segunda-feira, 30 de novembro de 2015

"O envelhecimento é um dos maiores desafios do Serviço Social”

Assistente social na Ilha há 17 anos e com uma vida dedicada às pessoas, Maria Eduarda Duarte tem 44 anos e já trabalhou em algumas zonas do país, como Alentejo ou Porto de Mós. Natural de Chão de Couce, é licenciada em Serviço Social pela Universidade Miguel Torga, em Coimbra. Ao RodIlha falou sobre a importância da actividade e os desafios que enfrenta no dia-a-dia. 



RodIlha: Apesar de residir em Pombal, é à Ilha que tem dedicado o seu trabalho. A que mudanças tem assistido desde há 17 anos até aos dias de hoje, na localidade onde labora?

Maria Eduarda Duarte (MED): A sociedade em geral está em mudança. O conceito de família tradicional já não é o mesmo, com o desemprego e a emigração assistimos a um maior número de famílias monoparentais. O envelhecimento da população cresce a passos largos, não só porque são os mais jovens a emigrar, mas também devido à redução da taxa de natalidade. Os filhos saem cada vez mais tarde da casa dos pais, têm filhos mais tarde e apenas têm um ou dois. Também o aumento da esperança média de vida está a aumentar contribuindo para a total inversão da pirâmide de idades. A humanidade enfrenta o maior envelhecimento da história. Passámos de muitos netos e poucos avós para muitos avós e poucos netos. Por outro lado, vivemos numa sociedade marcada pelo medo, pelo individualismo, e estes factores desencadeiam insegurança, ansiedade e depressão.

RodIlha: Quais são os principais desafios com que se depara, actualmente, ao nível do serviço social?

MED: Numa sociedade em profunda mutação, onde as regras e valores já não possuem a mesma rigidez de há uns anos, será um dos principais desafios do serviço social na transição em que se encontram as sociedades actuais, o de contribuir como uma alternativa, em termos de visão teórica e prática interventiva, pautada por princípios éticos e por um olhar responsável sobre o mundo, cruzando várias vertentes, sem esquecer a singularidade individual. Outro grande desafio será no domínio das políticas sociais, dado que as respostas têm de ser cada vez mais diversificadas e o trabalho a realizar tem que ser executado e reflectido de um ponto de vista multidisciplinar. Também perante a realidade do envelhecimento das populações, as sociedades deparam-se com o problema de não saberem o que fazer aos que atingem idades avançadas, com tudo o que isso implica, aumento do número de pensionistas, evolução das incapacidades, doenças crónicas e doenças fortemente incapacitantes, as doenças degenerativas. As implicações do envelhecimento por si só representam um dos desafios mais importantes deste século e, nomeadamente, do serviço social.

RodIlha: Neste momento trabalha em que instituição? Com que faixas-etárias? 

MED: Em 1998 quando conclui a Licenciatura tive conhecimento de uma vaga para Assistente Social nesta instituição e concorri, contudo, não cheguei a tempo. A vaga tinha sido preenchida no dia anterior. Nesta altura eu já tinha colocação no Alentejo e foi lá que iniciei a minha prática profissional. Um ano depois a Direcção do Centro Social contactou-me para saber se tinha disponibilidade para vir trabalhar na Ilha. Aceitei de imediato. Quando cheguei em Março de 1999 esta instituição desenvolvia o apoio à população idosa na freguesia da Ilha, Guia, Mata Mourisca, Carriço e Carnide, através de duas respostas sociais: Centro de Convívio e Serviço de Apoio Domiciliário. Devido ao empreendedorismo e empenho na acção social por parte da Direcção da instituição, ainda no mesmo ano passamos a ter Centro de Dia e Centro de Actividades de tempos Livres que incluíam as férias na praia no mês de Julho. Esta actividade ainda hoje se mantém estando aberta a todas as crianças da comunidade. Em 2002 foram abertas as novas instalações do Centro Social, construídas de raiz e a abertura da Creche. Em 2012 esta instituição abriu portas a uma Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas. A minha prática profissional é hoje mais abrangente pelo aumento de respostas que a instituição integra.

RodIlha: O serviço social é uma escolha ou uma vocação?

