segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

“Há muito para fazer no mundo”

É natural de Pombal mas escolheu Luanda para residir e trabalhar em novembro de 2015. A falta de oportunidades na área de formação e a vontade em expandir horizontes levaram a professora de inglês Cátia Cardoso, de 27 anos, até Angola, onde leciona numa escola privada.

Antes de partir para Luanda, havia estado num país da Europa mas emigrar para África já lhe tinha passado pela cabeça. A oportunidade não podia ter aparecido de uma forma mais inesperada: um dia acompanhou uma amiga a uma feira de emprego na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria (ESTG). Quando uma empresa de recursos humanos lhe propôs uma experiência profissional internacional em Angola, ponderou bem antes de aceitar.

A situação de desemprego em que se encontrava contribuiu para o início de um novo rumo, que se tem estado a desenhar desde então. “Mudar de ares, fazer algo diferente e conhecer outras culturas”, foram outros dos fatores que levaram a professora pombalense a partir.

A decisão de sair de Portugal não foi tomada de “ânimo leve”, história comum a outros emigrantes que decidem deixar para trás a família, os amigos e o país natal e desbravar horizontes desconhecidos. Mas quando questionada sobre se prosseguiria o mesmo caminho se voltasse atrás, Cátia Cardoso responde afirmativamente: “sair da nossa zona de conforto é sempre uma experiência enriquecedora, especialmente quando se trata de mudar para uma realidade tão diferente da nossa”. Afinal o que tem Angola de fascinante? “O clima quente e alguns aspetos da cultura, que é muito diferente e sem comparação possível à cultura ocidental”, destaca a professora.

Com o coração em Leiria, Cátia sente falta do “ritmo de vida”, “das pessoas” e “do conforto de casa”. Apesar de querer voltar um dia ao país que a viu nascer, a professora prefere não fazer muitos planos. “Em Angola tudo muda muito rapidamente. Gostava de voltar a Portugal um dia, só não sei quando”, diz entre risos.

A experiência internacional ensinou-lhe que “a vida é para ser vivida, sobrevalorizamos coisas com as quais não nos devíamos preocupar tanto, perdemos muito tempo com situações que não são assim tão importantes e, acima de tudo, há muito para fazer no mundo”.


Luanda
Angola

Fundação 25 de janeiro de 1575

Habitantes
8 234 098 (Censos 2014)

Curiosidades
Luanda foi classificada, em 2011, como a cidade mais cara do mundo. É uma cidade de contrastes onde uma camada extremamente rica da população vive ao lado de uma maioria pobre. É o principal centro financeiro, comercial e económico de Angola. O que melhor ilustra esta posição da cidade é a presença das sedes das principais empresas do país: Angola TelecomUnitelEndiamaSonangolLinhas Aéreas de Angola e Odebrecht Angola, entre outras. Localizada na costa do Oceano Atlântico, é também o principal porto e centro económico do país. É a terceira cidade lusófona mais populosa do mundo, apenas atrás de São Paulo e Rio de Janeiro, ambas no Brasil e é a capital lusófona mais populosa do mundo.

O melhor por cá
Cátia Cardoso admite que a “diferença” e a “bagagem cultural” que leva da emigração são os melhores aspetos do quotidiano em Luanda. “Se soubermos manter a mente aberta, permitimos que as experiências no país de acolhimento nos enriqueçam”, frisa.

O pior por cá
Para a professora de inglês “a corrupção e a poluição” são dois aspetos menos positivos. A par disso, em ano de eleições, existe uma “grande crise financeira, não há divisas e, por isso, muitos portugueses estão a voltar ao seu país de origem”.

O mais surpreendente
A multiculturalidade pois há gente de várias culturas aqui: portugueses, brasileiros, indianos, americanos, sul africanos, entre cidadãos de outras nacionalidades”, destaca.

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