sábado, 21 de novembro de 2015

”A Cor do Poema” associa pintura à escrita


Quem passar pela galeria do café-concerto de Pombal, até ao final de Janeiro, encontra a exposição que associa os poemas de José Adalberto às telas de Lídia Carrola, “A Cor do Poema”. O amor é o tema vigente em cada verso e que inspira os quadros da pintora. 


“Leonardo Da Vinci disse um dia que a pintura era a poesia silenciosa e foi, de facto, muito fácil juntar a poesia à minha pintura”, começou por explicar a pintora Lídia Carrola. E foi assim que, pela primeira vez, o poeta José Adalberto e a pintora Lídia Carrola associaram os versos às telas. “Dos poemas que ele escreve e que estão no livro, escolhi alguns e pintei uma imagem falada sobre eles”, destacou.  

O amor é o tema predominante: “José Adalberto escreve sobre as pequenas coisas da vida: o mar, as gaivotas ou o amante que pensa na amada que está longe” frisou a artista. Cada quadro tem uma mensagem diferente e o objectivo da autora é o de que o quadro fale não só a si, mas também às pessoas que visitam a exposição. “Apesar de transmitirem mensagens semelhantes, cada um dos quadros me fala de uma forma diferente”, sublinhou Lídia Carrola. 

E quanto às fontes de inspiração? “Na altura em que comecei a pintar fui beber a vários estilos. Gosto muito do impressionismo de Marc Chagall e de Van Gogh e do surrealismo de Salvador Dalí, que não tem nada que ver comigo. Não sigo corrente nenhuma, apenas tenho técnicas que vou aplicando. Mas confesso que uma das minhas correntes preferidas é o impressionismo”, explicou a pintora.

“Ao sair de um internamento, inspirei-me nas expressões das pessoas com que me cruzei num hospital, para pintar”, assumiu a artista acerca daquilo que, no dia-a-dia mais a inspira. As pedras da calçada, os minerais, os granitos e as pequenas coisas do quotidiano são os elementos onde a pintora se inspira.

No que se refere ao significado que a pintura tem para a autora, fala “de um prazer que se não o tivesse estaria muito triste”. Os trabalhos acabam por assumir significados diferentes para as pessoas: “um quadro, para mim, é um companheiro que me faz pensar e reflectir, apesar de poder ser horrendo ou feio”, continuou a pintura. “Um quadro não pode ser uma peça morta”, frisou ainda.

“Li e reli os poemas para pintar os quadros desta exposição”, declarou a pintora. A pintura de sentimentos que não se transmitem por palavras é um das coisas que Lídia Carrola mais gosta de retratar: “o prazer, o amor, a dor que acontecem no dia-a-dia”. A pintora admite que não tem prazos para terminar as telas: “depende do quadro que pinto. Em média demoro cerca de um mês”. 

Trabalhar muito antes de expor é o conselho que a pintora quer deixar aos aspirantes à profissão. “É preciso pensar muito o quadro e a tela para se mostrar. É uma actividade em que não se pode parar, pois se isso acontecer, perde-se a mão. É um trabalho que exige esforço e dedicação”. Não há uma técnica ou um estilo ideal para todos: “acaba por ser um trabalho de tentativa-erro”.

Um ano e três meses foi o tempo que passou até que os 15 quadros estivessem prontos a expor. Por agora o objectivo é levar a exposição a outras cidades, assumindo um carácter itinerante. “Apesar de não termos datas estipuladas, já sabemos em que cidades vamos expor, em Portugal e no estrangeiro. O meu desejo é que sejamos tão bem recebidos quanto fomos na inauguração da exposição em Pombal”, concluiu.

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