MED: Sem dúvida uma vocação. O meu pai gostaria que eu fosse enfermeira, mas não me sentia vocacionada e por mais que tentasse enganar os testes psicotécnicos, eles recaiam sempre na área social. Também cheguei a pensar ir para o ensino, mas tive uma professora de história que me desencaminhou. 

RodIlha: O serviço social é fulcral na vida das pessoas. Quais são os principais desafios e obstáculos com que se depara um assistente social actualmente?

MED: O Serviço Social é uma disciplina científica no âmbito das ciências sociais que tem como objectivo estudar e agir com vista à diminuição das condições de desigualdade, promovendo a justiça social e a cidadania. Por outro lado, o Assistente Social é um profissional especializado na área das ciências sociais e humanas que recorre a procedimentos específicos e age com o propósito de identificar e resolver os problemas dos indivíduos e da comunidade. Perante a sociedade contemporânea, pensar o serviço social é sobretudo pensar as condições e os pressupostos inerentes à sua readequação e pertinência a esta sociedade. O compromisso com a mudança, no sentido do desenvolvimento e da justiça social, e a abertura à inovação constituem o ponto central de um serviço social capaz de se afirmar como elemento estratégico na construção de sociedades alternativas, sócio-economicamente justas e equilibradas. Os recursos são cada vez mais escassos e as necessidades cada vez maiores.

RodIlha: Na sua opinião, que características deve reunir um bom assistente social, para que responda positivamente às tarefas a que se propõe?

MED: Um Técnico de Serviço Social deve ter sensibilidade social, deve ter convicção e confiança nas pessoas e nas suas capacidades de realização e resolução de problemas, o assistente social deve ter capacidade para a motivação e estimulo. Por outro lado, é um profissional que deve ter aptidão para o relacionamento humano, na medida em que vai trabalhar com pessoas, deve possuir maturidade humana, distanciamento, pragmatismo e criatividade, capacidade de avaliação e estratégia.

RodIlha: Se pudesse, o que mudaria hoje na sua profissão?

MED: Muita Coisa. As origens do serviço social têm por base princípios humanitários e democráticos. As principais preocupações centram-se na satisfação das necessidades humanas e tem como principal objectivo provocar mudanças sociais e trabalhar para potenciar o bem-estar e a realização pessoal dos indivíduos, tendo como pano de fundo a justiça social. Contudo, a profissão terá passado alguns períodos conturbados, nomeadamente pelas conjunturas sociais e pelas mentalidades um pouco deturpadas, uma vez que o serviço social foi durante muitos anos confundido com o assistencialismo. A formação, a evolução e a afirmação do ensino da profissão, com licenciatura e mais tarde o doutoramento, têm contribuído para uma melhor especialização e profissionalização dos assistentes sociais. Há sempre alguma coisa a mudar.

sábado, 21 de novembro de 2015

”A Cor do Poema” associa pintura à escrita


Quem passar pela galeria do café-concerto de Pombal, até ao final de Janeiro, encontra a exposição que associa os poemas de José Adalberto às telas de Lídia Carrola, “A Cor do Poema”. O amor é o tema vigente em cada verso e que inspira os quadros da pintora. 


“Leonardo Da Vinci disse um dia que a pintura era a poesia silenciosa e foi, de facto, muito fácil juntar a poesia à minha pintura”, começou por explicar a pintora Lídia Carrola. E foi assim que, pela primeira vez, o poeta José Adalberto e a pintora Lídia Carrola associaram os versos às telas. “Dos poemas que ele escreve e que estão no livro, escolhi alguns e pintei uma imagem falada sobre eles”, destacou.  

O amor é o tema predominante: “José Adalberto escreve sobre as pequenas coisas da vida: o mar, as gaivotas ou o amante que pensa na amada que está longe” frisou a artista. Cada quadro tem uma mensagem diferente e o objectivo da autora é o de que o quadro fale não só a si, mas também às pessoas que visitam a exposição. “Apesar de transmitirem mensagens semelhantes, cada um dos quadros me fala de uma forma diferente”, sublinhou Lídia Carrola. 

E quanto às fontes de inspiração? “Na altura em que comecei a pintar fui beber a vários estilos. Gosto muito do impressionismo de Marc Chagall e de Van Gogh e do surrealismo de Salvador Dalí, que não tem nada que ver comigo. Não sigo corrente nenhuma, apenas tenho técnicas que vou aplicando. Mas confesso que uma das minhas correntes preferidas é o impressionismo”, explicou a pintora.

