiro, natural de Pombal, decidiu aventurar-se numa experiência profissional internacional em Fevereiro do ano passado. Foi o programa de estágios internacionais, INOV Contacto, que ditou o futuro que se tem desenhado desde então em Bonn, Alemanha.


Com algum currículo em jornais e revistas nacionais, como o Correio da Manhã e a Ambitur, Raquel sempre sonhou com uma carreira internacional. Concorreu ao INOV Contacto e foi seleccionada para integrar a rádio internacional Deutsche Welle. “Trabalho na redacção Português para África da rádio internacional Deutsche Welle”, explica a jovem jornalista.

Sobre a experiência profissional na Alemanha, Raquel sente-se realizada, reconhecendo que esta é o culminar “das escolhas que fui fazendo ao longo deste percurso”. Em solo alemão foi “atrás de uma nova experiência profissional e que continua a ser, todos os dias, um desafio e uma realização pessoal”, admite.

Quando se fala em saudades, da Guia, no concelho de Pombal, sente falta dos amigos e da família, das festas, dos cafés, da tranquilidade do campo e da proximidade à praia. A jovem jornalista assume, ainda, que a gastronomia portuguesa “não é igual em nenhuma parte do mundo”. Apesar dos argumentos que a fazem querer voltar, não tem data prevista para o regresso. “A vontade existe e é grande, mas na «hora H» é difícil, diria quase «suicida», tomar a decisão de trocar o certo pelo incerto”, admite.

Na Alemanha gosta das condições de trabalho que lhe oferecem: “a mentalidade é, nesta vertente, muito diferente da portuguesa”, explica Raquel. Desta experiência internacional leva o conhecimento de outras culturas e línguas e a superação pessoal: “como tudo na vida, no início a coisa custa, porque caímos na tentação de estar sempre a comparar o "lá e o cá", o que acaba por não ser saudável. Mas, ultrapassada essa fase, a experiência é riquíssima”, destaca.

Raquel acredita que todas as pessoas deveriam sair da sua zona de conforto e de ter uma experiência de trabalho ou de estudo no estrangeiro. Na sua opinião, “ir trabalhar e viver para fora do país natal é uma oportunidade e não uma obrigação”. Considera-se não uma emigrante, mas sim uma viajante que vai e volta apesar de confessar que, a ter de escolher, regressa ao seu Portugal. AIM

O melhor por lá...
“A localização central na Europa  - que me permite viajar - e o poder deslocar-me diariamente de bicicleta para qualquer lado”, diz a jovem jornalista.

O pior por lá...
Para Raquel, “o frio e neve no inverno e a comida, demasiado condimentada” são os “senãos” na Alemanha.


O mais surpreendente por lá…
“O cumprimento, à risca, de tudo o que são regras e o respeito que [os nacionais] têm pelo meio ambiente”, considera Raquel.

Bonn
Alemanha

Fundação 3 de outubro de 1990
Habitantes 82,67 milhões (censos de 2016)
Salário mínimo:1.498,00 EUR por mês
Curiosidades
Bonn é uma cidade na Alemanha ocidental que se estende ao longo do rio Reno. É conhecida pela Beethoven-Haus, numa localização central, um memorial e museu que honra o local do nascimento do compositor. Nas proximidades, encontra-se a Catedral de Bonn, uma igreja com um claustro românico e elementos góticos, a Altes Rathaus e o Palácio Poppelsdorf, que alberga um museu mineralógico. A sul, encontra-se a Haus der Geschichte, com exposições históricas do pós-Segunda Guerra Mundial.