sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Reflectir não ofende...

Há reflexões que têm de ser feitas. E não é por este ser um blogue de notícias que vou deixar de dar a minha opinião. 

Quem estiver minimamente atento às notícias que enchem os noticiários dos canais generalistas, à hora de almoço e à hora de jantar, tem-se apercebido de que o nosso país não vai bem de saúde e (não sei se) está pior em termos de educação. Venha o diabo e escolha.

Em primeiro lugar, refiro-me aos valores exacerbados que comportam a compra do medicamento para a hepatite C. Há pessoas a morrer enquanto esperam a administração do medicamento para uma doença que, aos poucos, as vai consumindo. Pelos vistos, parece que ontem à noite, de acordo com o Económico, o Ministério da Saúde já tinha chegado a um acordo com a Gilead para o fornecimento dos medicamentos. Não esqueçamos que a última proposta conhecida era de 24 mil euros por três meses de tratamento e mais três gratuitos caso fosse necessário prolongar. Parece que hoje, pelas 11 horas o nosso ministro da Saúde, Paulo Macedo, falou pelas 11h e, não sei porque não ouvi, mas leva a crer que anunciou novas regras para diminuir a demora no processo burocrático para autorizar a toma do medicamento. A minha questão é a seguinte: quantos mais terão de morrer até que uma decisão seja tomada em prol da saúde pública? 

Olhamos para a educação e verificamos que a saúde deste sector, que deve ser o primeiro pilar da formação de cidadãos conscientes, livres e autónomos, já teve melhores dias. Tenhamos como exemplo uma notícia constante na Rede Regional cujo título é "Professores cumprem promessa e faltam às aulas". A notícia da passada segunda-feira, 2 de Fevereiro dá conta da não comparência, dos professores que leccionam Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC's), em três agrupamentos do concelho de Santarém. Em causa está a falta de pagamento pelas aulas já leccionadas, uma situação que afecta cerca de 100 docentes, na sua maioria recém-licenciados. Em declarações a este meio, Ricardo Dias, um dos professores que esteve presente no protesto afirmou: "aquilo que seria a nossa remuneração está em falta desde o início. Nós aceitámos trabalhar com certas condições, e essas condições não estão a ser cumpridas".

Em causa está o contrato assinado entre a Associação de Solidariedade Social que os contratou, a "Know How - Aprender a Brincar", e o Ministério da Educação, que, por ser superior a 350 mil euros, obriga a visto do Tribunal de Contas. Como o documento só entrou no Tribunal de Contas a 15 de Dezembro e este órgão ainda não se pronunciou, a "Know How" ainda não recebeu a primeira tranche, no valor de 237 mil euros, para liquidar as verbas das prestações de serviços destes professores.

Mais do que o não receber, os professores dizem-se fartos de pagar para trabalhar, uma vez que as despesas de deslocação são às suas custas e o dinheiro começa a fazer muita falta para compor o orçamento familiar. Há pessoas que têm de recorrer a empréstimos bancários para fazer face às despesas que estão a ter. Afinal, até quando vão estes professores, classe à qual eu, a pouco e pouco, vou tentando pertencer, ter de continuar a pagar para trabalhar até que os seus direitos lhes sejam restituídos?
Dá que pensar (mas vale a pena)...

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