“Ao sair de um internamento, inspirei-me nas expressões das pessoas com que me cruzei num hospital, para pintar”, assumiu a artista acerca daquilo que, no dia-a-dia mais a inspira. As pedras da calçada, os minerais, os granitos e as pequenas coisas do quotidiano são os elementos onde a pintora se inspira.

No que se refere ao significado que a pintura tem para a autora, fala “de um prazer que se não o tivesse estaria muito triste”. Os trabalhos acabam por assumir significados diferentes para as pessoas: “um quadro, para mim, é um companheiro que me faz pensar e reflectir, apesar de poder ser horrendo ou feio”, continuou a pintura. “Um quadro não pode ser uma peça morta”, frisou ainda.

“Li e reli os poemas para pintar os quadros desta exposição”, declarou a pintora. A pintura de sentimentos que não se transmitem por palavras é um das coisas que Lídia Carrola mais gosta de retratar: “o prazer, o amor, a dor que acontecem no dia-a-dia”. A pintora admite que não tem prazos para terminar as telas: “depende do quadro que pinto. Em média demoro cerca de um mês”. 

Trabalhar muito antes de expor é o conselho que a pintora quer deixar aos aspirantes à profissão. “É preciso pensar muito o quadro e a tela para se mostrar. É uma actividade em que não se pode parar, pois se isso acontecer, perde-se a mão. É um trabalho que exige esforço e dedicação”. Não há uma técnica ou um estilo ideal para todos: “acaba por ser um trabalho de tentativa-erro”.

Um ano e três meses foi o tempo que passou até que os 15 quadros estivessem prontos a expor. Por agora o objectivo é levar a exposição a outras cidades, assumindo um carácter itinerante. “Apesar de não termos datas estipuladas, já sabemos em que cidades vamos expor, em Portugal e no estrangeiro. O meu desejo é que sejamos tão bem recebidos quanto fomos na inauguração da exposição em Pombal”, concluiu.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Jogos Ecológicos deram o mote às comemorações do Eco-Escolas

O Dia Internacional Eco-escolas, que decorreu na segunda-feira, 09 de Novembro, recebeu uma atenção especial no Colégio João de Barros, localizado em Meirinhas. À semelhança das comemorações que sucederam em anos anteriores, os objectivos foram os de sensibilizar a população estudantil para a importância da preservação do meio ambiente e desenvolver as actividades preparadas pelos estudantes envolvidos no projecto dinamizado pela professora de ciências naturais, Cláudia Ferreira.

“Esta é um data muito importante para nós. Aproveitámos para hastear a bandeira do Eco-escolas hoje”, revelou a professora. “Este ano resolvemos envolver os vários alunos da escola nas actividades preparadas pelos elementos envolvidos no clube do ambiente: desenvolvemos jogos tradicionais associados à vertente ecológica, como o jogo da força, o jogo do limbo, o jogo do estica, um jogo de perguntas e respostas, entre outros”, continuou a responsável pelo clube do ambiente.

Foi com a orientação da professora Cláudia Ferreira que as propostas de actividades foram levadas a cabo. “Até os cartuchos das castanhas foram elaborados por eles”, revelou a docente. “Este é um dia muito importante: é o futuro do meio-ambiente que está em jogo e eles [os alunos] são o nosso futuro. É muito importante que tenham uma consciência sustentável”, afirmou a professora.

As actividades, organizadas pelos alunos do projecto eco-escolas com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos, tiveram, no fim, um balanço muito positivo. “Eu penso que as actividades correram muito bem. Todos os alunos se divertiram; desde os participantes aos organizadores. E isso valeu muito a pena”, sublinhou Cláudia Ferreira. 

O clube do ambiente

Orientado pela professora de ciências naturais Cláudia Ferreira, o clube funciona duas vezes por semana, às segundas-feiras das 12h40 às 13h30 e às quintas-feiras das 8h30 às 9h15. “É um clube que já existe há vários anos, os alunos conhecem, e têm vontade de pertencer”, declarou a responsável. O clube está aberto a todos os alunos, desde que tenham horário compatível. 

E o que fazem? “Preparamos actividades que tentam dinamizar a escola, organizamos projectos de solidariedade, com a recolha de tampas e a recolha de papel, contamos com a colaboração das turmas e fazemos a contagem para que saibam qual é a turma que está à frente em termos de materiais recicláveis”, continuou a docente. Por sua vez, os materiais recicláveis recolhidos são doados a instituições para projectos solidários.   

