quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Acção de sensibilização sobre violência doméstica levou centenas à rua


Cerca de 300 pessoas concentraram-se, na terça-feira, pelas 10h30, junto à Gelataria 2000 para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. A acção levada a cabo pela APEPI consistiu numa caminhada silenciosa, pela estrada, entre a gelataria e o Largo do Cardal.

“O intuito de comemorar estas datas é sensibilizar a população em geral para esta problemática assim como contribuir para a prevenção”, sublinhou a presidente da direcção da APEPI, Teresa Silva sobre a acção que considerou, no fim, “muito positiva”. Os mais jovens não foram esquecidos: “eles são o futuro do nosso país e têm de guardar estas memórias para que o problema seja extinguido e haja igualdade entre homens e mulheres”, frisou ainda Teresa Silva. Foi esta a razão da presença de cerca de 230 estudantes da Escola Marquês de Pombal e da Escola Secundária de Pombal.

A “violência doméstica é uma violação dos direitos humanos” que não é exclusiva das mulheres. “Também é um problema dos homens, das crianças, dos deficientes e dos idosos”, daí a importância do alerta global por parte das entidades envolvidas, sublinhou a presidente da direcção da APEPI.

Desde 2002 a instituição acolhe vítimas a partir dos 12 anos numa casa-abrigo em Pombal e, até hoje, tem tido sempre lotação esgotada. “É a única resposta ao nível distrital e neste momento temos capacidade para 14 utentes”, afirmou a presidente Teresa Silva.

A casa-abrigo “funciona ao nível nacional. Temos de fazer permutas com Faro, com o Porto e com Lisboa para a vítima ficar mais afastada do agressor”, acrescentou Teresa Silva. Algumas utentes mantêm-se no activo, mas outras “encontram-se de baixa ou estão desempregadas porque deixaram de trabalhar: umas por faltas ao trabalho, outras porque nunca trabalharam”.

Para ajudar a reintegrar “socialmente, familiarmente e laboralmente” as vítimas é necessário agir em algumas valências. “Muitas das vítimas começam a trabalhar quando ainda são utentes da casa-abrigo”, explicou a presidente da direcção da APEPI acerca do trabalho que é feito na casa-abrigo por “técnicos, entre os quais, o psicólogo, a assistente social e as auxiliares de apoio e de vigilância”.

Há histórias que marcam

A directora técnica da casa-abrigo de Pombal, Sandrina Mota, relembrou um caso que a chocou particularmente. “Uma mulher estrangeira licenciada veio para Portugal estudar. Entretanto juntou-se ao namorado que a sequestrou, durante dois anos, na própria casa. Chegou à nossa casa-abrigo com marcas muito graves de violência doméstica”. Sandrina Mota lembra-se do estado em que tinha chegado a vítima à casa-abrigo: “vinha com marcas de navalha na cabeça e tinha sinais de violência até aos pés”.

Tal como em muitos casos, neste foi difícil reintegrar a vítima. Mas esta história teve um final feliz: “conseguimos contactar a família e ela voltou ao país Natal”.

O grupo de dança da Filarmónica Artística Pombalense encerrou o evento com a apresentação de um FLASH MOB. A adesão foi significativa e, no próximo ano, realizar-se-á uma acção diferente “que ainda está em estudo” e assinalará o 25 de Novembro de 2015.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Gang da malha quer reavivar cafés em Pombal


“Aqui não se tecem apenas malhas. Aqui tecem-se conversas”. Estas são as palavras de Manuela Medeiros, 60 anos, o elemento mais antigo do “gang da malha”. Pertence ao grupo há um ano e tomou conhecimento dos encontros através do facebook. Já faz tricô desde os cinco anos de idade e está disposta a ajudar os mais jovens. Sai de casa todas as terças-feiras pelo convívio.

Afinal em que é o “gang da malha”? O encontro tem hora marcada às 21h30 e é um movimento nacional que tem vindo a atrair cada vez mais gente. A mentora do projeto em Pombal, Paula Sofia Luz, explica em que consiste a actividade. “O objectivo do gang é muito simples: tirar as pessoas de casa e devolver alguma vida aos sítios públicos; no fundo a malha acaba por ser só um pretexto”, afirma a mentora.


