sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Encosta do Vale Galego promete manter excelência


Uma ideia, um terreno onde a fazer florescer e uma enorme vontade pessoal de recomeçar. Foi com estes ingredientes com que se deu início, em 2002, à M. Cordeiro, uma empresa vitivinicultora e engarrafadora com sede em Foitos, Louriçal, dirigida por Manuel Cordeiro. Dedicando-se já à produção de vinhos enquanto jovem, Manuel Cordeiro só no ano 2002 enveredou pela alquimia do vinho, a que se entregou de alma e de coração, dando curso a uma aspiração antiga, entretanto consagrada com o reconhecimento internacional de sucessivos prémios e medalhas nomeadamente atribuídos aos vinhos Encosta do Vale Galego.

A procura do melhor local, em termos de combinação de características do solo e favorecimento climático, para instalar a sua vinha, levou Manuel Cordeiro à localidade de Pafarrão, Torres Novas. Ali viria a encontrar a porção de terra que hoje, por efeito do trabalho especializado que sobre ela recai e da excelente maturação que proporciona, fornece as uvas de elevada qualidade com que, desde 2006, o rótulo Encosta do Vale Galego não tem parado de crescer, alcandorando-se aos mais altos padrões do exigente mercado vínico. No sopé da Serra d’ Aire nasceu assim a Encosta do Vale Galego, atualmente com cerca de cinco hectares, a qual o empreender Manuel Cordeiro juntou três hectares e meio de duas novas vinhas, a vinha do Carvalho e o Vale da Lapa. A produção anual estima-se nos 30 000 litros de vinho tinto e 7 500 litros de vinho branco.

Dos longos e complexos meses de trabalho que a vinha reclama só se recolhe o fruto, sempre incerto, a partir do final de Agosto, início de Setembro, quando é chegado o tempo das vindimas. Começa-se pelo Aragonez, assinala Manuel Cordeiro, casta que primeiramente completa a maturação, com vindima manual, para melhor seleção das uvas. A recolha das uvas é feita de acordo com a maturação das mesmas e cada casta vindimada separadamente, de modo a ter-se maior margem no tratamento e seleção dos lotes, obtendo os mais variados tipos, qualidades, especificidades de vinho.

À chegada à adega, em Foitos, depois de viagem em cestos desde as vinhas, as uvas são desengaçadas (bago e engaço separados) e deixadas a fermentar, em processo conjunto das “massas” (bago esmagado) e do sumo da uva. Na sequência deste processo, ocorre a vinificação, em que as uvas e o líquido são transformadas em vinho. “A maior parte da vinificação é feita em lagar, a restante é feita em cuba inox”, continua o proprietário, que refere ainda que “a fermentação ocorre a temperaturas controladas (na ordem dos 25 a 28 graus para os tintos, enquanto os brancos fermentam entre os 14 e 16 graus) ”. Os vinhos brancos, aliás, conhecem um procedimento de fermentação peculiar, uma vez que não é feito com as “massas”, apenas fermentando o respetivo sumo, ou líquido, no chamado método de “bica aberta”. Aqui reside a principal diferença na produção dos dois géneros de vinho.

Na adega, posteriormente à fermentação, segue-se o envasilhamento. Este consiste na colocação do vinho em recipiente adequado, normalmente cubas inox, dentro do qual ocorrerá a “fermentação malolática”, relacionada com o alevedar dos ácidos málicos. A partir daí, passam-se os vinhos a limpo para retirar as borras.

Todo este conjunto de processos é acompanhado pelo enólogo Rui Vieira: “Todos nós temos uma palavra a dizer sobre a qualidade do vinho. Mas tudo o que se faz na adega é da responsabilidade dele”. É o Engenheiro Rui Vieira quem escolhe e quem vê as proporções de cada casta. É ele quem faz a análise a cada vinho, decidindo do que é engarrafado e do que seguirá para Bag-in-Box: “o lote é a junção de dois ou mais tipos de vinho, ou, dito de outra forma, do vinho de duas ou três castas diferentes. Isto requer bastantes amostras e um trabalho muito intenso sobre as quantidades”, explica Manuel Cordeiro. Para que um vinho fique muito diferente “basta adicionar 5 ou 10 % de uma casta num determinado lote”. Em síntese, “as uvas são vindimadas por castas e é feita e a vinificação por castas separadas. Depois dos vinhos terem todo o seu processo concluído, nós fazemos os lotes na adega”.

