Agora penso e já passaram 21 dias. Já passou, também, a tua lua-de-mel. Passaram dias de um sonho e que marcam uma nova etapa da tua vida. Passaram dias que manteremos todos na memória até porque é urgente perpetuar a memória dos bons momentos. E é isso que agora fica, a recordação de uma felicidade indizível, traduzida em lágrimas.
Vinte-e-um-dias, querida Pandora. Há 21 dias surpreendeste-nos a todos. Não só com a original menina das alianças, com as tuas típicas e inigualáveis sapatilhas de casamento, mas também com outra(s) coisas. Não te esqueças de que também tu foste surpreendida. Mas hoje apetece-me falar(te) da rasteira que nos pregaste a todos.
O dia tinha tudo para ser perfeito: naquele meio-dia-e-meia o local do casamento era uma quinta familiar fantástica, localizada perto do Palácio de Queluz, os convidados elegantemente bem vestidos ansiavam a tua chegada, o noivo estava ansioso por dizer "sim" e o teu pai preparado para guardar todos os momentos memoráveis através do registo fotográfico. Então chegaste tu, mais do que linda, indescritívelmente deslumbrante.
Estava tudo a posto para dar seguimento a um casamento de sonho. A "welcome drink" antes do almoço tinha tudo para resultar. O dia solarengo ajudava a despertar os sentimentos mais afáveis dos convidados e, até eu que não conhecia ninguém, senti-me predisposta a socializar e a passar um bom dia na vossa companhia.
Até que... Um estranho ser começa a "meter-se" com os convidados. Reparei, pela primeira vez, que "ele não batia bem" quando aproximou exageradamente a bandeija com os petiscos da minha cara, mesmo em frente ao meu nariz e insistia até eu tirar "qualquer coisa". "Não quero, obrigada", respondia educadamente. "Mas tire", dizia enquanto aproximava o tabuleiro além do limite do razoável.
Não liguei, ou fiz por isso. Mas apercebi-me de que não era só comigo que isso acontecia; as pessoas, em geral, comentavam o comportamento atípico do jovem empregado que não tinha mais do que 30 anos. Estranho. Como é que a empresa de prestação de serviços de restauração coloca uma pessoa como aquela, sem a mínima sensibilidade, a lidar diretamente com pessoas. - Nunca pensei que ali "houvesse gato" e, tal como eu, aposto contigo que ninguém desconfiou de nada.
Fiquei chocada quando ele se meteu comigo para dizer que a música do casamento era "uma seca". Mas mais escandalizada fiquei quando vejo que ele pega num cocktail de frutos vermelhos e tenta beber, "disfarçadamente", atrás dos arbustos. À vista de todos. As reprimendas do "tio" não pareciam dar resultado. E não davam.
Quando já pensávamos que tínhamos visto de tudo, acontece algo pior. Quando entras com o Paulo, Pandora, no local destinado ao almoço, o dito cujo atravessa-se à vossa frente e deixa cair a bandeja com os talheres. Foi a gota de água. Quase que te estragava o casamento... que cena, pá! Foi então que o "tio" disse que esta tinha sido a última oportunidade do sobrinho para mostrar o que valia. Afinal não conseguiu dar "conta do recado" e quase arruinava o melhor dia da tua vida... Enfim, foi-nos dito que estava no escritório a chorar e que se viria despedir dos convidados... Coitado, será que era precisa tamanha humilhação? - pensámos todos.

Até que... surpresa das surpresas... nem um minuto tinha passado para um mágico invadir o salão... Música, alegria, magia e diversão fizeram as delícias dos convidados que, aos poucos se foram apercebendo de que o garçon tótó não o era! Era um mágico com truques surpreendentes...
Foste mazinha e não te reservaste ao prazer de comunicar, através do microfone que os convidados "foram enganados". Nem as tuas damas de honor sabiam! Má, má, má! Mas foi lindo. Um casamento preparado à medida da tua imaginação e criatividade. Obrigada por tudo e as melhores felicidades para os ex-noivos, que agora são marido e mulher!


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