Quanto aos projectos organizados pelos elementos do clube, haverá, em breve, “uma palestra para os alunos do 5º e 6º ano sobre a reciclagem. Mais à frente teremos uma palestra sobre a alimentação saudável e, os alunos, gostariam ainda de fazer outra em que abordassem o problema do bullying”, revelou a docente. Normalmente o ano lectivo fecha com chave de ouro: “organizamos uma visita de estudo só com os alunos do clube. De manhã fazemos a limpeza da praia e jogos desportivos no Osso da Baleia e, à tarde, passamos pelo Parque Aventura da Figueira da Foz”, finalizou Cláudia Ferreira. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Banda Filarmónica Ilhense soprou as velas pela 91ª vez

Eram 21h29 de sábado, 7 de Novembro, quando o som das trompetes rompeu o silêncio do Salão Paroquial da Ilha. Aos poucos, as madeiras e outros metais aliaram-se à musica, o que resultou num concerto com mais de uma centena de espectadores. 

A voz de Serenela Duarte e o ressoar do acordeão de Carina Sousa juntaram-se à banda para presentearem o público com um espectáculo que respondeu aos níveis de qualidade e de exigência que são já esperados pelos amantes desta arte. “Este é um projecto de continuidade. Estamos sempre a tentar evoluir para sermos melhores, apesar de sabermos que nem sempre é possível devido à grande onda de emigração”, começou por explicar o presidente da Banda Filarmónica Ilhense, Nilton Leopoldo. 


Com cerca de 50 músicos e uma faixa etária compreendida entre os 10 e os 57 anos, uma das prioridades na banda é cativar pessoas mais jovens para a aprendizagem da música. “É difícil cativar miúdos a ingressar na filarmónica, num momento em que a diversidade de oferta é muito vasta”, continuou o presidente. “Através dos concertos tentamos fazer com que os mais velhos tragam os mais novos”, disse. Por outro lado, “temos em estudo a ideia de fazer um ensaio aberto, para que as crianças possam experimentar os diferentes instrumentos”, desvendou.

Mas não é só os mais novos a quem pretendem levar a música: “este ano, às quartas à noite, temos uma turma com oito adultos”. Por sua vez, Nilton Leopoldo, explicou que “o objectivo é proporcionar um contacto diferente com a música às pessoas que não tiveram a oportunidade de aprender quando eram crianças”. Apesar de as inscrições já terem fechado, ainda há oportunidade para quem quiser ir assistir a uma aula.

“As filarmónicas têm evoluído muito ao nível nacional. Somos uma banda que consegue fazer este tipo de concertos, coisa que não se pensava fazer há uns anos”, frisou o director da instituição. As surpresas da noite foram o eclodir de um trabalho constante e do cumprimento da “pontualidade britânica” incutida pelo maestro aos músicos. 

No que se refere aos projectos para a Banda Filarmónica, pretende-se criar mais ensembles para além do de trompetes, os “Sinuata”, bem como divulgar a banda cá dentro e lá fora. “As pessoas que aparecem com o folheto do concerto de aniversário, no estrangeiro, são amigos ou ex-músicos”, contou o director, sobre o projecto da divulgação da banda no Facebook. “Nós somos todo o mundo e todo o mundo é nosso também.” A promessa ficou no ar: “espero que consigamos fazer uma emissão em directo do concerto no próximo ano para os que estão lá fora”, prometeu Nilton. Quanto aos sócios, pretende-se cativá-los através de “protocolos com empresas para que as pessoas tenham descontos na saúde". 

O balanço do concerto foi, nas palavras de Nilton Leopoldo, muito positivo. “A Banda Filarmónica da Ilha tem mostrado ao longo dos tempos que tem qualidade e sabe o que faz. As pessoas gostam de boa música”, finalizou o presidente.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Rita Guerra (en)canta com estreia de "No Meu Canto"

Já perdeu a conta às vezes em que actuou em Pombal, mas presenteou a cidade, no âmbito das comemorações do Dia do Município, com o arranque da Tour dos 30 anos de carreira, "No Meu Canto". Entre os sucessos mais recentes daquela que é considerada uma das melhores vozes portuguesas estão o álbum "Sentimento", lançado a 24 de Setembro de 2007 e que, actualmente já Disco de Ouro; o prémio Top Choice Award, na categoria de Top International Female Singer 2009, que tem por base a votação da comunidade portuguesa residente no estrangeiro, em 2009;  e a edição do álbum "Luar", em 2010. Com 48 anos de idade, Rita Guerra aventura-se, pela primeira vez, no mundo da composição. O Aqui há Notícia falou com a cantora sobre o concerto e acerca do sucesso.

