sábado, 20 de agosto de 2016

Meu querido mês de Agosto

Tenho-te visto todos os dias desde que começaste. Com bom tempo, sol, mar, alegria e boa disposição. Tenho-te recebido de braços abertos como se recebe um amigo e tenho-te confidenciado alguns dos meus segredos mais sombrios. Decidi que ias ser diferente este ano.

Sim, pode ser que diga isso todos os anos. Mas contigo é diferente. Só contigo. Porque, por excelência és o mês dos (re)encontros, das (re)cordações, que consigo tantas vezes trazem a tão portuguesa SAUDADE, das paixonetas insignificantes e dos dias de ócio. És tudo isso e muito mais, querido Agosto. És as fotos no facebook que teimam em fazer acreditar que contigo e com o verão está sempre tudo bem. És os banhos de água salgada que gelam os ossos mas que rejuvenescem a alma. És o sol que torna a minha pele mais escura e que faz as amigas morrerem de inveja. És os concertos de verão, os domingos da filarmónica e as conversas noturnas intermináveis. Continuas a ser as corridas temerosas. És, para sempre, as festas, as bebedeiras não-planeadas e as loucuras que não se contam a ninguém. 

És tudo o que de bom o verão tem. Mas também és os fogos, és as preocupações dos familiares e dos amigos dos bombeiros. És a angústia de quem vê, em segundos, destruído o trabalho de uma vida. És os afogamentos no mar e a vítima dos mergulhos mal dados que marcam (negativamente) para sempre a vida de quem se aventura por essas rochas fora. És a falta de discernimento das pessoas que, nas redes sociais, colocam tudo e mais alguma coisa e não se reservam em informar os assaltantes onde estão a passar as férias. És a loucura dos jovens que bebem de mais e se fazem à estrada, colocando a própria e a vida dos outros em risco. És os atos inconscientes dos perigos eminentes que, em segundos, podem desfazer a vida de todos.

És, simultaneamente, o bom e o mau, doce Agosto. Para mim este ano, tal como no ano passado, és invulgar porque não me dás férias. Dás-me trabalho na área de estudo e por isso não poderia estar mais agradecida. És atípico porque não me dás uma paixoneta leviana que, em setembro, me vai deixar de rastos. És diferentes porque me abraças com o teu afável beijo de sol e, aos fins de semana, proporcionas-me o descanso típico dos dias desta época. Agosto, és (algo) do que eu quero ser. 

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