Os vinhos que evoluem melhor são os engarrafados, enquanto os restantes são vendidos em Bag-in-Box e destinam-se aos restaurantes e marisqueiras, diz Manuel Cordeiro. Neste momento, há disponíveis para o mercado três vinhos tintos e um branco em garrafa, que brevemente serão acompanhados pelas novidades de tintos de 2012 e branco de 2014.

Dos vinhos engarrafados já no mercado, destacam-se os internacionalmente galardoados Encosta do Vale Galego tinto 2009, com a Medalha de Bronze no International  Wine Challenge 2012 e Mérito no Concurso Nacional de Vinhos 2012, o Encosta do Vale Galego tinto Touriga Nacional Cabernet Sauvignon 2011, com Medalha de Bronze no International Wine Challenge 2013 e Medalha de Ouro no Concours Mondial Bruxelles 2014, assim como o Encosta do Vale Galego tinto Aragonez Syrah 2011, com Medalha de “Commended” no International Wine Challenge 2013 e Medalha de Prata no Concours Mondial Bruxelles 2014.

O que aqui se comprova, em particular dadas as contínuas gratificações, prémios ou outras formas reconhecimento dirigidas aos vinhos construídos por Manuel Cordeiro, é a consagração, nacional e internacional, de uma ambição inicial forjada com a têmpera do trabalho, do rigor, da dedicação plena. Isso coloca as expectativas de todos os que contribuem para este empreendimento em forte alta, embora estas se vejam igualmente condimentadas pela consciência de que permanece longo o caminho a percorrer para manter a qualidade e excelência perspetivadas. “Nós pensamos continuar a crescer na qualidade e ir ajustando a produção: crescer na quantidade, mas desde que implique igualmente crescer na qualidade”, conclui Manuel Cordeiro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mais 'ni hao', menos 'hello'

Até há alguns anos o mandarim não passava de uma língua exótica e muito difícil de aprender, mas hoje tornou-se uma das línguas mais procuradas, quer ao nível profissional, quer ao nível académico.

Após o triunfo da economia chinesa ao longo dos últimos anos, estudantes do ensino secundário e universitário, representantes políticos e até profissionais no ramo de negócios internacionais optam por aprender o mandarim como segunda ou terceira língua estrangeira. Através de programas e iniciativas governamentais, o mandarim tornou-se mais acessível em todos os cantos do mundo.

Em Portugal, o ministro da educação, Nuno Crato, pretende introduzir o ensino do mandarim nas escolas do terceiro ciclo e do secundário. Os acordos que preveem a implementação desta medida foram assinados em Pequim, em maio de 2014, no decurso do encontro entre os chefes de Estado de Portugal e da China. Apesar de não existir uma data para a implementação da medida, espera-se que o mandarim seja posto em prática nos próximos três a cinco anos. Joana Gomes, estudante portuguesa da Universidade de Xangai, tem 21 anos e é um exemplo de quem vê no mandarim uma vantagem para o futuro profissional. Acredita que esta língua está a assumir uma importância crescente ao nível global.

Depois de terminar a licenciatura em Ciências Empresariais na Universidade de Aveiro, Joana decidiu aprofundar os seus estudos e imergir na cultura chinesa. “Não basta só conhecer a língua, também é preciso conhecer a cultura no seu todo, sendo esta uma ‘sociedade muito diferente’ ”. E acrescenta, “mesmo tendo professores da língua nativa em Portugal, não é a mesma coisa.” 

Para Joana é uma vantagem saber as duas línguas, o Português e o Mandarim. “Comecei a perceber que há cada vez mais relações comerciais entre a China e os Países Lusófonos, especialmente entre Angola e Brasil. Portugal começa a assumir cada vez mais importância nessas relações”, explica.

Ao longo dos anos, tem sido visível este crescimento das relações entre Portugal e China. De acordo com dados recolhidos pela AULP, atualmente, diversas universidades portuguesas promovem o ensino do mandarim.

Porém, como Joana apontou, Portugal não é o único a criar conexões com a China. Angola é um dos países com maior intercâmbio socioeconómico e cultural nos últimos dez anos.

