É natural de Pombal mas
escolheu Luanda para residir e trabalhar em novembro de 2015. A falta de
oportunidades na área de formação e a vontade em expandir horizontes levaram a
professora de inglês Cátia Cardoso, de 27 anos, até Angola, onde leciona numa
escola privada.
Antes de partir para
Luanda, havia estado num país da Europa mas emigrar para África já lhe tinha
passado pela cabeça. A oportunidade não podia ter aparecido de uma forma mais
inesperada: um dia acompanhou uma amiga a uma feira de emprego na Escola
Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria (ESTG). Quando uma empresa de
recursos humanos lhe propôs uma experiência profissional internacional em
Angola, ponderou bem antes de aceitar.
A situação de
desemprego em que se encontrava contribuiu para o início de um novo rumo, que
se tem estado a desenhar desde então. “Mudar de ares, fazer algo diferente e
conhecer outras culturas”, foram outros dos fatores que levaram a professora
pombalense a partir.
A decisão de sair de
Portugal não foi tomada de “ânimo leve”, história comum a outros emigrantes que
decidem deixar para trás a família, os amigos e o país natal e desbravar
horizontes desconhecidos. Mas quando questionada sobre se prosseguiria o mesmo
caminho se voltasse atrás, Cátia Cardoso responde afirmativamente: “sair da
nossa zona de conforto é sempre uma experiência enriquecedora, especialmente
quando se trata de mudar para uma realidade tão diferente da nossa”. Afinal o
que tem Angola de fascinante? “O clima quente e alguns aspetos da cultura, que
é muito diferente e sem comparação possível à cultura ocidental”, destaca a
professora.
Com o coração em
Leiria, Cátia sente falta do “ritmo de vida”, “das pessoas” e “do conforto de
casa”. Apesar de querer voltar um dia ao país que a viu nascer, a professora
prefere não fazer muitos planos. “Em Angola tudo muda muito rapidamente.
Gostava de voltar a Portugal um dia, só não sei quando”, diz entre risos.
A experiência
internacional ensinou-lhe que “a vida é para ser vivida, sobrevalorizamos
coisas com as quais não nos devíamos preocupar tanto, perdemos muito tempo com
situações que não são assim tão importantes e, acima de tudo, há muito para
fazer no mundo”.
Luanda
Angola
Angola
Fundação 25 de janeiro de 1575
Habitantes 8 234 098 (Censos 2014)
Curiosidades
Luanda foi classificada, em 2011, como a cidade mais cara do
mundo. É uma cidade de contrastes onde uma camada extremamente rica da
população vive ao lado de uma maioria pobre. É o principal centro
financeiro, comercial e económico de Angola. O que melhor ilustra esta posição
da cidade é a presença das sedes das principais empresas do país: Angola Telecom, Unitel, Endiama, Sonangol, Linhas Aéreas de Angola e Odebrecht Angola, entre outras. Localizada
na costa do Oceano Atlântico, é também o
principal porto e centro económico do país. É a terceira cidade lusófona mais
populosa do mundo, apenas atrás de São Paulo e Rio de Janeiro,
ambas no Brasil e é a capital lusófona mais populosa do mundo.
O melhor por cá
Cátia
Cardoso admite que a “diferença” e a
“bagagem cultural” que leva da emigração são os melhores aspetos do quotidiano
em Luanda. “Se soubermos manter a mente aberta, permitimos que as experiências
no país de acolhimento nos enriqueçam”, frisa.
O pior por cá
Para a
professora de inglês “a corrupção e a poluição” são dois aspetos menos
positivos. A par disso, em ano de eleições, existe uma “grande crise
financeira, não há divisas e, por isso, muitos portugueses estão a voltar ao
seu país de origem”.
O mais surpreendente
“A multiculturalidade pois há gente de várias culturas aqui: portugueses,
brasileiros, indianos, americanos, sul africanos, entre cidadãos de outras
nacionalidades”, destaca.
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