Como se pode ler na página do facebook do grupo, mais do que juntar um grupo de gente num local público à volta das agulhas e dos novelos, “o objectivo inicial deste conceito nascido nas Caldas da Rainha pelas mãos do Filipe Almeida Santos e da Zélia Évora, foi tirar as pessoas de casa e "reconciliá-las" com o espaço público das suas cidades, numa época em que cada vez mais os contactos "virtuais" se parecem querer sobrepor à vida real e palpável.”

Este pretende ser um espaço de convívio e uma oportunidade para reavivar os cafés. E é para fazer malha que se juntam todas as terças-feiras, no café concerto de Pombal cerca de 30 pessoas.

“Por ter começado em tempo frio os encontros iniciaram em cafés - o espaço social por excelência, cada vez mais desprovido dessa sua importante característica vivencial - mas certamente após a Primavera poderão começar a acontecer nos bancos de praças e jardins”, pode ler-se na página do facebook do gang da malha. A malha foi só um pretexto para o convívio e para a reunião; afinal poderia “estar hoje aqui num qualquer “gang dos tapetes”, “gang do monopólio”, “gang dos arranjos florais”, ou gang de outra actividade qualquer, que o objectivo fundamental seria precisamente o mesmo. Foi a malha. "Trocar as novelas pelos novelos" era o mote”, acresce a informação do site.
Foto: Paula Sofia Luz
 
O balanço de um ano de existência é muito positivo e perspetiva-se um futuro em crescente expansão. Paula Sofia Luz fala sobre este crescimento constante. “Tem aparecido sempre cada vez mais gente nova; o “gang” não é um grupo fechado, qualquer um pode vir ter connosco e aprender, mesmo quem não sabe”, explica. Após um ano de actividade o grupo já deu os seus frutos. Paula Sofia Luz dá conta de quais foram: “demos alguma contribuição à cidade com decoração na rua, com o dia mundial do tricô em público, vestimos a estátua 25 de Abril e os postes do largo do Cardal”.  

Não há restrições de idade e entra quem quer: mesmo quem não sabe pode aprender. Manuela Medeiros está disponível para ensinar e acredita que não é difícil ensinar a fazer malha: o mais importante é começar pelos pontos básicos. 


Sofia Silva, 25 anos, juntou-se ao grupo recentemente. Motivada por uma amiga da mãe, veio para aprender tricô, mas tem uma particularidade, que no tricô acaba por ser um obstáculo. “Sou esquerdina e, quando aprendo com uma pessoa destra, tenho de desmanchar tudo e voltar a fazer à minha maneira”, afirma. Mas não está só presente pelo convívio: esta jovem encontrou no croché uma forma de juntar uns trocos, vendendo o que faz a pessoas próximas.

A malha traz alguns benefícios na auto-estima. Dona Lurdes, 50 anos, fala-nos acerca dos benefícios físicos e psicológicos que, para si, desta actividade resultam. Sofre de uma doença que lhe atrofia os músculos e não descura a movimentação que com as mãos faz durante uma noite por semana. “Para mim esta é uma actividade muito boa por me proporcionar um tempo de lazer com pessoas que, tal como eu, gostam da malha”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Zona industrial do Louriçal promete dinamizar localidade


É já a partir do próximo Verão que o Louriçal vai ter uma zona industrial. As obras destinam-se à implementação de indústrias de serralharia, comércio, talho e confecções. O presidente da Junta de Freguesia do Louriçal, José Marques, acredita que a aposta no comércio é uma prioridade, nomeadamente na criação de postos de trabalho, numa altura em que o país enfrenta uma grave crise económico-financeira.

Evitar o deslocamento das indústrias para outras freguesias e travar o crescente desemprego é uma das prioridades destas obras. “A dimensão que a freguesia tem justifica que tenhamos um espaço onde qualquer pessoa que queira criar uma empresa a nível industrial possa fazê-lo”, admite José Marques. Neste momento prevê-se a colocação de 15 lotes: cinco de 1 500 metros e outros cinco de 5 000 metros, que podem ser divididos em dois. 

Numa primeira fase está a ser construída a avenida com saneamentos, energia eléctrica, iluminação pública, passeios, rotunda e abastecimento de água. “Cada indústria que aí se fixar vai ter de se adaptar ao espaço”, declara o presidente. Já se contam algumas vantagens proporcionadas pelas obras: “se não pegarmos em pequenas empresas, não conseguimos criar emprego e consequentemente não conseguimos abrir restaurantes, não há possibilidade de construir e/ou de alugar apartamentos” porque há menos população, adianta José Marques.