Cheryl Mei-ting Schmitz, doutoranda em Antropologia Sociocultural na Universidade da Califórnia Berkeley, possui um projeto de campo, etnográfico, que foca o investimento no chinês em Angola. No seu projeto, mostra que o número de estudantes angolanos que vão estudar para a China tem aumentado nos últimos anos: “um dos maiores incentivos para angolanos aprenderem o mandarim é a abertura das portas para o mundo dos negócios”.

Na sua investigação, Cheryl identificou dois grupos de angolanos que aprendem Mandarim: os que vão para a China com fins educacionais e os empreendedores, ou comerciantes, interessados em fazer negócios com a China. Após terminar os seus estudos, alguns estudantes angolanos retornam ao seu país e abrem os seus negócios próprios ou tornam-se tradutores para empresas chinesas em Angola.

Não são só os estudantes angolanos que se interessam pela língua portuguesa e chinesa. Estudantes do mundo inteiro investem atualmente na aprendizagem destas duas línguas, pois reconhecem o seu potencial económico e empresarial. Estando as economias do Brasil e da Angola em crescimento, em relações com a China, é cada vez mais importante dominar a língua portuguesa.

Matthew Blumberg, estudante da Haas School of Business na Universidade da Califórnia Berkeley, tem 20 anos e aventurou-se a aprender o mandarim e o português. O seu objetivo é tornar-se fluente nas duas línguas e participar nos seus desenvolvimentos político-económicos. “Desde 2009, que a China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil. Este desenvolvimento permite aos povos destes países ter uma melhor qualidade de vida e quero fazer parte deste progresso. Teria muito orgulho em aumentar o intercâmbio da agricultura entre a China e o Brasil. Deste modo eu poderia lutar contra a fome global”, revela Matthew.

Aprendeu o mandarim quando frequentava o secundário e passou um ano em Xangai a estudar e trabalhar. Só aprendeu a língua portuguesa há dois anos. Confessa as suas dificuldades na aprendizagem destas duas línguas: “a maior dificuldade para aprender o mandarim foi, e continua a ser memorizar as caracteres, que se torna ainda mais complicado porque cada caractere tem vários significados e sons. Pelo contrário, em português, a maior dificuldade é a pronunciação e as gírias da língua falada, mas felizmente tenho tido muita sorte de conhecer brasileiros amigáveis que me ajudam.”

O estudante de Berkeley é um exemplo dos milhares de alunos pelo mundo que se interessam pelas duas línguas. Não reconhecem apenas o valor cultural de aprender ambas, mas também o seu potencial, que é vinculado com o crescimento económico tanto da China quanto da comunidade falante do português.

A procura pelo mandarim está a crescer rapidamente, mas o português não fica para trás. Segundo dados do Observatório de Língua Portuguesa, o mandarim é a língua mais falada em todo o mundo enquanto o português é a quarta. As duas línguas são superpotências com o estreitar das relações económicas e permite o aumento do volume de negócios, quer a nível nacional, quer a nível internacional.

(trabalho publicado na edição de setembro da newsletter da AULP)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Móveis Calvete abre novo espaço no Louriçal


A ideia de agarrar um negócio com 76 anos não surgiu ao acaso. Foi a idade da reforma e o consequente abandono do negócio, por parte do pai de Rui Calvete, que levou o filho a apostar num fôlego revigorado no mundo dos móveis. Ao conjugar o móvel tradicional com as modernas linhas direitas, o filho de 30 anos, com o mesmo nome, abriu um espaço novo a 15 de agosto deste ano.

A par da irmã, Carla Calvete, Rui pretende “focar-se num público-alvo mais jovem, com um mobiliário mais moderno, mais atual e com umas linhas mais arrojadas”. Neste espaço, com mais de 1200 m2 de exposição, pretende-se ter este género de mobiliário jovial. O local mais antigo mantém o seu público fixo e segue uma linha mais tradicional: o objetivo é conciliar as duas formas de produção. Mantêm-se as duas instalações, mas, neste momento “a sede é esta”, explica o gerente.

