Cerca de
300 pessoas concentraram-se, na terça-feira, pelas 10h30, junto à Gelataria
2000 para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra
as Mulheres. A acção levada a cabo pela APEPI consistiu numa caminhada
silenciosa, pela estrada, entre a gelataria e o Largo do Cardal.
“O intuito
de comemorar estas datas é sensibilizar a população em geral para esta
problemática assim como contribuir para a prevenção”, sublinhou a presidente da
direcção da APEPI, Teresa Silva sobre a acção que considerou, no fim, “muito
positiva”. Os mais jovens não foram esquecidos: “eles são o futuro do nosso
país e têm de guardar estas memórias para que o problema seja extinguido e haja
igualdade entre homens e mulheres”, frisou ainda Teresa Silva. Foi esta a razão
da presença de cerca de 230 estudantes da Escola Marquês de Pombal e da Escola
Secundária de Pombal.
A
“violência doméstica é uma violação dos direitos humanos” que não é exclusiva
das mulheres. “Também é um problema dos homens, das crianças, dos deficientes e
dos idosos”, daí a importância do alerta global por parte das entidades
envolvidas, sublinhou a presidente da direcção da APEPI.
Desde 2002
a instituição acolhe vítimas a partir dos 12 anos numa casa-abrigo em Pombal e,
até hoje, tem tido sempre lotação esgotada. “É a única resposta ao nível
distrital e neste momento temos capacidade para 14 utentes”, afirmou a
presidente Teresa Silva.
A
casa-abrigo “funciona ao nível nacional. Temos de fazer permutas com Faro, com
o Porto e com Lisboa para a vítima ficar mais afastada do agressor”,
acrescentou Teresa Silva. Algumas utentes mantêm-se no activo, mas outras
“encontram-se de baixa ou estão desempregadas porque deixaram de trabalhar:
umas por faltas ao trabalho, outras porque nunca trabalharam”.
Para ajudar
a reintegrar “socialmente, familiarmente e laboralmente” as vítimas é
necessário agir em algumas valências. “Muitas das vítimas começam a trabalhar
quando ainda são utentes da casa-abrigo”, explicou a presidente da direcção da
APEPI acerca do trabalho que é feito na casa-abrigo por “técnicos, entre os
quais, o psicólogo, a assistente social e as auxiliares de apoio e de
vigilância”.
Há histórias que marcam
A directora técnica da casa-abrigo de Pombal,
Sandrina Mota, relembrou um caso que a chocou particularmente. “Uma mulher
estrangeira licenciada veio para Portugal estudar. Entretanto juntou-se ao
namorado que a sequestrou, durante dois anos, na própria casa. Chegou à nossa
casa-abrigo com marcas muito graves de violência doméstica”. Sandrina Mota
lembra-se do estado em que tinha chegado a vítima à casa-abrigo: “vinha com
marcas de navalha na cabeça e tinha sinais de violência até aos pés”.
Tal como em
muitos casos, neste foi difícil reintegrar a vítima. Mas esta história teve um
final feliz: “conseguimos contactar a família e ela voltou ao país Natal”.
O grupo de
dança da Filarmónica Artística Pombalense encerrou o evento com a apresentação
de um FLASH MOB. A adesão foi significativa e, no próximo ano, realizar-se-á
uma acção diferente “que ainda está em estudo” e assinalará o 25 de Novembro de
2015.
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