Neste momento é em torno da indústria que giram todos os negócios. “Estamos na parte central do eixo rodoviário, entre a Nacional 1, a A17, o IC8, e a linha ferroviária do norte. Além de pudermos vir a desenvolver a actividade empresarial, a zona industrial vai ficar mais ou menos inserida nesta área”, explica o presidente da Junta de Freguesia.

Quanto aos valores, “neste primeiro investimento ultrapassam os 400 mil euros, no que se refere a acessos e infraestruturas”, num espaço de 50 mil metros de área, que é, contudo, expansível. Como o pólo industrial se vai localizar numa zona florestal, prevê-se que seja pouco poluente. As obras começaram a 8 de Setembro e vão prolongar-se até ao próximo Verão.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

“É perfeito viajar e ao mesmo tempo tocar e conhecer pessoas”

Aos 27 anos de idade Luisa Sobral já conta com três álbuns editados. O primeiro, "The Cherry On My Cake" saiu em 2011 e o último, "Lu-pu-i-pi-sa-pa" estreou  esta semana. Em digressões nacionais e internacionais, Luisa Sobral mostra-se satisfeita por conseguir consiliar as viagens e a música ao mesmo tempo que conhece gente. Não tem medo de arriscar e promete continuar a somar sucessos cá dentro e lá fora. Hei-la realizada e feliz.

 
Em palco disse que o seu albúm estreou há uma semana. Como é que está a correr a primeira semana?

Até agora está a correr muito bem. Já tive muitas visualizações no youtube, da canção, tem acontecido uma coisa que não aconteceu nos outros álbuns: há muito poucas criticas negativas. Normalmente é um bocadinho raro, estou feliz com isso. Tem tido boa aceitação por parte dos jornalistas, quando falam sobre o disco, das pessoas que se identificam com as canções e que lhes lembra a infância. Isso para mim é das coisas mais giras também. Tem sido muito bom até agora.


Vai apostar também em músicas portuguesas?

Não sei, eu não penso muito nisso. Este disco fez todo o sentido para mim ser em português porque é um disco para crianças, portanto eu quis logo escrever em português. O meu próximo disco tem quase todas as músicas em inglês, eu já tenho quase o disco todo feito e é muito em inglês. É o que eu sentir, neste disco senti em português porque é para crianças portuguesas. Mas eu vou fazer como me apetecer.


Em termos do processo criativo… compõe música e letra ao mesmo tempo?

É tudo ao mesmo tempo, uma coisa puxa a outra, normalmente a harmonia puxa a letra e vai saindo. 

Canta em inglês. Em termos internacionais abriu-lhe algumas portas? 

Eu acho que sim. Estamos a planear ir a Londres no início do próximo ano, e isso é feito dessas coisas. Abriu-nos a porta para outros países. Vamos ter agora um tornée a Aústria, Alemanha, Luxemburgo, Suiça, e tudo isso também vem dessas coisas. É difícil às vezes ver quais foram as consequências, mas consequências gerais existiram. 


Em termos da internacionalização… normalmente a música portuguesa é mais conhecida pelo fado. Como tem sido o acolhimento à sua música lá fora?

Muito boa, porque não é considerada música portuguesa. É considerada música e a cantora portuguesa. Não é considerada música portuguesa. Eu acho que em vez de verem a música portuguesa geral veêm uma cantora portuguesa. Eu também sinto que na nossa carreira faz parte ir apostando e, se calhar, no início as coisas são mais difíceis mas nós apostamos porque acreditamos que vamos construindo e tem dado frutos. Nós fizemos uma tornée na Alemanha e só eu e o baixista, fomos abrir uns concertos lá e eu disse “somos só os dois mas vamos fazer um concerto”. Então construímos um concerto só os dois e, por causa desse concerto, vamos fazer um tornée grande e por isso temos de acreditar que com o apoio da minha editora e do meu manager as coisas vão ter consequências e temos de ser nós a trilhar esse caminho. 