Também o material de decoração promete trazer novidades ao mundo dos móveis: “temos os quadros em exposição, que têm tido um bom feedback dos clientes que nos vêm visitar”. Os projetos de decoração vão ao encontro das exigências do cliente: “são personalizados e à imagem de cada um”, explica Rui Calvete. 

Porquê visitar este local? “Pela marca em si, que tem muitos anos e transmite bastante confiança aqui na zona, porque até hoje ninguém saiu defraudado. Penso que por si só já é um grande voto de confiança para vir até cá”, argumenta o gerente.  

No que toca à divulgação deste negócio local “temos uma empresa que nos ajuda a divulgar o espaço. Temos umas fachadas com cores apelativas”, explica. Além da página no facebook e da realização de um site, têm “apostado nos jornais ultimamente e se calhar, no futuro, queremos anunciar nas rádios locais”, diz.

Depois de um mês de abertura, ainda é cedo para fazer um balanço. Apesar disso, Rui Calvete adianta que “o negócio ultimamente tem caído um pouco, devido ao panorama nacional de crise. Desde que abrimos, notamos que temos sido procurados por um público que não vinha à casa, nem tão pouco a conhecia.” Mas, acrescenta, “temos sentido uma procura mais acentuada e vamos acreditar que isso se vai refletir no volume de negócios.”

O estabelecimento localizado na rua dos Bombeiros Voluntários, que conta atualmente com três funcionários, encontra-se aberto de segunda a sábado das 09 às 19h e, ao domingo, das 09 às 13h. 

(publicado na edição de outubro do "Notícias da Sua Terra") 

sábado, 11 de outubro de 2014

Viveiros Cultiflor celebra quatro anos de existência em Vieirinhos


Uma ideia, o gosto por plantas e o apoio dos familiares. Estes foram três dos fatores que determinaram a abertura dos Viveiros Cultiflor, situado nos Vieirinhos, em outubro de 2010. No ano em que celebra quatro anos de existência é altura de fazer um balanço do crescimento deste espaço onde se compram, vendem e apreciam plantas e flores das mais variadas espécies. 

As orquídeas são o cartão-de-visita deste espaço e há-as para todos os gostos e feitios. “São as flores que nos ocupam maior tempo de pesquisa”, afirma o gerente de 26 anos, Humberto Mota. O gerente continua, afirmando que pelas mesmas tem um “gosto próprio”. 

As plantas hortícolas são, também, bastante vendidas. Ao nível da decoração são os vasos de plástico aquilo que mais pontos somam. No que se refere a gostos, variam consoante a exigência do público. “Quanto à parte das hortícolas, o que se pretende é algo saudável. No que toca ao jardim, os clientes, cada vez mais, querem uma coisa que tenha pouca manutenção e que dure bastante tempo, uma coisa simples e prática”, afirma o gerente. 

Por estes dias, são as pessoas de meia-idade que mais visitam o espaço: têm “entre 40 e 60 anos de idade”. No entanto, “os mais jovens pretendem fazer a sua pequena horta, de preferência biológica, muitos deles não têm espaço, mas arranjam sempre soluções, como mini-hortas com vasos ou floreiras suspensas”, acrescenta Humberto Mota. 

Numa altura em que celebra quatro anos de existência, o balanço é bastante positivo: “de ano para ano temos vindo a vender cada vez mais. É óbvio que se sente a crise, porque os clientes tentam não gastar demasiado, mas, quanto ao nível de faturação temos somado cada vez mais”, explica o gerente. Os aumentos rondam 15 a 20% ano após ano.

As estratégias de divulgação do espaço passam por ter um site próprio e uma página do facebook, onde muitos clientes os procuram e fazem encomendas. “Ultimamente temos estado a investir em publicidade fixa, no ponto de venda, nas viaturas e no jornal”. Apesar disso, o melhor preço e bom atendimento ao público são fatores cruciais. “Tentamos ter um bom atendimento para as pessoas ficarem satisfeitas e, assim, obter o retorno”, continua o gerente.

Neste momento existe até o cartão-cliente para quem quiser beneficiar de um desconto de 5 euros: “a cada 5 euros de compras colocamos um carimbo. Com o cartão cheio, o cliente tem direito a um vale de 5 euros”, conclui Humberto Mota.
 
(publicado na edição de Outubro do "Notícias da Sua Terra")