segunda-feira, 27 de julho de 2015

Adeus, Bodo!

Depois de um fim-de-semana-e-de-mais-quatro-dias de espectáculos, diversões, exposições, música, gastronomia e cultura, é tempo de dizer "até para o ano". 

Há semelhança de outros 24 Bodos pelos quais passei, este foi mais um recheado de coisas boas. Daquelas que me vêem à ideia neste momento destaco o concerto dos "The Gift" bem como o carrossel V (para dizer a verdade não sei como designar de uma forma politicamente correcta aquela diversão maluca onde deixei o estômago no serão da passada sexta-feira, enfim). Para mim estes foram os momentos altos do Bodo. Não só por aquilo que me ofereceram e pela indubitável emoção que proporcionaram, mas também pelas pessoas com quem estava no momento. 

Gritei, deixei o estômago lá em cima, emocionei-me e tive muito medo no V. Mas a companhia amenizou qualquer resquício de pavor que sobrasse após aquela volta louca. Apesar de tudo, valeu bem a pena. Sonhei, sorri, saltei ao som de "Fácil de Entender" da banda portuguesa The Gift, cujo estilo da vocalista me fez lembrar o da falecida cantora Amy Winehouse. A companhia de colegas que já não via a, arrisco dizer, meio ano, tornou ainda mais especial todo o clima mágico criado pela banda portuguesa. Sexta e sábado foram, sem dúvida, as noites "altas" do meu Bodo.

Também estive a fazer algo que muito me apaixona: escrever uma peça jornalística, para o próximo Pombal Jornal. Era sobre a primeira edição do "Cá Há Talentos". Também no sábado à noite tive muitas fotos para tirar e muitos momentos em que me inspirar para, seguidamente, redigir o artigo. A iniciativa, que partiu de uma parceria entre e Caixa de Crédito Agrícola e a Biblioteca Municipal de Pombal deu a oportunidade aos mais novos de mostrarem aquilo que valem. Fosse na dança, na música, na ginástica ou até mesmo na magia. Apesar de ter sido um serão algo trabalhoso, foi também muito bem passado.

Dei um saltinho por alguns expositores, que se localizavam no Pavilhão da Caldeira, na zona desportiva de Pombal, mas não liguei nada à parte dos tractores. Deixei-me enfeitiçar pelas acrobacias arduamente treinadas pelos ginastas da AcroPombal e tive especial atenção quando a minha pequena aluna Bruna fez a sua demonstração. Já que falo em miúdos e, em especial, nos meus miúdos, aproveito para dizer que alguns deles correram para me cumprimentarem deixando os pais para trás. "Teacheeeeeeeeeeeeer!", gritaram a Bruna, a Matilde e a Camila. E eu, de braços abertos a recebê-las com um beijo sincero e afável. Sem dúvida, o reconhecimento de um trabalho espectacular desenvolvido ao longo de todo um ano de ensino e de travessuras. 

Não toquei numa única fartura. Aquelas deliciosas e engorduradas delícias que são já uma marca típica do Bodo. Não foi por uma questão estética e, muito menos, pelo medo de engordar. Foi porque não me apeteceu. Mas, para compensar, não descurei os calóricos e, muito pouco saudáveis, kebabs. Mal ouvi um DJ. Aquele atentado desmesurado à boa música do "humts, humts, humts" em nada me seduz. E não e só de agora. Estive onde estive e com quem estive mais para ver quem já não via há muito e não tanto pela música. Ou pelo assassínio dela.

Silk, Orange Blue, DAMA, GNR, Emanuel e Banda Red passaram-me ao lado. Não é que as bandas não me seduzam. Bem pelo contrário. Afinal não são só os concertos que fazem do Bodo "O Bodo". Houve a procissão, que decorreu ontem à tarde, ao som das bandas de Pombal e da Guia. Mas eu também não fui. Além de não ter passado a tarde na Santa Terrinha, aposto que se não fosse tocar na minha banda teria algo bem mais interessante para fazer, que não fosse participar ou assistir a uma procissão longa e demorada ao sol.  

Comparativamente à idade adolescente, pouco ou quase nada me diz o Bodo hoje em dia. O Bodo e as festas em geral, nomeadamente as das "terrinhas". Isto porque se "o fruto proíbido deixou de ser o mais apetecido" e já posso ficar até às horas que quero nos carroceis, não faz sentido aqueles argumentos mais ou menos consistentes que me levavam a explicar aos meus pais porque é que, aos 16 anos, devia de ficar a ouvir os DJ's até às cinco da manhã. Não ia e ponto. Nem mais argumento, nem mais uma meia lágrima para ter o que queria. Podia esquecer e deixar as minhas amigas irem sem mim. Mas agora sou eu que não quero ir. Já não tenho idade para isso e, claro, outras prioridades sobrepõem-se à diversão.

Depois há aquela cena de só as pessoas da terra (residentes e emigrantes) saberem do que trata o Bodo, numa terrinha da província. Vivem-no como se não houvesse amanhã e guardam recordações para uma vida. Mas para quê, se depois vão a Lisboa falar com os amigos que por lá apanharam em tempos de faculdade, para lhes contarem a quantidade de shots que conseguiram beber sem irem parar ao hospital, se essas pessoas nem ideia fazem do que seja o Bodo? Mas claro, vale a pena ir. Nem que seja só para ver quem não se vê há tanto tempo, pois, bem lá no fundo, acaba por se encontrar toda a gente e mais alguma.

E parece que, este ano, o Bodo é para durar até amanhã, terça-feira. E isto a pensar na comunidade emigrante. Afinal não está um belo sol para ir para a praia? Vamos passear no fim-de-semana e, segunda e terça 'bora ao Bodo! Que tal? O presidente da Câmara Municipal de Pombal, Diogo Mateus, esteve muito bem ao explicar o porquê deste prolongamento ao Pombal Jornal, argumentando que "sentia e ouvia alguma frustração" por parte da comunidade emigrante que, "quando chegava a Pombal não aproveitava o Bodo". Muito bem, sim senhor.

Pode ser que, para o ano, até seja feriado (na segunda-feira que sucede o domingo de Bodo).

(um dia publico fotos lindas e maravilhosas deste Bodo. Mas hoje não dá!)

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