Ana Isabel Mendes (AIM) - Pombal foi a cidade escolhida para Rita Guerra começar a Tour dos 30 anos de carreira. Que balanço faz da noite do espectáculo no Teatro-Cine?

Rita Guerra (RG) - Toda a gente nos recebe muito bem, tanto no Norte como no Sul. Sei que cá por cima há uma vontade muito grande em que eu esteja presente, embora me tenha mantido, ultimamente, pelo Sul do país. Fomos recebidos com um calor muito grande. Estrear aqui foi bom, pois as salas estão muito bem apetrechadas acusticamente, o piano é maravilhoso, o som estava óptimo, a sala estava cheia de pessoas que participaram [no concerto] quando tinham de o fazer, e, apesar de estar um pouco doente, penso que correu bem.

AIM - Como e quando surgiu o gosto pela música, em geral e pelo canto, em particular?

RG - Pela música em geral surgiu em casa por grande influência dos meus pais e dos meus irmãos, pois lá sempre se ouviu música a toda a hora, de várias origens. O meu pai gosta muito de música sinfónica e a minha mãe de música clássica, especialmente de óperas e de operetas. Os meus irmãos gostam muito de pop e de rock. Sempre houve muita música lá em casa e, daquela toda que havia, gostava muito de algumas que me influenciaram ao longo do percurso artístico. Sou sensível à música, sou sensível às boas composições. Cantar começou como brincadeira de criança nas escadas do prédio, onde tinha uma melhor acústica. Cantava tudo e mais alguma coisa: Os Abba, bocadinhos de Ópera, Elton John, entre outros, de que nem me lembro bem.

AIM - Em que estilos musicais se inspira para escrever as suas músicas? Tem alguma preferência num estilo ou num cantor em particular?

RG - Nas baladas rock e na música pop em geral. Em termos de cantores, confesso que me inspiro em artistas internacionais como Lara Fabian ou George Michael. Em termos de artistas nacionais, o Agir, o Paulo de Carvalho e o Rui Veloso são aqueles que estão entre as minhas preferências. 

AIM - Ao longo dos anos tem vindo a evoluir e a promover o seu trabalho cá dentro e lá fora. Quais são os principais ingredientes para se chegar ao Disco de Ouro?

RG - Aconselho que quem cante seja persistente, que o faça por amor à camisola e à música e não com o objectivo de se tornar figura pública e vedeta. Uma coisa é ser-se bom músico e outra é ser-se famoso. Pode ser-se famoso pelas razões erradas. Por isso, o que quer que façam, façam-no o melhor que puderem, sempre com humildade porque para aprendermos devemos ouvir os outros e não nos acharmos os detentores da razão. Ao nível bocal, é importante ter um bom acompanhamento profissional, uma boa colocação e uma boa respiração para não fazer asneiras. 

AIM - Neste último single, qual é a música que elege?

RG - Não vou eleger nenhuma. Se o fizesse escolheria o meu tema, a minha primeira composição, "No Meu Canto". Retrata o meu estado de alma numa tarde; marca o início da fase enquanto compositora, daí ser tão importante. Mas para mim todas as músicas são igualmente valiosas, embora sejam diferentes umas das outras. 

AIM - Em 2011 lançou o álbum "Retrato", e cantou com Michael Bolton no Pavilhão Atlântico e no Coliseu do Porto, interpretando Over the Rainbow e Make You Feel My Love. Em 2012 participou nos discos de Mastiksoul, com o tema I Can Feel Your Love, e de Mickael Carreira, com "Volto a Ti" . Qual é o segredo para se atingir o sucesso?

RG - Ser-se persistente, não desistir à primeira dificuldade, ser-se verdadeiro e ter-se muito amor ao que se faz. 

Texto e fotos: Ana Isabel Mendes