É preciso não se acomodar só aqui a Portugal…

Eu adoro Portugal. Adoro tocar em Portugal, adoro viajar e adoro conhecer o mundo e se eu posso juntar as duas coisas. Também se conhece um pouco com a maneira como reage às músicas por isso para mim é perfeito poder viajar e ao mesmo tempo tocar para conhecer as pessoas e mostrar-lhes a música que eu faço. Para isso é que eu também quero tocar mais lá fora.

Em termos de concerto nota-se que há uma forte ligação com os restantes membros do grupo, mas o que me encantou foi que a Luisa é uma mulher dos sete instrumentos…

Mais ou menos. Eu acho que fiz um bocadinho porque eu acabo por tocar arpa numa canção, banjo noutra. As pessoas pensam que eu toco esses instrumentos mais eu só toco banjo naquela canção, só toco arpa naquele canção, sou um bocadinho falsa nisso. Eu não toco todos mas as pessoas acreditam que sim. Eu vou encontrando a musicalidade de cada instrumento. Dá-me imenso prazer descobrir o instrumento e saber como se toca mas não posso dizer que toco todos.

Nota-se muita criatividade, com o Medley do telefone, o tema "Call me maybe "de Carly Rae Jepsen

Sim, foi uma coisa que fizemos juntos. Eu queria fazer uma coisa de precursão corporal, e então foi o baterista Carlos Miguel que desenvolveu isso com esta música e ele fez essa parte. Realmente há essa química entre nós. Para mim é o mais importante: a música e haver uma relação boa entre as pessoas porque estamos juntos muito tempo, porque passo mais tempo com eles do que com os meus amigos e a minha família. Eu gosto muito quando sinto que há uma boa energia entre os músicos. 

Entrevista: Cid Ramos e Nuno Oliveira
Edição: Ana Isabel Mendes

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Aluna do Louriçal estreia-se no mundo da poesia

A apresentação do livro “Descobre-me Entre as Linhas” realizou-se no sábado, dia 20 de Setembro, às 17h30 na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. A obra da autoria de Sara Carvalho, aluna do 12º do curso profissional de Técnico Multimédia, contou com o apoio do Instituto D. João V (IDJV) e da Chiado Editora. Houve tempo para a interpretação de dois temas musicais e para a leitura de alguns dos poemas do livro.

“Reuni um conjunto vasto de poemas e pensei em publicar um livro”, explica Sara Carvalho, acerca da ideia que foi surgindo ao longo do tempo. Foi em Junho deste ano que entrou em contacto com a Chiado Editora que reconheceu o trabalho desta jovem e a lançou no mundo da poesia. “Sempre gostei muito de ouvir poesia, mas escrever mesmo só de há um ano e meio para cá”, explica. 

Sara Carvalho apresenta livro
“Descobre-me Entre as Linhas” conta com 54 páginas, onde são retratados sentimentos como “amor, paz, amizade, saudade, lealdade e confiança”, aqueles que a autora quer transmitir. Este é um livro transversal a todas as idades. “Se a pessoa que comprar o livro for jovem, serve para se identificar e perceber alguma coisa do mundo jovem, que nos custa, por vezes, entender. Se for adulto, o objetivo é o de perceber o seu filho, o seu sobrinho, e recordar a juventude”, argumenta a autora.

Além da leitura e da escrita, Sara Carvalho tem outras paixões: são prova do curso de multimédia que frequenta atualmente – o design e a fotografia. “São gostos que posso conciliar”, explica. Contudo, admite que pretende suspender por algum tempo a escrita. “Estou a pensar parar um bocadinho para me dedicar à escola e à multimédia, que é também o que eu gosto de fazer. Futuramente, adorava conseguir conciliar as três áreas”, refere. 

Sara tenciona continuar a escrever. Mas da próxima vez quer aventurar-se no mundo da prosa, embora ainda não saiba datas. “Gostava de algum dia conseguir escrever uma narrativa, um romance”, diz. Acrescenta ainda: “quanto à multimédia quero seguir estudos superiores na área de fotografia”.

A apresentação do livro teve casa cheia. Contou com a presença de Cristiana Costa, colega de Sara Carvalho que interpretou dois temas: “Não sei quem te perdeu”, de Pedro Abrunhosa e “Chuva”, de Mariza. A apresentação terminou com a declamação de alguns poemas, por colegas da jovem poetiza. Os aplausos demonstraram o reconhecimento, por parte do público, por todo o trabalho.

(publicado na edição de outubro do "Notícias da Sua Terra")